Nem à terceira foi de vez: Benfica perde final da UEFA Youth League frente ao Real Madrid

O Real Madrid bateu esta terça-feira à tarde o Benfica na final da UEFA Youth League por 3-2. O avançado das jovens águias Gonçalo Ramos ainda marcou dois golos na segunda parte e Tiago Dantas falhou uma grande penalidade, mas os encarnados perderam mesmo a sua terceira final da competição.

Benfica e Real Madrid entravam em campo, em Nyon, na Suíça, em busca de decidir quem venceria a final da sétima edição da UEFA Youth League, conhecida como a Liga dos Campeões dos mais jovens. Quantos às águias, esta era já a sua terceira final, apesar de nunca vencido a competição.

O treinador da equipa sub-19 encarnada, Luís Castro, optou por ir a jogo com vários jogadores habitualmente utilizados na equipa sub-23 e B das águias, conferindo assim aos encarnados uma maior experiência e até qualidade. Kokubo; Filipe Cruz, Morato, Tomás Araújo, João Ferreira; Henrique Jocu, Henrique Araújo, Tiago Dantas; Umaro Embaló, Tiago Araújo e Gonçalo Ramos foram os eleitos.

Já a equipa espanhola, comandada pela antiga lenda do clube Raúl Gonzalez, alinhou com Luis López; Santos, Ramon, Chust, Gutiérrez; Blanco, Arribas, Morante; Park, Carlos Dotor e Rodríguez.

A primeira grande ocasião de golo surgiu logo ao nono minuto. O lateral-direito do Real Madrid Santos subiu pelo terreno ultrapassando alguns jogadores encarnados e já perto da grande área tocou para o avançado Rodríguez, que, na cara do golo, viu Felipe Cruz a fazer um corte in extremis.

Depois deste primeiro aviso, o Benfica controlou a posse de bola, mas foram mesmo os madrileños a chegar ao golo. Santos aproveitou a distração benfiquista para fazer um lançamento de linha lateral rapidamente e a equipa espanhola cruzou para o coração da área, onde apareceu Pablo Rodríguez a superiorizar-se nas alturas à defensiva encarnada e a bater Kokubo para fazer o 1-0 aos 26 minutos.

O lance foi mesmo destrutivo para o próprio Pablo Rodríguez, que após um embate aéreo ficou bastante mal tratado e teve que sair à passagem da primeira meia hora, dando lugar a Jordi.

Até ao final da primeira parte o jogo manteve-se equilibrado e houve uma escassez de oportunidades claras do jogo. No entanto, o Real Madrid chegou ao golo com alguma sorte à istura. Num lance de contra-ataque, Arribas subiu no terreno e já dentro da área cruzou rasteiro. Henrique Jocu fes um carrinho para cortar o cruzamento e acabou a enganar Kokubo, fazendo um auto-golo que dava o 2-0 ao Real Madrid aos 44 minutos.

Findados os primeiros 45 minutos o Benfica tinha bastante a melhorar. Apesar de até ter dito bastante posse de bola, as jovens águias não tiveram qualquer oportunidade de golo e mostravam estar a jogar contra uma equipa bastante mais matura.

Depois de uma primeira parte de frca qualidade da parte das águias, os jovens encarnados entraram com a corda toda. Logo ao minuto 48, Umaro Embaló cruzou rasteiro na direita e no coração da área surgiu Henrique Araújo a rematar para a defesa de Luis Lopez. Na recarga Gonçalo Ramos não perdoou e reduziu para 2-1.

O Real Madrid respondeu da melhor forma possível e logo no minuto a seguir voltou a marcar. Depois de uma má leitura da parte de Kokubo, o lateral esquerdo espanhol Gutiérrez surgiu dentro da área e rematou sem hipóteses para o jovem guardião nipónico, fazendo o 3-1.

A segunda parte trouxe um jogo bastante mais partido, com o Benfica a correr mais riscos e melhor na ligação entre setores, muito devido às entradas de Ronaldo Camara e de Rafael Brito para o meio-campo.

O jogo estava quente e foram precisos apenas mais oito minutos para haver novo golo. Aos 56 minutos Tiago Araújo bateu o canto do lado direito do ataque do Benfica e nas alturas apareceu novamente Gonçalo Ramos para, de cabeça, fazer o 3-2. A partida estava novamente relançada com meia hora por jogar.

Por esta altura ambas as equipas já demonstravam um elevado desgaste, com vários atletas a serem obrigados a serem assistidos e até mesmo a saírem. Do lado do Benfica, Embaló teve que sair e do lado do Real saiu Gutiérrez. O facto de ambas as equipas terem feito vários jogos nos últimos dias – este foi o terceiro jogo das águias em sete dias e o quarto dos espanhóis em nove dias.

O Benfica estava agora claramente por cima na partida e ao minuto 67 o juiz da partida marcou grande penalidade a favor das águias por falta sob Henrique Araújo. Chamado a bater foi o capitão Tiago Dantas, mas o guardião do Real Madrid levou a melhor e defendeu o penalti.

Apenas dois minutos depois a bola embateu na mão de um defesa do Real Madrid dentro da área dos espanhóis, mas o árbitro nada assinalou. Há que relembrar que nesta competição não há VAR para auxiliar a equipa de arbitragem

Depois deste grande susto e de algumas substituições forçadas, a jovem equipa espanhola mudou completamente o seu estilo de jogo e identidade, baixando toda a sua equipa atrás da linha de bola e procurando apenas atacar através de contra-ataques rápidos. Os madridistas mostravam no último quarto de hora estar com bastantes dificuldades em circular a bola e a grande pressão exercida pelo Benfica estava a dificultar o processo de construção espanhol.

Apesar da insistência dos jovens jogadores do Benfica, e dos sete minutos de compensação atribuídos pela equipa de arbitragem, o Real Madrid aguentou a pressão encarnada e soube ser inteligente, por vezes através de perdas de tempo, e sofrer, mesmo com o remate de Henrique Araújo enviado à barra aos 90+4. Os jovens galácticos venceram assim a sétima edição da UEFA Youth League, a primeira da sua história.

 

Fonte da imagem: Twitter UEFA Youth League

Francisco Carvalho

Desde tenra idade que duas paixões me cativaram, desporto e a escrita, sendo a sua união o cenário ideal. Cedo percebi que com esforço e dedicação poderia juntar uma paixão a uma profissão, sendo o jornalismo a resposta. Numa geração onde a banalização e a desvalorização da informação são recorrentes, quero mostrar a relevância do mundo jornalístico em toda esta sociedade cativante que nos rodeia.