Clubes “de primeira” na distrital

Nas “Curiosidades” desta semana, o AMBIDESTRO dá-lhe a conhecer os sete clubes que, já tendo provado o sabor da elite do nosso futebol, se encontram, atualmente, nas competições distritais.

A lista encontra-se atualizada consoante os quadros da competição da época que vem (2020/21), pelo que emblemas recentemente promovidos dos distritais (como o FC Tirsense ou o SC Salgueiros)  já não foram incluídos. Do mesmo modo, e visto que não haverá descidas do Campeonato de Portugal, os clubes em lugar de despromoção das respetivas séries (como o GD Fabril ou o Lusitano GC) não constarão neste artigo.

De notar ainda que instituições como a Associação Naval 1893 ou o Clube Desportivo Estrela também não foram tidas em conta, uma vez que se tratam de “clubes fénix” e não das entidades originais que em tempos militaram, de facto, na primeira divisão (para conhecer melhor estes casos particulares, sugerimos que leia aqui o nosso artigo referente aos mesmos).

Ginásio Clube de Alcobaça

Ginásio Clube de Alcobaça (Facebook)

Os leitores mais jovens dificilmente conhecerão este nome…e mesmo os mais velhos terão alguma dificuldade em recordá-lo, mas este modesto clube do distrito de Leiria conseguiu o impensável ao subir ao topo do campeonato português, e num passado não tão distante quanto se possa julgar.

O sonho do Ginásio Clube de Alcobaça na primeira divisão foi curto, tendo durado apenas uma época, em 1982/83, mas constitui uma data que os seus adeptos, certamente, nunca mais irão esquecer, ou não seria este um feito, até hoje, inédito.

Acabaria, de resto, por descer com a mesma rapidez com que subiu e, diga-se, “com estrondo”, terminando no último posto, com apenas 15 pontos ao fim de 30 jornadas, somando ainda os títulos de pior ataque e pior defesa.

Nos dias de hoje, os alcobacenses militam na Divisão de Honra da AF de Leiria, tendo terminado a presente época, sensivelmente, a meio da tabela (9º lugar).

 

Seixal FC

Seixal Clube 1925 (Facebook)

Por sorte ou azar, dependendo de a quem colocar a questão, no que toca a futebol, a cidade do Seixal tem estado mais recentemente associada à academia do SL Benfica e não tanto ao clube local, o Seixal FC. O que muitos seixalenses não saberão, no entanto, é que este pequeno emblema da margem sul de Lisboa também já teve, em tempos, o estatuto de primodivisionário.

Um pouco à semelhança do Ginásio de Alcobaça, foi “sol de pouca dura” a estadia do Seixal na primeira divisão, conseguindo-o apenas em 1963/64 e em 1964/65. Ainda assim, no primeiro ano, conseguiu mesmo escapar à despromoção, ficando a dois pontos do Olhanense, que acabaria por descer.

A época seguinte não lhe traria tanta sorte, terminando no 13º posto, a 12 pontos da salvação. Tal não foi impeditivo, no entanto, de deixar a sua marca, conseguindo uma vitória caseira impressionante diante do SC Braga, derrotando os minhotos por uns expressivos 3-0.

Tudo o que é bom acaba depressa e o clube dos “Rapazes do Bravo” esteve mesmo à beira da extinção. Contudo, e graças a uma preciosa ajuda do Benfica (quem mais), o clube conseguiu reerguer-se, atuando de momento na 2ª Divisão da AF de Setúbal, tendo terminado no 2º lugar, garantindo, com isto, a subida ao primeiro escalão distrital.

Lusitano FC

Lusitano FC Vrsa (Facebook)

Quando se fala de futebol no Algarve, a conversa rapidamente tende a pender para nomes como o SC Farense, o Portimonense SC, ou ainda, talvez, o SC Olhanense. Há, no entanto, um quarto nome algarvio há muito esquecido, mas que também teve a honra de pisar o maior palco desportivo do nosso país: o Lusitano Futebol Clube.

O clube de Vila Real de Santo António, no distrito de Faro, viveu os seus melhores anos entre 1947 e 1950, as três épocas em que jogou no topo do futebol português, e mostrou de imediato que vinha para ficar, conseguindo o 12º lugar na época de estreia (a sete pontos da despromoção), arrecadando ainda alguns resultados interessantes, entre os quais uma estrondosa vitória por 5-1 diante da Académica de Coimbra, apesar de ter sido, de longe, o pior ataque do campeonato, nesse ano.

No entanto, após duas épocas a agarrar-se “com unhas e dentes” à manutenção, à terceira foi mesmo de vez, e os algarvios nunca mais tornariam a jogar ao mais alto nível, estando, de momento, na 1ª Divisão da AF do Algarve, de onde apenas não sairão graças ao cancelamento das despromoções, uma vez que ocupavam o último posto, a 29 pontos (leu bem, vinte e nove) de escapar ao play-off de descida.

União Futebol Comércio e Indústria de Tomar

União Futebol Comércio e Indústria de Tomar (Facebook)

Do Algarve viajamos para o Ribatejo, mais concretamente para Tomar, no distrito de Santarém. Aqui encontramos dois clubes, fundados sensivelmente na mesma altura: o SC Tomar e o UFCI Tomar. Destes, o segundo foi quem mais sucesso teve, contando com seis presenças na Primeira Liga, entre o final da década de 60 e meados dos anos 70.

