Miguel Rosa: “Senti que merecia mais oportunidades na equipa principal do Benfica”

Bilhete de Identidade:

Nome: Miguel Alexandre Jesus Rosa

Data de nascimento: 1989-01-13 (31 Anos)

Naturalidade: Lisboa

Peso: 69 kg

Altura: 1,74 m 

Posição: Médio (Médio Ofensivo) / Avançado (Extremo Esquerdo)

 

Fez toda a sua formação no Benfica e capitaneou o regresso da equipa B encarnada em 2012/13, onde até foi considerado o melhor jogador da Segunda Liga nessa época, mas considera que merecia ter tido mais oportunidades na equipa principal das águias.

Conta com um palmarés invejável para muitos, sendo o jogador com o recorde de maior número de prémios de melhor jogador do mês da Segunda Liga – são oito no total – e o jogador com o maior número de prémios de melhor jogador do ano do segundo escalão do futebol português.

A isto, junta ainda um prémio de Jogador Revelação da Segunda Liga em 2011/12. Prémio este que já foi recebido por grandes nomes do futebol nacional, como Bruma, Luís Neto, Bernardo Silva, Gonçalo Guedes e André Silva.

Estivemos à conversa com Miguel Rosa, médio que esteve esta época ao serviço do Cova da Piedade e que conta com passagens por grandes clubes nacionais, como o Estoril Praia, Benfica e Belenenses. O criativo de 31 anos abriu o livro, falou da sua carreira, da sua vida pessoal e dos seus sonhos e objetivos para o futuro. Fique com esta Entrevista AMBIDESTRO a um craque do futebol português.

 

AMBIDESTRO: Como surgiu o futebol na tua vida?

Miguel Rosa: Eu sempre gostei de jogar futebol na rua com os meus amigos e então os meus pais por opção deles, porque não tínhamos nada a perder ,levaram-me a tentar a sorte, para fazer captações nas escolinhas do Benfica. Correu muito bem e a partir daí comecei a fazer parte da formação do Benfica.

AMBIDESTRO: A verdade é que foi um “casamento” duradouro e acabaste mesmo por permanecer no Benfica toda a restante da tua formação. Que memórias guardas destes tempos?

Miguel Rosa: Muitas mesmo, se contasse todas dava um livro (risos)

AMBIDESTRO: Sempre foi no centro do campo que te sentiste mais confortável? Experimentaste outras posições?

Miguel Rosa: Sinto-me bastante bem no meio, e penso que é aí onde posso render mais, mas joguei a extremo esquerdo, a falso número 9 e extremo direito.

AMBIDESTRO: Chegada a idade de sénior, começaste uma senda de empréstimos por parte do Benfica, passando inclusive por alguns históricos do futebol nacional, como o Estoril, o Carregado e o Belenenses. Sentes que estes te ajudaram a crescer enquanto atleta?

Miguel Rosa: Sim, sem dúvida, na altura também considerei a melhor opção para mim, uma vez que me permitiram crescer enquanto jogador.

AMBIDESTRO: Foi ao serviço do Estoril que fizeste a tua estreia enquanto sénior, em 2008/09, num ano em que até lograram em ficar num honroso quarto lugar na Segunda Liga. Como foi esse ano?

Miguel Rosa:  Foi muito bom, não esperava jogar tanto no meu primeiro ano de sénior.

AMBIDESTRO: Em 2010/11 chegaste pela primeira vez ao Belenenses, onde estiveste dois anos e onde, apesar do 14º lugar da equipa na Segunda Liga – na altura chamada de Orangina – foste eleito como o melhor jogador do campeonato. Qual a sensação de ter recebido este prémio quando ainda tinhas 22 anos?

Miguel Rosa: Sim é verdade, apesar da classificação fui considerado o melhor jogador da Segunda Liga, acho que estava no início de uma boa carreira e receber esse prémio foi um orgulho.

