Opinião: Deverá a final da Taça de Portugal ser jogada no Jamor?

Todos os anos, quando se aproxima o término da época desportiva, é levantada questão de a final da Taça de Portugal dever, ou não, ser disputada no Estádio do Jamor, em Oeiras. Em 2020, esta problemática ganha novo relevo, pois devido ao Covid-19, a partida irá ser jogada em Coimbra. Desde 1983 que a prova rainha não era decidida fora do distrito de Lisboa.

Quem contesta a escolha sistemática do Estádio Nacional para o derradeiro jogo daquela que é para muitos a prova mais apaixonante do futebol nacional, argumenta sobretudo que o recinto não tem condições para a realização de duelos de tamanha importância. Também há quem alegue que é injusto o encontro dusputar-se sempre na capital do país, pois não raras vezes, este é discutido entre emblemas de outras regiões, obrigando os seus adeptos a viajarem centenas de quilómetros antes de um dia de trabalho.

Por outro lado, os que defendem que a competição organizada pela FPF deve continuar a ser concluída no recinto oeirense, referem que a tradição é para ser mantida e que a partida perderia grande parte do seu significado se ocorresse noutro local.

Confesso que consigo perceber as duas partes. Na presente temporada, devido ao facto de o Estádio Nacional não cumprir as normas de higiene impostas pela DGS para o combate à pandemia, é lógico que a Federação tenha optado por organizar o jogo num espaço diferente, com mais condições. Assim, penso que Coimbra é uma excelente escolha, pois fica quase equidistante das sedes dos dois clubes que vão competir pelo troféu.

No entanto, custa-me aceitar que, em anos “normais”, o encontro mais mítico do futebol lusitano não aconteça naquele que é, para mim, o estádio mais emblemático do nosso país.

No meu ponto de vista, a beleza da Taça de Portugal está precisamente na sua imperfeição e “injustiça”. As eliminatórias têm apenas um jogo – à exceção das meias-finais-, e o sorteio tem poucas condicionantes, podendo ditar um duelo entre dois dos principais candidatos à vitória, logo no princípio da competição. Deste modo, não me aflige que um emblema de outra região do país discuta a partida no Jamor, uma vez que a FPF disponibiliza o mesmo número de bilhetes às equipas participantes.

Além disso, penso que é inegável que o Estádio do Jamor tem uma mística sem rival. Qualquer adepto do futebol português devia ter, pelo menos uma vez, a vivência de almoçar na mata que circunda o recinto, confraternizar com os que vibram pelas mesmas cores e entrar no “palco dos sonhos” com a esperança de levar o troféu para “casa”. Uma tarde mágica que fica na memória de cada um.

Nos anos comuns, a final da Taça de Portugal tem que ser jogada no Jamor, sob pena de a prova rainha do futebol lusitano se tornar numa competição banal.

 

Fonte da imagem: FPF

Rui Simão da Costa

Um jovem de 24 anos, natural de Coimbra, reunindo através do jornalismo desportivo, o gosto pela escrita e pelo futebol.