Liga NOS 2019/20: Os melhores, os piores, as surpresas e as desilusões

Numa temporada atípica, recorde a classificação do campeonato e fique com uma análise da época de todos os participantes desta edição da Liga NOS 2019/20.

1º FC Porto. Os dragões voltaram a ser campeões nacionais. Comandados por Sérgio Conceição, os portistas tiveram um arranque desastrado, na primeira jornada do campeonato, perderam em casa do recém-promovido Gil Vicente, no entanto, rapidamente recuperaram e mantiveram uma sequência de 15 jogos sem perder, onde se registaram vitórias importantes fora de casa frente a águias e leões.

O Porto só voltou a perder na última jornada da primeira volta, no dragão frente ao Sporting de Braga de Rubén Amorim. Após este desaire, os dragões voltaram a registar uma boa sequência de jogos sem perder, sendo que à 23ª jornada, trocaram de posição com o Benfica e saltaram para o primeiro posto, de onde nunca mais saíram. Depois, deu-se a interrupção do campeonato devido ao COVID-19 e, quando o campeonato recomeçou, o Porto voltou a ter uma falsa partida, nova derrota fora de portas, desta vez contra o Famalicão. No entanto a história repetiu-se, após o mau começo, os dragões voltaram às vitórias e conquistaram o título, em casa, no clássico frente ao Sporting. Na última jornada, que já nada significava para os dragões, frente ao Braga, registou-se a quarta derrota do Porto no campeonato.

2º SL Benfica. Neste campeonato existiram dois tipos de Benfica. Na primeira volta, o Benfica apresentou-se dominador e demolidor, apenas registando uma derrota caseira, à terceira jornada frente ao Porto, em 18 jogos. Na segunda volta, a história mudou, o Benfica era uma equipa sem ideia de jogo e, pior, sem resultados. Da 20ª jornada à 31ª, as águias apenas venceram por três ocasiões, empataram cinco e perderam quatro. Esta má forma levou ao despedimento do treinador do 37, Bruno Lage, e fez com que o Benfica ficasse pelo caminho na luta pelo título da Liga NOS.

3º SC Braga. Mau começo dos guerreiros do Minho, com Sá Pinto, apesar das boas exibições na Liga Europa, a caminhada no campeonato não corria de feição. No fim da sexta jornada, o Braga só tinha ganho uma vez e estava na 15ª posição. A equipa continuou com vários altos e baixos e só encontrou alguma estabilidade quando chegou Rubén Amorim. Com o jovem técnico os bracarenses voltaram a lutar pelo pódio e só na última jornada, diante do Porto, os guerreiros do Minho conquistaram o tão desejado 3º lugar.

 

4º Sporting CP. Uma das desilusões do campeonato. As seis primeiras jornadas são o espelho do que foi a época leonina. No fim da terceira jornada, o Sporting estava em primeiro lugar, com um empate e duas vitórias, apesar de não mostrar um futebol por aí além, no entanto, no fim da sexta jornada, a equipa de Alvalade estava em nono lugar, após duas derrotas caseiras (contra o Rio Ave e Famalicão) e um empate. Com quatro treinadores e vários problemas internos, o Sporting nunca foi um verdadeiro candidato ao título e na 34ª jornada perdeu a última posição no pódio para o SC Braga.

5º Rio Ave FC. Uma agradável surpresa. Era um dos candidatos aos lugares europeus, por isso a surpresa não está na posição alcançada, está sim no futebol praticado. A equipa de Carlos Carvalhal e companhia tinha ideias de jogo bem definidas e surpreendeu pela constante qualidade apresentada jornada após jornada fosse quem fosse o adversário.

 

6º FC Famalicão. A grande surpresa do campeonato. Líder durante quatro jornadas (da 4ª à 7ª) o recém-promovido teve um projeto inovador em Portugal e também surpreendeu pela qualidade do futebol apresentado. A equipa de João Pedro Sousa esteve até ao último minuto da última jornada qualificada para a Liga Europa, no entanto, um golo do Marítimo aos 90+5, atirou os Famalicenses para fora das competições europeias.

7º Vitória SC. Não foi a melhor das épocas para os vimaranenses. Era esperada uma maior luta por uma posição que desse acesso à Europa, no entanto isso não aconteceu, sendo que Ivo Vieira afirmou que o principal objetivo da época, não foi cumprido. Uma classificação modesta para uma equipa que parecia prometer mais.

 

8º Moreirense FC. Mais uma época tranquila para o clube de Moreira de Cónegos. Após um surpreendente sexto lugar na temporada passada, o Moreirense volta a ficar na primeira metade da tabela. Com Ricardo Soares ao comando, a equipa era forte a defender e rápida nas transições ofensivas, conseguindo assim o seu merecido 8º lugar.

 

9º CD Santa Clara. O Santa Clara de João Henriques foi, à semelhança da temporada passada, uma das boas equipas do nosso campeonato. Com o principal objetivo (a manutenção na Primeira Liga) assegurado com tranquilidade, os açorianos, com ideias de jogo e processos bem próprios e assimilados, mostraram ser uma equipa perigosa, pronta a roubar pontos a qualquer um, como ficou visível no embate na Luz frente ao Benfica, no qual os açorianos acabaram por vencer por 3-4.

