Opinião sobre o 29º título portista

A 32° jornada da I Liga consagrou o FC Porto como campeão nacional. Os dragões apenas precisavam de um ponto, mas conseguiram vencer o Sporting por 2-0, numa partida bem disputada. Este foi um campeonato diferente, devido à pandemia, e teve um desfecho inesperado, para muitos. Ainda assim, foi premiada a equipa que conseguiu ser mais regular e que nunca deixou de acreditar que podia alcançar o sucesso.

A 8 de fevereiro deste ano, o FC Porto recebia o Benfica, que liderava a I Liga com sete pontos de vantagem. Os “azuis e brancos” haviam perdido a final da Taça da Liga duas semanas antes e vinham de um empate em Viseu para a Taça de Portugal. Muitos consideravam que a época estava perdida e que os dias de Sérgio Conceição ao leme da equipa estavam contados. Nessa partida, a turma nortenha “fez das tripas coração”, jogou com uma garra inabalável e venceu, por 3-2, um rival que tinha um plantel mais completo, apesar de também estar longe de praticar um futebol brilhante.

A partir daí, os então comandados de Bruno Lage foram deixando de ter a eficácia que os tinha caracterizado ao longo da primeira volta, em parte pelo nervosismo da progressiva aproximação dos dragões na tabela classificativa. No terceiro dia de março, os “azuis e brancos” beneficiaram de um empate caseiro do Benfica e foram aos Açores buscar a liderança, que não mais iriam perder.

As competições pararam devido ao surto de Covid-19, o que fez com que a reta final do campeonato fosse disputada no estio.

Quando a Liga Portuguesa foi retomada, os dois candidatos ao título tiveram uma enorme dificuldade de adaptação, em parte por serem os clubes que mais sentiam a falta de público nos estádios. O Porto fez apenas quatro pontos nas primeiras três partidas, enquanto o Benfica fez cinco. Ambos emblemas estavam a jogar mal, mas houve uma diferença que, no meu ponto de vista, foi crucial para a decisão da competição. No clube lisboeta, os ânimos “aqueceram” e houve uma enorme contestação à equipa. Já nos dragões, existiu uma maior compreensão com a fase difícil que a equipa ultrapassava, que resultou numa enorme união entre jogadores, equipa técnica, estrutura diretiva e adeptos.

Assim, com todos a remar para o mesmo lado, os dragões começaram, paulatinamente, a melhorar o seu futebol. Às exibições positivas, aliaram-se os bons resultados e a equipa não deixou fugir mais qualquer ponto até hoje.

Assim, o Futebol Clube do Porto caminhou para um título sofrido mas merecido, numa época em que nem sempre praticou um bom futebol, mas foi a equipa mais regular e a que sempre acreditou que podia dar a volta nos momentos mais difíceis. Um prémio justo para a resiliência de Sérgio Conceição e seus pupilos.

Para finalizar, deixo os meus parabéns a toda a estrutura portista pelo 29° título de campeões nacionais.

Fonte da imagem: FC Porto

Rui Simão da Costa

Um jovem de 24 anos, natural de Coimbra, reunindo através do jornalismo desportivo, o gosto pela escrita e pelo futebol.