O Scudetto do Napoli

Esta semana recordamos a histórica equipa do Napoli da temporada 1989/90. Comandados por um pequeno (só mesmo em tamanho) génio argentino, Diego Armando Maradona, a equipa do sul de Itália conquistou aquele que foi, apenas, o segundo e último título deste enorme clube.

Tardes solarengas iluminavam os enormes estádios italianos, sempre forrados de gente, apaixonada pelo futebol, que, fervorosa e atentamente, assistia àquilo que os 22 artistas faziam dentro de campo. Sim, naquela altura, mais do que nunca, Itália era um poço de senhores que faziam arte com uma bola. A Juventus tinha Platini, o AC Milan tinha Marco Van Basten, na Fiorentina Roberto Baggio, a Roma com Rudi Voller, no Inter Lothar Matthaus e, claro, o Nápoles com um argentino, a estrela maior da história do clube, Diego Maradona.

Contudo, engane-se quem pensava que esta formação de Nápoles era só Maradona. Apesar de ser a figura principal, Maradona contava com dois brasileiros (Careca e Alemão), curiosamente os únicos três jogadores que não eram italianos em todo o plantel napolitano, e que aumentavam ainda mais a ginga e a veia sul-americana na equipa.  Para além destes três estrangeiros, também haviam italianos preponderantes na formação de Alberto Bigon. Gianfranco Zola, Andrea Carnevale, Giovanni Francini, Ciro Ferrara e Marco Baroni sobressairam e foram importantes nesta conquista do Scudetto.

Num campeonato equilibradíssimo, díficil seria adivinhar um vencedor, mas desde cedo o Napoli demonstrou que não estava no campeonato para passear e nas primeiras sete jornadas, em 21 pontos possíveis, os napolitanos conquistaram 17 pontos (e o primeiro lugar), sobressaindo à vista uma vitória caseira frente ao AC Milan, por três bolas a zero, com um golo de Maradona e um bis de Carnevale.

O primeiro posto no Calcio, durou até à 23ª jornada, pois, à 24ª, os azuis do sul de Itália sofreram a vingança do AC Milan; desta feita, em Milão, os milaneses não perdoaram e responderam na mesma moeda, vitória convincente por 3-0 frente ao Nápoles. Assim, a equipa de Van Basten, Rijkaard e Gullit trocou de posição com a equipa de Maradona e passaram a ser os líderes da Liga Italiana.

No entanto, Maradona e companhia não desistiram da ideia de conquistar o segundo campeonato italiano da história do Nápoles e mantiveram-se fortes na corrida ao título. Apesar do segundo lugar, água mole em pedra dura, tanto bate até que fura. Foi na jornada 33, na penúltima jornada do campeonato, o Napoli venceu na casa do Bologna por 2-4 e o AC Milan perdeu, de forma surpreendente, em casa do despromovido Hellas Verona, por 2-1 e, sendo assim, as posições no topo da tabela mudaram e o Napoli trocou de lugar com o Milan, passando para a primeira posição do campeonato.

Na ultima e derradeira jornada, o Nápoles recebeu a Lazio e, em casa, um golo solitário de Marco Baroni aos sete minutos deu a vitória e o campeonato aos Azzurri. O sonho de ser o maior de Itália voltou a ser realizado aos adeptos do Nápoles, que, com Diego Armando Maradona, melhor marcador da equipa com 16 golos e terceiro melhor marcador do campeonato, escreveram uma das páginas mais bonitas do futebol italiano.

Alexandre Ribeiro

Nascido e criado na ilha Terceira, nascido e criado para o futebol. Desde cedo aprendi, vivi e vibrei com o desporto rei. A licenciar-me em Ciências da Comunicação na FCSH da Universidade Nova de Lisboa. Com o futebol e a escrita espero proporcionar um espectáculo fora das 4 linhas para todos aqueles que partilhem o gosto pela bola e pelos seus artistas.