Brandon Williams, o futuro dono da ala esquerda dos Três Leões e do Manchester United

Muito se pode dizer daquilo que foi – e está a ser, visto que ainda falta jogar o que resta da Liga Europa – a temporada do Manchester United. Aquilo que começou com uma grande instabilidade, com lesões de vários dos seus principais jogadores e até com os constantes rumores da possível saída de uma das suas maiores estrelas, Paul Pogba, tornou-se num canto de cisne.

A chegada de Bruno Fernandes em janeiro a Old Trafford mudou claramente a equipa e com isso houve vários jogadores que também eles potenciaram as suas habilidades e qualidades. O maior exemplo foi, muito provavelmente, o jovem avançado britânico Mason Greenwood, que, até ao momento, fez 17 golos em 47 jogos, na sua época de estreia na Premier League, aos 18 anos.

Contudo, o jovem avançado, não foi a única promessa a despontar esta época na equipa do Manchester United e houve um colega seu que se destacou em zonas mais defensivas do terreno: Brandon Williams.

Carreira nos red devils

Nascido na pequena localidade de Crumpsall, nas redondezas de Manchester, a 3 de setembro de 2000, e fez toda a sua formação ao serviço do United, sendo assim, autenticamente, uma prata da casa de Old Trafford.

Com o passar do tempo, foi subindo de escalão em escalão dentro da formação do United, sendo destaque por estar sempre um escalão à frente daquele que seria “suposto” em relação à sua idade.

Com apenas 18 anos, foi convocado pela primeira vez pelo técnico dos red devils, Ole Gunnar Solskjaer, para uma partida oficial, em março de 2019, e logo para aquela mítica eliminatória da Liga dos Campeões frente ao Paris Saint Germain, que a formação inglesa viria a levar a melhor com uma grande remontada. Contudo, acabou por não sair do banco nesse jogo.

Foi preciso esperar seis meses e com o início de uma nova época, 2019/20, chegou mesmo a sua oportunidade na equipa principal do Manchester United. Começou o ano na equipa sub-23, mas acabou por sair do banco numa partida da Carabao Cup, a Taça da Liga inglesa, frente ao Rochdale, que os diabos vermelhos ingleses viriam a vencer apenas nas grandes penalidades.

Uma semana depois fez a sua estreia a titular e, simultaneamente, a estreia na Liga Europa, num jogo onde o United empatou a zero com o AZ Alkmaar, da Holanda, e onde Brandon jogou os 90 minutos da partida. Começava aqui a ganhar cada vez mais pontos e espaço na equipa.

A partir daqui, a ascensão de Brandon Williams na equipa do Manchester United foi notória e nem a concorrência de Ashley Young e Luke Shaw impediram que este ganhasse o seu espaço. Aliás, o jovem lateral-esquerdo aproveitou as oportunidades que lhe foram dadas face ao que foi acontecendo aos sues colegas de posição.

Ashley Young até começou o ano como titular no United, mas a contestação foi aumentando e este mudou-se para o Inter de Milão em janeiro, onde se encontra até hoje. Já Luke Shaw teve uma época bastante irregular e marcada por várias e graves lesões, que o levaram a falhar mais de 20 jogos dos red devils.

Estas duas ausências, por motivos diferentes, fizeram com que Solskjaer fosse quase que obrigado a apostar em Brandon, que levou a que a aposta fosse tudo menos uma obrigação.

A sua estreia na Premier League surgiu logo em outubro, frente aos seus eternos rivais do Liverpool, apenas três dias depois de ter renovado o seu contrato até 2022. Já a estreia a titular no principal escalão do futebol inglês aconteceu em novembro, frente ao Brighton, surgindo mesmo face à suspensão de Young e a uma lesão de Shaw.

Desde aí, foi “sempre a somar”, como se costuma dizer e no final desse mesmo mês estreou-se a marcar com a camisola do United, num empate a três bolas frente ao Sheffield United, equipa sensação desta edição da Premier League.

Feitas as contas, Brandon Williams leva, até ao momento, tendo em conta que o United ainda se encontra na luta pela conquista da Liga Europa, 33 jogos e um golo marcado pelo seu clube de sempre, prometendo ser um caso sério na próxima época, em que se poderá afirmar definitivamente na equipa – dependendo claro na contratação de algum jogador para a posição, numa altura em que surgem rumores do interesse do Manchester em Alex Telles.

Curiosamente, esta mesma terça-feira, o lateral inglês rubricou um novo contrato com o Manchester United, que o deixa ligado ao clube de Old Trafford até 2024, com mais um ano de opção. “Assinar este contrato é mais um orgulho para mim e para a minha família. Estou no Manchester United desde os sete anos e é um verdadeiro sonho tornado realidade jogar na primeira equipa”, afirmou.

Futuro da seleção inglesa

Ao nível das seleções britânicas, Brandon Williams é, até ao momento, apenas internacional sub-20, tendo-se estreado por essa camada em agosto do ano passado, ao participar nos confrontos frente aos Países Baixos e à Suíça.

Desde aí foi chamado para outros três encontros, incluindo na vitória por 4-0 frente a Portugal, apesar de não ter jogado nesse encontro, mas o surgimento da pandemia e, consequente, cancelamento/adiamento dos compromissos de seleções acabou por abrandar o seu crescimento nas seleções inglesas.

Contudo, não será de estranhar que Brandon Williams não demore muito a chegar à seleção principal inglesa, até porque esta se tratar de uma seleção conhecida por apostar forte nos seus jovens talentos – basta ver os exemplos de Trent Alexander-Arnold, Jadon Sancho, Marcus Rashford,… – e com um selecionador, Gareth Southgate, também ele fã dessa aposta e sem medo de colocar jogadores jovens nos maiores palcos.

Como joga?

Numa entrevista concebida às plataformas oficiais do clube de Manchester, Brandon Williams descreveu-se enquanto atleta, descrevendo a forma como, na sua opinião, o lateral moderno deve atuar: “Penso que o lateral moderno é, igualmente, um atacante. Gosto de atacar. Gosto de defender. Gosto de percorrer o corredor para cima e para baixo“.

A verdade é que não há melhor descrição para a forma de jogar de Brandon. Falamos de um lateral-esquerdo que se integra muito bem na manobra ofensiva da equipa, o que o leva mesmo a ocupar posições mais adiantadas no corredor se necessário.

Apesar de ser na esquerda que fez grande parte da sua ainda jovem carreira, tem a peculiaridade de jogar com o pé direito, podendo jogar assim nas duas laterais e sendo essa característica muito útil para cortar para o meio e rematar quando se encontra já perto da área adversária, até porque, mesmo sendo defesa, o golo não lhe é nada estranho.

É um jogador muito ágil e com pulmão, o que lhe permite ser um autêntico “vaivém” ao longo da partida. O “lateral moderno”, como o próprio referiu e o futuro da ala esquerda do Manchester United e da seleção inglesa, os Três Leões.

 

Fonte da Imagem: Twitter Statman Dave

Francisco Carvalho

Desde tenra idade que duas paixões me cativaram, desporto e a escrita, sendo a sua união o cenário ideal. Cedo percebi que com esforço e dedicação poderia juntar uma paixão a uma profissão, sendo o jornalismo a resposta. Numa geração onde a banalização e a desvalorização da informação são recorrentes, quero mostrar a relevância do mundo jornalístico em toda esta sociedade cativante que nos rodeia.