Lembra-se de Diego Forlán, o herói de 2010?

A apetência pelo futebol corre nas veias de Diego Forlán Corazzo. O seu pai é Pablo Forlán, internacional uruguaio por 17 vezes, e o avô era Juan Carlos Corazzo, antigo internacional uruguaio e selecionador do Uruguai por quatro ocasiões. Uma herança pesada para Forlán, que, em pequeno, gostava mais de ténis do que de futebol.

Em 1991, a vida de Forlán mudou por completo. A irmã, Alejandra, teve um acidente de viação que vitimou o namorado e a deixou paralisada. As dificuldades económicas da família Forlán acabaram por ser colmatadas pela beneficiência de um tal de Diego Armando Maradona. A lenda do futebol argentino tinha uma relação de amizade com o pai de Forlán e sentiu-se na obrigação de ajudar.

Forlán foi um “flop” em Manchester

Apesar de mostrar algum talento nas camadas jovens do Peñarol e do Danubio, o legado e os contactos da família Forlán levaram-no a alguns meses de testes no Nancy, de França. No entanto, Forlán acabou por ser dispensado. Regressou à América do Sul, mas não a casa. Emigrou desta vez para o Independiente Avellaneda, da Argentina, clube por onde o avô tinha jogado.

Um jovem uruguaio que tardava em afirmar-se na Europa

Com apenas 18 anos, Forlán fazia parte da equipa principal do Independiente e assegurou nos anos vindouros uma marca distintiva de 40 golos em 91 encontros. Chegou a hora de regressar à Europa, mas não para o modesto Nancy: Forlán foi contratado pelo Manchester United, de Sir Alex Ferguson, a meio da época 2001/02. O seu passe custou mais de 7 milhões de euros, um valor bastante elevado para os trâmites da altura.

Singrar num balneário recheado de estrelas, atacantes e não só, era complicado. Chegou em janeiro, a meio da época, e não conseguiu marcar nenhum golo no resto da temporada dada a falta de minutos e a competição com Van Nistelrooy e Ole Solskjaer.

Depois de uma espera de mais de nove meses, Forlán estreou-se finalmente a marcar e pode agradecer a David Beckham. A estrela (planetária) do Manchester United aceitou o pedido do jovem uruguaio e, no último minuto de um jogo com o Maccabi Haifa, deixou Forlán bater uma grande penalidade. Nessa época (2002/03) participou em 45 encontros, mas foi titular em apenas 15. Marcou, ainda assim, nove golos. Na época seguinte fez ainda menos minutos e menos um golo, abrindo-se a porta de saída de Forlán com a chegada de Wayne Rooney, em 2004.

Forlán não desistiu do sonho europeu. Saiu pela porta pequena do Manchester United, mas foi recebido de braços abertos num Villareal com grandes ambições, cujo plantel era composto de nomes como Pepe Reina, Santi Cazorla, Jaun Román Riquelme, Marcos Senna ou Juan Pablo Sorín. Escolheu o número 5. A primeira época foi bombástica: marcou 24 golos em 39 jogos, foi Pichichi e Bota de Ouro, sendo determinante para o 3.º lugar do Submarino Amarelo na Liga Espanhola.

Forlán justificou o seu elevado rendimento desta forma: “Cheguei e joguei logo. 90 minutos hoje. Cinco dias de descanso. 90 minutos outra vez. Isso tornou tudo mais fácil para mim. Em Manchester não tinha espaço”. Queixando-se das escolhas de Ferguson.

A época seguinte, 2005/06, é de antologia. O Villareal de Mauricio Pellegrini tem uma campanha de sonho até às meias-finais da Liga dos Campeões, apesar de um modesto sétimo lugar na Liga e de uma redução nos números individuais de Forlán – 14 golos em 49 jogos. O uruguaio teve a transferência da carreira no verão de 2007, para o Atlético de Madrid, a troco de 23 milhões de euros. O avançado de 28 anos substituiu Fernando Torres, transferido para o Liverpool, para fazer dupla com o jovem Sergio Aguero, outro ex-Independiente.

Esse duo mortífero fê-lo marcar mais de 60 golos nas primeiras duas épocas. Na segunda, voltou a ser o melhor marcador na Europa. Os resultados coletivos tardavam em chegar em Madrid, mas 2009/10, a sua terceira época em Madrid, foi a mais marcante na carreira.

2009/10: O Apogeu

É difícil esquecer o “Diego Forlán” de 2009/10. Primeiro, no Atlético Madrid, onde contribuiu decisivamente na conquista da Liga Europa, como capitão e melhor marcador da (nova) competição. Bisou na final de Hamburgo, as duas vezes a passe de Agüero, e devolveu o Atlético de Madrid aos títulos. Depois, no Mundial da África do Sul, onde também capitaneou a seleção uruguaia até ao bronze, com um futebol acutilante. Na memória ficará para sempre o golo de livre direto frente ao Gana e o volley contra a Alemanha, o golo mais bonito do torneio. Forlán foi eleito o melhor jogador do torneio à frente de Sneijder e David Villa.

Um ano depois de ter marcado cinco golos no Mundial da África do Sul, Diego Forlán foi um dos rostos do Uruguai campeão da América. O Uruguai estava em claro crescimento e, guiado pelo experiente avançado, o pequeno país sul americano voltou a ser o maior de todos, 16 anos depois, ao bater o Paraguai por 3×0 na final da competição. Quem bisou? Forlán, pois claro. 2011 marcou o fim da passagem pelo Atlético Madrid, 99 golos depois.

Os números de Forlán afrouxaram a partir desse ano, depois de uma experiência falhada no Inter de Milão, uma aventura no Internacional de Porto Alegre, no Japão, um regresso ao Peñarol e experiências na Índia e Singapura. Finalizou a carreira já perto dos 40 anos, em 2018. É um verdadeiro herói nacional, sendo o jogador com mais golos e internacionalizações pelo Uruguai.

Fotos: Twitter, Fifa.com

David Silva

Contar a minha história é falar de futebol. Primeiro, a paixão. Depois, a prática. Em seguida, uma deslocação de 71km entre a Lourinhã e a NOVA/FCSH, onde concluí o curso de Ciências da Comunicação, em 2019. Pelo meio, nove meses de estágio memoráveis no Canal 11, na Cidade do Futebol. E por fim, a paixão. Sempre.