Opinião: A “final eight” da Champions. Um modelo a repetir?

A pandemia da Covid-19 veio alterar temporariamente (espero!) toda a nossa forma de viver. O futebol não foi exceção e, assim, a Liga dos Campeões vai ser decidida numa final a oito na cidade de Lisboa, entre 12 e 23 de agosto.

Confesso que, em março, quando as competições desportivas de quase todo o mundo pararam devido à pandemia, pensei que a temporada 2019/2020 estava finalizada. Felizmente para mim e para todos os outros amantes do desporto-rei, estava enganado.

Com o novo coronavírus, os governantes necessitaram de implementar um conjunto de normas restritivas às quais nos tivemos de habituar rapidamente. Essas regras são na sua maioria chatas e todos ansiamos para que apareça uma solução milagrosa para este vírus, que diminua a sua letalidade, alivie os profissionais de saúde e que nos devolva as nossas vidas na sua plenitude.

Penso que todos os leitores concordarão que é aborrecido termos de passar o verão num põe-máscara-tira-máscara constante, que a vida noturna termine à hora a que estaria normalmente a começar e que haja limite de público nos variados eventos culturais, incluindo o futebol, cuja barreira de espectadores está fixada no zero. Esta última determinação dói especialmente a todos aqueles que, tal como eu, vibram com os eventos da “redondinha”.

Contudo, o SARS-CoV-2 também nos obrigou a novos costumes que, na minha ótica, são positivos e deveriam ser mantidos para a posteridade. Tenho apreciado bastante o facto poder estar numa fila de supermercado sem ser abalroado por dezenas de pessoas ávidas de consumo que suspeitam que o atendimento será mais rápido caso se situem mais perto do vizinho da frente e respirem com mais intensidade para cima do mesmo. Deste modo, acho que o distanciamento nas filas em geral deveria ser mantido. Já futebolisticamente falando, uma das grandes inovações que este maldoso vírus trouxe foi, a meu ver, a existência de uma final eight da prova milionária.

Desde há vários anos que o formato da maior e mais mediática prova de clubes do mundo tem sido questionado, levando até alguns dos emblemas mais ricos do Velho Continente a “ameaçarem” a UEFA com a criação de uma Superliga Europeia que rivalizasse com a tão aclamada Champions. Assim, penso que este ano deveria ser considerado como um teste e um possível ano zero para uma Liga dos Campeões renovada.

A partir de agora jogar-se-ia uma fase de grupos tal como a habitual e de seguida disputar-se-ia uma eliminatória a duas mãos que serviria para apurar as oito formações finalistas. A meados de maio, estes últimos viajariam para um determinado país e lá discutiriam o campeão europeu dessa temporada.

Este modelo concentraria o espetáculo em duas semanas e tornaria mais vulgar o sucesso dos “outsiders”. É certo que haveria menos jogos nos “quartos” e nas “meias”, mas penso que a Liga dos Campeões ficaria a ganhar, pois nada bate um verdadeiro “mata-mata”.

 

Fonte da imagem: Facebook UEFA Champions League

Rui Simão da Costa

Um jovem de 24 anos, natural de Coimbra, reunindo através do jornalismo desportivo, o gosto pela escrita e pelo futebol.