Opinião: O melhor onze do ano da Liga Nos

Agora que a edição 2019/20 do campeonato português chegou ao fim, é possível refletir sobre quais os jogadores em maior destaque ao longo da temporada. Assim sendo, passo a apresentar o meu onze ideal da Primeira Liga.

 

Guarda redes – Odysseas Vlachodimos (SL Benfica)

O guardião esteve a um jogo de ser totalista na baliza dos encarnados, jogando 33 encontros, nos quais apenas deixou entrar 26 bolas – contribuindo para que o Benfica tivesse a segunda melhor defesa da liga – e deixando as suas redes invioláveis em 16 partidas.

Marchesín era também um forte candidato para este lugar, já que sofreu menos tentos e teve mais jogos sem sofrer golos. Contudo, as excelentes estatísticas do argentino devem-se em grande parte ao facto de ter recebido muito menos remates (somente 67) que os restantes guarda redes. Por outro lado, o grego tem a melhor percentagem de defesas da competição (aproximadamente 77%), tendo defendido 76 das 99 tentativas contra a sua baliza.

Lateral esquerdo – Alex Telles (FC Porto)

A meu ver, não há grande discussão em relação a esta posição. Uma vez mais, Alex Telles voltou a ter uma grande temporada. Foi titular indiscutível na defesa da equipa que menos golos sofreu no campeonato, figurando em 31 das 34 jornadas, (não jogou em três partidas devido a suspensões) e teve um contributo ofensivo impressionante para um lateral, apontando 11 golos (embora oito destes tenham sido de penálti) e oito assistências. Infelizmente, este poderá ter sido o último ano do brasileiro em Portugal.

Defesa central – Rúben Dias (SL Benfica)

O jovem foi o grande patrão da defesa do Benfica esta época. Rúben Dias tem-se assumido cada vez mais como um líder no balneário encarnado e uma peça chave na equipa das águias, tendo falhado apenas um jogo por castigo. Mesmo quando o seu conjunto passou pela crise de resultados, o português foi dos poucos elementos a manter um bom rendimento. Para além da segurança defensiva, o atleta apontou ainda dois golos e três assistências. O facto de ter somente 23 anos e de já se exibir a este nível poderá também significar o “adeus” ao futebol português.

Defesa central – Sebastián Coates (Sporting CP)

Na sua quinta época de leão ao peito, o atleta de 29 anos voltou a ter um bom desempenho. Embora tenha tido um início de temporada atribulado, Coates retomou a qualidade de jogo que já lhe é característica e foi dos poucos elementos de estabilidade num ano cheio de altos e baixos em Alvalade. Mesmo com as várias trocas de treinadores, o uruguaio foi sempre presença indiscutível na equipa dos leões e só não entrou em campo por motivos de lesão ou suspensão (falhou cinco jogos). O jogador ofereceu ainda um contributo ofensivo assinalável de 4 golos.

Mbemba, Pepe ou Marcano poderiam também ter facilmente entrado neste onze. No entanto, nenhum dos dragões entrou em campo mais do que 26 vezes, daí a minha escolha ter recaído no capitão verde e branco.

Lateral direito – Jesús Corona (FC Porto)

Tal como os restantes jogadores desta defesa, Jesús Corona foi utilizado pelo seu treinador sempre que foi permitido (apenas não jogou um encontro por castigo). O mexicano foi preponderante para a conquista do título azul e branco, e a sua influência na equipa é facilmente comprovada pelos quatro golos e 14 assistências apontadas. Embora não tenha figurado exclusivamente no setor defensivo, esta foi a posição na qual mais vezes alinhou e, a meu ver, na qual  mais se destacou. O versátil jogador também tem muitos interessados e só o tempo dirá se permanecerá no Dragão.

Médio Centro – Pedro Gonçalves (FC Famalicão)

Seria impossível criar um onze ideal do campeonato sem incluir pelo menos um jogador da equipa sensação do ano. Contra todas as expectativas, o Famalicão terminou a temporada em sexto lugar e uma das suas principais figuras foi Pedro Gonçalves, jovem indispensável para João Pedro Sousa, que o colocou em campo em todas as jornadas, excepto numa, por castigo. O português, que também atuou a 6 e 10, teve uma temporada notável, contabilizando cinco golos e seis assistências, números surpreendentes para um médio centro e que, alegadamente, já chamaram a atenção do Porto.