 

10º Gil Vicente FC. Outra agradável surpresa. Os gilistas, que na temporada passada militavam no terceiro escalão português, alcançaram um inesperado, mas meritório, 10º posto, com os mesmos pontos que os dois classificados acima referidos. O “mestre das subidas”, Vítor Oliveira, de 66 anos, levou a equipa de Barcelos a vencer em casa dois grandes, o Sporting e o Porto.

 

11º CS Marítimo. Época pacata dos maritimistas. Dentro do espectável, o 11º lugar era dos piores cenários. Começaram a temporada com Nuno Manta Santos e os resultados teimavam em não aparecer, apesar dos empates contra Sporting e Porto, até que na 11ª jornada, após um empate caseiro com o Portimonense, José Gomes assumiu o cargo e tirou a equipa do 16º lugar, enviando os madeirenses para um muito mais tranquilo 11º posto, onde fica na retina a vitória, na Madeira, frente ao Benfica, por duas bolas a zero, ditando assim o despedimento de Bruno Lage.

12º Boavista FC. Início de época forte dos boavisteiros, onde ocuparam por várias jornadas o 5º posto do campeonato. Contudo, um ciclo de cinco jogos, onde os axadrezados só conquistaram um ponto, fez com que os Panteras Negras andassem sempre perto do lugar onde acabaram por ficar, o 12º.

 

13º FC Paços de Ferreira. Objetivo cumprido pelos Castores. No retorno à Primeira Liga, o objetivo dos pacenses era a manutenção e foi cumprido com sucesso. Não tiveram um bom início, com apenas uma vitória nas primeiras 10 jornadas, mas depois, com Pepa, os castores deram o salto, quer na tabela quer na qualidade de jogo, e finalizaram esta edição do campeonato no confortável 13º lugar.

14º CD Tondela. Os beirões gostam mesmo de assustar os seus associados. Mais uma temporada típica do Tondela. A equipa de Natxo González não teve, de forma alguma, uma má primeira metade, chegaram até a estar na 7ª posição no fim da jornada 15, mas o que é facto é que a paragem do campeonato não lhes favoreceu, nas oito primeiras jornadas após a retoma apenas venceram uma vez e à partida para a penúltima jornada estavam em lugar de descida, no entanto, duas vitórias nos últimos dois jogos garantiram a permanência por, pelo menos, mais um ano no principal escalão do futebol português.

 

15º Belenenses SAD. Lisboetas, que contaram com três treinadores esta época, foram constantes. Raramente ocuparam posições muito altas na tabela e raramente estiveram em zona de despromoção. Não foram suficientemente fortes contra equipas superiores, mas souberam-se superiorizar em relação às equipas do “seu campeonato” o que lhes valeu o 15º lugar.

 

16º Vitória FC. Época complicada para os sadinos. Várias mudanças de treinador, o caso de Antonucci e as várias baixas no jogo em casa contra o Sporting. A primeira parte da época não estava a correr mal aos sadinos, decorria a 18ª jornada e os sadinos estavam no 8º lugar. No entanto, a segunda volta foi um autêntico pesadelo para os sadinos, em 18 jogos venceram apenas um (!), que foi o da última jornada, que lhes garantiu o último lugar acima da linha de água e a consequente permanência na Primeira Liga.

17º Portimonense SC. Acordaram tarde demais. Os alvinegros apenas mostraram as suas garras com Paulo Sérgio. Passaram grande parte do campeonato abaixo da linha de água e com várias derrotas e empates e só com o técnico português é que voltaram às vitórias; apesar da vitória na 34ª jornada, não se conseguiram manter na Primeira Liga, por um ponto. No entanto, a esperança e a luta até ao final fizeram com que os alvinegros caíssem de pé.

 

18º CD Aves. Época para esquecer dos avenses. Um verdadeiro pesadelo. Na sexta jornada caíram para o último lugar e nunca mais de lá saíram. Vários problemas com jogadores e uma luta constante com a SAD. Bateram o recorde de mais derrotas numa edição da Liga Portuguesa (27). Juntando todos estes fatores, a descida de divisão foi inevitável para os avenses.

Melhores Marcadores:

  1. Vinicius (Benfica), Pizzi (Benfica) e Taremi (Rio Ave) (18 golos)
  2. Paulinho (Braga) (17 golos)
  3. Fábio Abreu (Moreirense) (13 golos)

Líderes das Assistências:

  1. Pizzi (Benfica) (14 assistências)
  2. Corona (Porto) (11 assistências)
  3. Otávio (Porto) (9 assistências)

Melhor 11 do campeonato

Treinador: Carlos Carvalhal

 

11 surpresa do campeonato

Treinador: João Pedro Sousa

 

Fonte das imagens: Twitter da Liga Portugal e buildlineup.com

Alexandre Ribeiro

Nascido e criado na ilha Terceira, nascido e criado para o futebol. Desde cedo aprendi, vivi e vibrei com o desporto rei. A licenciar-me em Ciências da Comunicação na FCSH da Universidade Nova de Lisboa. Com o futebol e a escrita espero proporcionar um espectáculo fora das 4 linhas para todos aqueles que partilhem o gosto pela bola e pelos seus artistas.