AMBIDESTRO: Depois de dois anos emprestado ao clube do Restelo, foste escolhido para capitanear o regresso da equipa B do Benfica. Era algo que ambicionavas?

Miguel Rosa: Sim, muito mesmo, tal como ambicionava chegar a equipa principal. Apesar de só ter feito três jogos pela equipa principal. é algo que me deixa muito orgulhoso.

AMBIDESTRO: Além da braçadeira, tiveste uma grande época, totalizando 41 jogos, 17 golos, um confortável sétimo lugar e ainda um novo prémio de melhor jogador do ano da Segunda Liga. Consideras este o melhor ano da tua carreira a nível individual?

Miguel Rosa: Sim, foi sem dúvida a minha melhor época no futebol profissional, já tinha ganho duas vezes o melhor jogador da Segunda Liga ao serviço do Belenenses e depois voltei a ganhar no Benfica, foi um ano fantástico para mim!

AMBIDESTRO: Apesar de tantos anos nos de ligação ao Benfica, fizeste poucos jogos pela equipa principal. Sentes algum tipo de amargo por causa disso? Sentes que faltaram oportunidades?

Miguel Rosa: Cheguei a fazer três jogos, mas como é lógico senti que merecia de longe oportunidades de mostrar o meu futebol na equipa principal.

AMBIDESTRO: Após 12 anos de ligação ao Benfica, saíste finalmente para outro clube a título definitivo, desta feita para um bem conhecido teu, o Belenenses. Como surgiu a oportunidade de regressar? Sentes que foi um passo em frente na tua carreira?

Miguel Rosa: Sim! Tinha de jogar na Primeira Liga, especialmente depois do que tinha feito nos anos anteriores na Segunda Liga. Era a hora certa para dar o salto para o principal escalão do futebol português.

AMBIDESTRO: No total foram 129 jogos e 21 golos ao serviço do Belenenses, num total de quatro temporadas e meia. Na despedida do clube de Belém deixaste uma carta emotiva onde afirmaste que “tudo na vida tem um limite, menos o meu amor pelo Belenenses”. O que te marcou tanto nesta passagem pelo emblema lisboeta?

Miguel Rosa: Marcou-me tudo. O clube que é fantástico, os adeptos, o estádio. Tudo ali foi perfeito.

AMBIDESTRO: Pelo meio, em 2015/16, tiveste a oportunidade de estrear em competições europeias de clubes, mais propriamente na Liga Europa. Como foi a experiência?

Miguel Rosa: Foi muito boa, foi por isso mesmo que me queria estrear na Primeira Liga, para poder jogar provas europeias e aí tive essa bela oportunidade.

AMBIDESTRO: Sendo que foi um clube que te marcou tanto e onde estiveste quatro anos e meio da tua carreira, o que levou à tua saída, em 2017/18, para o Cova da Piedade, da Segunda Liga?

Miguel Rosa: Bem, na altura não estava a jogar com a regularidade que queria, e que merecia, e decidi sair. Penso que merecia mais respeito e jogar mais por tudo o que fiz, mas o futebol tem destas coisas. No entanto, saí com muita tristeza.

AMBIDESTRO: No total, estiveste dois anos e meio – com uma interrupção de meia época no início desta temporada – no Cova. O que retens desta passagem pela Margem Sul?

Miguel Rosa: Encontrei um clube cumpridor, que nunca me faltou em nada, penso e tenho a certeza que é um clube que por ter muitas boas condições pode um dia chegar à Primeira Liga.

AMBIDESTRO: Esta época, face à pandemia que temos em mãos, foi tudo menos normal, o que levou mesmo ao cancelamento da Segunda Liga e, consequentemente, à descida de divisão do Cova da Piedade ao Campeonato de Portugal. O que pensas desta descida “na secretária”, quando ainda faltavam várias jornadas e muitos pontos por jogar da Segunda Liga?

Miguel Rosa: Foi uma decisão muito muito injusta. Não podiam fazer isso. Se a Primeira Liga regressou e são profissionais, a Segunda também devia regressar, porque também o somos. Foi muito injusto!

