Michel Preud’Homme: o voo da águia

Muitas vezes vista como uma área de menor importância face à de avançado, a posição de guarda-redes é, na verdade, tão ou mais essencial quanto os que marcam grandes golos ou fazem cortes exemplares.

Aqueles que se colocam entre a baliza e o golo são conhecidos por serem capazes de fazer o impossível, ao ponto de se tornarem sinónimos de vitórias e conquistas.

Estes profissionais, em muitos casos, são dos maiores ídolos da massa adepta, pela sua dedicação e talento entre os postes, e Portugal não é exceção à regra.

Se Itália tem Buffon e Espanha teve Casillas, a Liga Portuguesa e os seus adeptos, principalmente os benfiquista, tiveram o prazer de ver jogar um dos maiores de sempre a fazer o que mais ninguém parecia imaginar ser capaz de ocorrer.

Michel Georges Jean Ghislain Preud’homme, nascido a 24 de janeiro de 1959, na Bélgica, fez toda a sua formação no Standard de Liège, clube pelo qual se estreou no ano de 1977.

Ao serviço do clube da sua cidade natal, Preud’homme realizou 240 jogos de 1977 a 1986, tendo conquistado dois campeonatos belgas (1981-82, 1982-83), uma Taça da Bélgica em 1980 e duas Supertaças Belgas em 1981 e 1983.

Após esta passagem por um dos maiores clubes da Bélgica, o guarda-redes viria a alcançar ainda mais sucesso ao representar o Mechelen.

Pelo rival do Standard de Liège, conquistou um campeonato belga em 1988-89, uma Taça da Bélgica em 1986-87, uma Taça das Taças da UEFA em 1987-88 e uma Supertaça Europeia em 1988, tudo isto em 263 aparições.

Em 1994, depois de ter sido nomeado como o melhor guarda-redes do Mundial da FIFA desse ano, assinou contrato com o Benfica. Foi ao serviço dos “encarnados” que o jogador recebeu a alcunha de “Saint Michel”, pelos suas defesas milagrosas.

Em 147 partidas oficiais, Preud’homme apenas conquistou uma Taça de Portugal na época de 1995-96, o que não impediu de ser acarinhado pela esmagadora maioria dos adeptos das “águias”.

Em 1999, o guardião belga retirou-se dos relvados num amigável contra o Bayern de Munique, concluindo, desta forma, uma carreira que, a nível de clubes, contou com um total de 650 jogos oficiais.

Ao serviço da seleção nacional belga, o guarda-redes conta com 58 internacionalizações entre 1979 e 1994, tendo participado dos mundiais de 1990 e 1994.

Um jogador com uma maneira de jogar elegante e eficiente, também encontrou sucesso enquanto treinador principal.

De maior destaque foram as suas passagens pelo Standard de Liège, onde ganhou o campeonato belga da época 2007-08, pelo Gent e a Taça da Bélgica em 2009-10, e pelo Club Brugge, onde conquistou uma Liga Belga (2015-16); uma Taça da Bélgica (2014-15) e uma Supertaça Belga (2016).

Um dos melhores jogadores dos últimos 20 anos do século XX e um treinador consagrado no seu país, Preud’homme não só é um dos últimos grandes ídolos da história recente do Benfica, como também é, provavelmente, o maior jogador belga de sempre.

 

Fonte da imagem: slbenfica.pt