A estreia foi em 1968/69, ano em que os ribatejanos conseguiram um confortável 10º lugar, que seria, de resto, a melhor classificação de sempre. Ao longo das temporadas seguintes, o emblema foi oscilando entre a Primeira e a Segunda Liga, nunca ficando mais de duas épocas consecutivas no principal escalão,

Assim foi ao longo de quase oito anos. A proeza foi-se repetindo, mas a sorte do União acabaria por se esgotar, saindo derrotado dos play-offs de descida de 1976 e nunca mais regressando à primeira divisão.

Contando já quase 45 anos desde a última vez que pisou o topo do nosso futebol, o clube milita agora na 1ª Divisão da AF de Santarém, ocupando o 5º posto, aquando da paragem do campeonato.

FC Barreirense

FC Barreirense (Site Oficial)

Nos dias de hoje, o primeiro clube que vem à memória quando se fala na margem sul de Lisboa será, certamente, o Vitória FC, de Setúbal. Pois bem, acontece que, nos anos 60, não eram só os sadinos a causar furor perto da capital, pois há uma terra (bem mais próxima, diga-se) que vivia, também na altura, os seus melhores dias no que ao desporto rei diz respeito. Os mais velhos saberão, sem margem para dúvidas, que nos estamos a referir à cidade do Barreiro, casa da CUF (Companhia União Fabril) e do FC Barreirense.

Ao nível do campeonato nacional da primeira divisão, o Barreirense foi quem mais anos somou na competição (24 épocas). Estreando-se em 1937/38, e apesar de quase uma década de ausência entre 1942 e 1951, foi nos anos 60 e 70 que os alvirrubros atingiram o auge, conseguindo o 4º lugar na liga em 1969/70, o seu melhor registo.

Apesar de manterem alguma consistência, sobretudo a meio da tabela, em 1978/79 o emblema acabaria por descer de divisão e, desde então, nunca mais jogou na Primeira Liga.

O Barreirense encontra-se hoje na 1ª Divisão da AF de Setúbal, onde mantinha o 2º Lugar até ao estado de emergência nacional ser decretado.

Atlético CP

Atlético Clube de Portugal (Facebook)

Hoje em dia, é possível que a maior parte dos jovens adeptos de futebol lisboetas conheça este clube como algo do género “aquele que joga no estádio que se vê da ponte”. Pois bem, o estádio é o da Tapadinha e, em tempos que já lá vão, esta seria uma afirmação por demais modesta para descrever o Atlético Clube de Portugal.

Fundado em 1942, o emblema de Alcântara surgiu da fusão do União Foot-Ball Lisboa com o Carcavelinhos, este sendo um dos vencedores do antigo Campeonato de Portugal. Assim, e apesar de nunca ter ganho nenhum troféu a nível nacional (salvo de escalões inferiores), o clube possui uma mentalidade vencedora inata, e isso refletiu-se nas 24 épocas em que militou no principal escalão do futebol português.

Os anos 40 acabariam mesmo por ser a década “de ouro” do clube, atingindo a sua melhor marca, o 3º lugar, por duas ocasiões, em 1943/44 e 1949/50, numa altura em que, de resto, era habitual concorrente à primeira metade da tabela.

Os anos passaram e o emblema foi perdendo força, acabando 1976/77 por ser a última época em que jogariam na primeira divisão, até hoje. Nos anos seguintes foram alternando entre o 2º e os 3º escalões nacionais, até que um dia o Atlético declarou falência e teve mesmo de abdicar da sua equipa de futebol.

Os membros do clube não baixaram os braços, reerguendo o emblema de Alcântara e fazendo renascer a equipa sénior. Em 2020/21, jogará a primeira Divisão do campeonato distrital da AF de Lisboa, tendo terminado a presente época no 3º posto, falhando por pouco o regresso aos campeonatos nacionais.

CF os Belenenses

Os Belenenses (Facebook)

Se o Atlético é um velho conhecido, o Belenenses dispensa qualquer tipo de apresentação. Falamos de um caso excecional nesta lista, uma vez que o emblema apenas se encontra nos campeonatos distritais devido à polémica separação entre o clube e a respetiva SAD, já que, desportivamente falando, os homens do Restelo sempre foram “clientes habituais” da Primeira Liga.

A época 2018/19 teria sido a 77ª do clube na elite do futebol português, não fosse a situação que enfrenta. Entre competições europeias e Taças de Portugal, o clube tem ainda a particularidade de ser um dos únicos dois, além dos “três grandes”, a ter ganho o campeonato nacional, em 1945/46.

Assim, em 2018, o clube abraçou uma nova realidade, acabando a atuar na 3ª Divisão da AF de Lisboa com um plantel elaborado totalmente do zero. Após vencer este campeonato com relativa facilidade, o Belenenses terminou a presente época novamente no 1º posto e, mais uma vez, sem grandes “dores de cabeça”.

Garantiu, com isto, o “ingresso” para a 1ª Divisão do campeonato distrital no ano que vem, onde irá defrontar o velho rival Atlético, cinco anos depois de se terem encontrado pela última vez, em jogo para a Taça da Liga, naquele que promete ser, desde já, o jogo do ano dos campeonatos distritais.

 

Imagem destaque: Atlético Clube de Portugal (Facebook)

Duarte Rosa

"Alfacinha" de gema, sportinguista de coração. Desde o clube à seleção nacional, o amor pela bola está presente desde cedo. A licenciar-se em Ciências da Comunicação, na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, esta paixão pela escrita e pelo futebol forma uma dupla interessante, que espera vir a agradar aos seus leitores.