AMBIDESTRO: Agora, já com 31 anos, sabes o que espera a tua carreira na próxima época, visto que estás em final de contrato com o Cova da Piedade?

Miguel Rosa: Ainda acredito na permanência do Cova da Piedade nos tribunais, era o mais justo para todos.

AMBIDESTRO: Chegaste a representar as camadas jovens da seleção portuguesa – sub-17, sub-18 e sub-19 -, mas a oportunidade na seleção principal acabou por nunca chegar até ao momento. Sentes que faltou/falta isso na tua carreira?

Miguel Rosa: Poder representar a Seleção principal portuguesa era a cereja no topo do bolo na minha carreira.

AMBIDESTRO: Agora que Segunda Liga foi cancelada devido à pandemia de covid-19, como te tens mantido ativo? Tens aproveitado para dar importância à tua vida pessoal?

Miguel Rosa: Tenho treinado todos os dias, porque parar é morrer.

AMBIDESTRO: Quais os teus objetivos para a tua carreira no futuro?

Miguel Rosa: Continuar nas ligas profissionais.

AMBIDESTRO: Como te defines enquanto jogador?

Miguel Rosa: Tenho uma visão de jogo muito forte, sou um médio que faz bastantes golos, com boa meia distância, muito forte mas bolas paradas e bom tecnicamente.

AMBIDESTRO: Contas já com bastante experiência no futebol e com passagens por vários clubes, como o Benfica, Estoril, Carregado e Belenenses. Qual foi o teu melhor momento da carreira?

Miguel Rosa: Passei duas grandes épocas no Belenenses, mas sem dúvida a época em que estive no Benfica B foi a melhor da minha carreira.

AMBIDESTRO: Qual o teu maior sonho no futebol?

Miguel Rosa: Sei que neste momento é algo muito difícil, ou mesmo quase impossível, mas ainda sonho ser internacional A por Portugal. Já sou internacional pelas camadas todas jovens de Portugal e isso seria o culminar da minha carreira.

AMBIDESTRO: Que pessoa te marcou mais até agora no futebol?

Miguel Rosa: Tenho várias pessoas que me marcaram, desde colegas a treinadores.

AMBIDESTRO: Já pensas no que farás quando a tua carreira acabar ou preferes não pensar nisso?

Miguel Rosa: Não, sinceramente ainda acho que é cedo para pensar nisso.

AMBIDESTRO: Que papel tem a tua família na tua vida? São eles o teu maior apoio?

Miguel Rosa: Sim, sem dúvida, se não fossem eles não seria jogador de futebol.

AMBIDESTRO: Quem era o Miguel Rosa sem o futebol na sua vida?

Miguel Rosa: Sem o futebol na minha vida seria sem dúvida um excelente estudante, porque na altura tive de abandonar os estudos no 11º ano para me dedicar por completo ao futebol.

 

Fora das quatro linhas:
Se não fosse futebolista era… – estudante
Filme favorito – não sou uma pessoa muito de filmes, gosto mais de séries, especialmente “La casa de papel”
O que fazes nos tempos livres – fico com a minha filha e vejo televisão
Jogador que mais admiras – Lionel Messi
Treinador que mais te marcou – Renato Paiva, João Alves, Norton de Matos, José Mota e Bruno lage
Melhor jogador de sempre – Lionel Messi

 

Fontes das Imagens: Pinterest; Facebook Miguel Rosa; Os Belenenses

Francisco Carvalho

Desde tenra idade que duas paixões me cativaram, desporto e a escrita, sendo a sua união o cenário ideal. Cedo percebi que com esforço e dedicação poderia juntar uma paixão a uma profissão, sendo o jornalismo a resposta. Numa geração onde a banalização e a desvalorização da informação são recorrentes, quero mostrar a relevância do mundo jornalístico em toda esta sociedade cativante que nos rodeia.