 

Médio Centro – Otávio (FC Porto)

Este ano, o brasileiro ganhou ainda mais protagonismo na equipa dos dragões, tendo sido um dos grandes obreiros do título azul e branco. Sérgio Conceição apenas prescindiu do jogador numa ocasião (falhou outros dois jogos devido a suspensões) e utilizou-o em praticamente todas as posições do meio campo. Otávio respondeu à confiança em si depositada com um excelente registo de dois golos e dez assistências e a sua típica entrega, raça (por vezes exagerada) e espírito de equipa. O atleta de 25 anos é mais um ativo do Porto cobiçado internacionalmente que poderá estar de saída.

Médio Esquerdo – Ricardo Horta (SC Braga)

Apesar da época dos arsenalistas ter ficado bastante marcada pelos vários treinadores que tiveram e, consequentemente, por instabilidade, o criativo jogador só não foi colocado em campo num encontro, facto que ilustra bem a importância do mesmo na equipa. Ricardo Horta apontou 12 golos e seis assistências, números exatemente idênticos aos de Fábio Martins, extremo famalicense que também teve uma época fenomenal. Todavia, metade dos golos do jogador do Famalicão surgiram da marca dos 11 metros e, por este motivo, optei pelo gverreiro.

 

Médio Direito – Pizzi (SL Benfica)

Embora Marcus Edwards e Francisco Trincão também tenham tido prestações de alto nível ao longo do ano, os números de Pizzi impossibilitam que qualquer outro jogador conquiste esta posição. O internacional português atuou em todas as 34 jornadas da liga, foi, a par de Corona, o jogador com mais assistências do campeonato e, mesmo sem ser avançado, foi também o melhor marcador da competição, com o mesmo número de tentos de Taremi e Vinícius. Ao todo, participou diretamente em 32 golos em 34 jogos, tendo sido, na minha opinião, o melhor jogador da época.

 

Ponta de Lança – Paulinho (SC Braga)

Tal como Ricardo Horta, Paulinho também foi frequentemente utilizado pelos diferentes técnicos minhotos, embora com menor regularidade, figurando em 29 dos 34 jogos do campeonato (teve também uma pequena lesão). Nestes, o português registou sete passes para golo e fez as redes adversárias abanar 17 vezes, tendo inclusivamente apontado um hat-trick frente ao Paços de Ferreira. Depois de ter feito duas campanhas interessantes nas temporadas anteriores, o avançado fez a melhor época da sua carreira e começam a surgir rumores da sua possível saída.

 

Ponta de Lança – Mehdi Taremi (Rio Ave FC)

O iraniano foi um dos grandes responsáveis pela espetacular temporada dos vilacondenses que registaram a mais alta pontuação da sua história e alcançaram as eliminatórias da Liga Europa ao terminarem na quinta posição do campeonato. Carlos Carvalhal utilizou o avançado sempre que pôde (falhou quatro jogos devido a um castigo e uma lesão) e este não desiludiu, apontando oito assistências e 18 golos que, como já referido, o colocaram no topo da lista de melhores marcadores (empatado com Pizzi e Vinícius). Taremi participou diretamente em 47% dos golos da sua equipa, números que não têm passado despercebidos nas direções dos Três Grandes.

Apesar de Carlos Vinícius ter participado em mais golos que Paulinho e Taremi, considerei que estes dois mereciam mais o lugar nesta equipa, dado que o brasileiro só foi titular em 19 jogos, desceu consideravelmente o seu rendimento durante a crise do Benfica e porque a dificuldade de jogo é mais reduzida ao serviço dos encarnados.

 

Fonte das Imagens: Twitter Odysseas Vlachodimos, Twitter FC Porto, Twitter SL Benfica, Twitter Sebastián Coates, Twitter Jesús Corona, Twitter Pedro Gonçalves, Twitter SC Braga, Site Oficial SL Benfica, Instagram Mehdi Taremi

Simão Vitorino

Nasci e cresci em Vila Franca de Xira e estou atualmente a tirar uma licenciatura em Ciências da Comunicação na faculdade NOVA FCSH com o objetivo de me tornar jornalista desportivo no futuro, profissão que une duas grandes paixões minhas - o futebol e a escrita.