Golo tardio de Guga deixa FC Porto a um ponto do título

A vitória do FC Porto em Tondela, por 3-1, fez soar fogo-de-artifício no Estádio João Cardoso, lançado por elementos dos Super Dragões. Com isto, o Benfica entrava para o terreno de jogo, em Famalicão, com a obrigação de ganhar caso quisesse sonhar ainda com o título ou, (realisticamente falando) adiar a festa nos Aliados pelo maior tempo possível.

Nélson Veríssimo alinhou o mesmo onze que venceu o Boavista na jornada passada. Já João Pedro Sousa mudou cinco elementos: Defendi, Patrick, Roderick, Lameiras, e o estreante Del Campo.

A primeira metade foi dividida e jogada a um ritmo alto. Por um lado, estava um Benfica com a necessidade de ganhar e impor o seu caudal ofensivo; por outro, estava uma das equipas mais aprazíveis à vista na Liga Portuguesa, com uma filosofia de jogo baseada no futebol apoiado e que se manteve neste desafio, independentemente da valia do adversário.

Essa filosofia de jogo bem trabalhada fez com que o Famalicão conseguisse, na primeira meia-hora, conter as linhas de pressão benfiquistas, circulando a bola com alguma facilidade e superiorizando-se à dupla de médios Weigl-Gabriel. Mas quem criava mais perigo era o Benfica. Cervi, logo aos 4′, perdeu no frente-a-frente com Rafael Defendi. O extremo argentino viria ainda a pedir penalti quatro minutos depois, mas acabou amarelado (e bem) por simulação. Pizzi também tentou a sua sorte de longe, com um remate em jeito de fácil paragem para Defendi.

Pedro Gonçalves reclamou a primeira grande chance de golo na partida, num remate de fora da área benfiquista que obrigou Vlachodimos a fazer a defesa da noite, só com uma mão. Mais uma demonstração da valia do médio ex-Wolverhampton, que tem sido uma das surpresas deste campeonato.

A equipa de Veríssimo insistia e parecia ter descoberto a maior fraqueza do Famalicão, neste caso as costas da defesa. Chiquinho lançou Pizzi, que finalizou de primeira. O esforço do bragantino foi travado, mais uma vez, por Defendi. Mas o Benfica foi fatal aos 36 minutos. Cervi quebrou a linha defensiva do Famalicão, no corredor esquerdo, e apressou-se a cruzar para Seferovic que, sozinho frente a Defendi, permitiu a defesa. Porém, Pizzi estava ao seu lado e não falhou a emenda, rematando para uma baliza escancarada.

Até ao final da primeira parte, nota apenas para um contra-ataque prometedor do Famalicão, que acabou num remate algo precipitado de Fábio Martins, para Vlachodimos encaixar facilmente. O lateral-esquerdo, que estava sozinho, reclamou de forma bem audível.

Depois de uma primeira parte equilibrada, a segunda esteve a lume brando durante dez minutos. João Pedro Sousa quis mexer no jogo e obter uma presença mais efetiva no ataque, substituindo Del Campo por Anderson Silva, um dos destaques desta equipa. O jogo mexeu e aos 58′ uma jogada notável do Benfica, com uma variação de flanco que descobriu Chiquinho do lado direito, deu oportunidade ao segundo-avançado para testar Defendi. Na primeira intervenção do brasileiro na segunda parte, defendeu o remate para a frente e permitiu o bis a Pizzi… mas desta vez, ele falhou.

Seguiu-se uma sucessão de ataques benfiquistas, descobrindo sempre espaço nas costas da linha defensiva famalicense. O Benfica ameaçava de várias formas, quer de livre direto (Nuno Tavares), quer de canto, mas Defendi e companhia pareciam ter sempre resposta à altura.

Do pé direito de Fábio Martins saiu um remate exuberante que acabou nos ferros da baliza de Odysseas. Fabio é, incontestavelmente, o mais talentoso dos famalicenses. Pouco depois, Walterson, outro dos virtuosos de João Pedro Sousa não aproveitou da melhor forma um deslize de André Almeida.

O clímax deu-se aos 84′, um duplo balde de água fria para o Benfica. Jogada rápida pela direita do ataque famalicense, com Fábio Martins a cruzar rasteiro para a zona de penalti. Quem apareceu nesse espaço foi… Guga, jogador formado no Benfica, que não vacilou e bateu Vlachodimos. O recém-entrado Guga festejou o golo do empate, e o golo que retirou quaisquer dúvidas quanto ao desfecho do título.

Exibição sóbria do Famalicão, fiel aos seus princípios, e o Benfica pode queixar-se das oportunidades desperdiçadas. Já o FC Porto fica assim a apenas um ponto de celebrar mais um título nacional, o segundo em três temporadas.

Foto: Twitter Oficial Famalicao

David Silva

Contar a minha história é falar de futebol. Primeiro, a paixão. Depois, a prática. Em seguida, uma deslocação de 71km entre a Lourinhã e a NOVA/FCSH, onde concluí o curso de Ciências da Comunicação, em 2019. Pelo meio, nove meses de estágio memoráveis no Canal 11, na Cidade do Futebol. E por fim, a paixão. Sempre.