A Histórica Taça do Vitória SC

No “Históricos” desta semana, recuamos até 26 de maio de 2013, dia no qual o Vitória SC conquistou a sua primeira e, até agora, única Taça de Portugal.

A final da edição 2012/13 da Prova Rainha do futebol português colocou frente a frente o Vitória SC e o SL Benfica. No caminho até ao derradeiro embate, os vimaranenses deixaram para trás Vilaverdense, Setúbal, Marítimo, Braga e Belenenses. Já os lisboetas haviam eliminado Freamunde, Moreirense, Aves, Académica e Paços de Ferreira.

No onze inicial, Rui Vitória, então treinador do emblema de Guimarães que viria mais tarde a orientar os encarnados, colocou Douglas entre os postes, Addy, Paulo Oliveira, El Adoua e Kanú no quarteto defensivo, Leonel Olímpio, André André e Tiago Rodrigues no centro do terreno, Ricardo Pereira e Soudani nas alas e Amido Baldé como ponta de lança.

Já os titulares de Jorge Jesus, na altura, na sua primeira passagem pelo Benfica, foram Artur Moraes na baliza, André Almeida, Luisão, Garay e Maxi Pereira no setor mais recuado, Enzo Pérez e Matic no miolo do campo, Gaitán e Salvio nos flancos e Cardozo e Lima na dupla de ataque.

As águias, claramente favoritas a conquistar o troféu, entraram melhor na partida, criando duas boas oportunidades para inaugurar o marcador logo nos primeiros 15 minutos de jogo: Salvio cobrou um canto pela direita e, em resposta ao mesmo, Garay obrigou Douglas a enorme defesa; na área, Cardozo trabalhou sobre Addy até ganhar espaço, mas o remate saiu frouxo e o brasileiro agarrou com tranquilidade.

O ritmo de jogo acabou por abrandar e só se voltou a verificar uma chance digna de registo ao minuto 29. Num contra ataque após canto do Benfica, cinco camisolas brancas partiram em velocidade para cima de apenas duas unidades encarnadas, tendo o lance sido concluído num cara a cara entre Artur e Addy, com este último a enviar a bola à malha lateral. Oportunidade clamorosa desperdiçada.

Logo na jogada seguinte, os lisboetas chegaram à vantagem. Num momento insólito, Kanu tentou aliviar as sobras de um ataque adversário, mas a bola embateu em Gaitán, invertendo a trajetória da mesma, que acabou por fazer as redes abanar.

 

Até ao final da primeira metade, o único destaque foi para um excelente entendimento coletivo do Benfica, com Salvio a tabelar com Maxi Pereira que, por sua vez, passou para Lima, tendo o brasileiro rematado por cima da barra.

Foi, assim, um primeiro tempo marcado por pouca aproximação às balizas de parte a parte, já que existiram escassas chances de golo. Ainda assim, os encarnados foram superiores aos vimaranenses e, por isso, apesar de a terem conseguido através de um lance fortuito, mereciam a vantagem.

No entanto, embora a quantidade de oportunidades tenha sido baixa na primeira parte, a segunda foi ainda pior, tendo-se assistido a um autêntico deserto ofensivo durante grande parte dos segundos 45 minutos. Contudo, ainda que tenha sido muito mais enfadonha, a segunda metade trouxe com ela maior equilíbrio para o jogo, com o Vitória a atacar mais.  Desde o intervalo até aos últimos dez minutos do encontro, apenas Tiago Rodrigues chegou a ameaçar os oponentes através de uma tentativa facilmente segurada por Artur.

Após ter colocado Marco Matias em campo aos 64 minutos para o lugar de Kanú, Rui Vitória fez outra substituição ofensiva no minuto 77 ao trocar Leonel Olímpio por Crivellaro.

Esta acabou por ser uma cartada de mestre visto que, apenas dois minutos depois da sua entrada, Crivellaro recebeu uma bola mal aliviada por Artur e, com um belo passe a rasgar a defesa, isolou Soudani, que desviou a bola do alcance do guarda redes das águias e empatou a partida.

No minuto 81, ou seja, dois minutos depois do segundo golo da partida, Ricardo Pereira completou a reviravolta. Numa grande jogada individual, o português pegou no esférico no meio campo, tirou dois adversários do caminho e, de pé esquerdo, rematou ainda de fora da área para o fundo da baliza. Todavia, à semelhança do que havia acontecido no golo de Soudani, Artur ficou muito mal na fotografia.

Até ao final do encontro, Jorge Jesus ainda lançou Rodrigo e Aimar no jogo e colocou Luisão a ponta de lança. Porém, nem assim o Benfica conseguiu criar perigo e o marcador não mais se alterou.

Em suma, apesar do domínio lisboeta na primeira parte, de não ter feito uma grande exibição nem de ter criado um número elevado de ameaças à baliza oponente, o Vitória soube aproveitar os erros cometidos pelo adversário para dar a volta ao marcador e garantir o triunfo.

Frustrado com o facto de ter sido substituído aos 70 minutos, mas também com o desfecho catastrófico da temporada do Benfica que, em poucas semanas, deixou escapar o Campeonato, a Liga Europa e a Taça de Portugal, Cardozo perdeu a cabeça e protagonizou uma enorme polémica nos instantes que se seguiram ao apito final quando confrontou e empurrou o seu próprio treinador.

Do outro lado, a festa era imensa e inédita. Após cinco finais perdidas nesta competição, o Vitória SC tornava-se, finalmente, detentor da Taça de Portugal, sendo este apenas o segundo título nacional da história do clube da Cidade Berço, que havia conquistado uma Supertaça nos finais dos anos 80.

 

Fonte das Imagens: Site Oficial Vitória SC, Twitter SLB Vintage

Simão Vitorino

Nasci e cresci em Vila Franca de Xira e estou atualmente a tirar uma licenciatura em Ciências da Comunicação na faculdade NOVA FCSH com o objetivo de me tornar jornalista desportivo no futuro, profissão que une duas grandes paixões minhas - o futebol e a escrita.