Históricos: A primeira final da Taça de Portugal

Na temporada de 1938/39, a Federação que tutela o futebol nacional decidiu substituir o Campeonato de Portugal por uma nova competição, a Taça. A primeira edição contou com a participação de 15 clubes e teve como finalistas a Académica e o Benfica. O encontro decorreu nas Salésias, em Lisboa, e a e a formação de Coimbra venceu por 4-3, arrecadando assim o troféu. 

Foi numa tarde de verão, a 25 de junho de 1939, que o troféu da Taça de Portugal foi erguido pela primeira vez. A expectativa era enorme, havia muita gente a assistir ao jogo, sendo que dificilmente algum dos presentes calculava que aquele fosse o pontapé de saída para um torneio quase secular.

As equipas perfilavam-se e aplaudiam os adeptos que respondiam com gestos de grande entusiasmo e apoio aos seus jogadores. Ambiente de jogo grande, entre dois emblemas que tinham feito uma grande época. A Académica havia eliminado o Sporting da Covilhã, o Académico e o Sporting. Já o Benfica tinha vencido o Luso Beja, o Nacional e o FC Porto.

Por volta das 18h15, o árbitro setubalense António Palhinhas iniciou o duelo e não foi preciso esperar muito para assistir ao promeiro golo da tarde: Rogério respondeu com sucesso a um cruzamento de Valadas e adiantou as “águias” no marcador.

A Briosa não desistiu e chegou ao empate aos 37 minutos, depois de um grande remate de Manuel da Costa. O encontro chegou ao intervalo com um 1-1 que tinha tanto de inesperado como de sugestivo.

Os artistas regressaram ao relvado e, 40 segundos depois, a equipa conimbricense voltou a marcar, através de Gomes. Os milhares de adeptos que viajaram de Coimbra festejaram efusivamente e começaram a acreditar que o troféu podia ir para o Mondego.

Aos 60′, na sequência de um canto, o Benfica fez o 2-2, novamente através de Rogério. A alegria encarnada durou pouco tempo. Dois minutos depois, um enorme erro da defensiva lisboeta permitiu a Carneiro ficar isolado à frente da baliza, encostando para o 3-2.

A quinze minutos do final, Brito isolou-se em frente a Tibério, colocando a bola fora do alcance do guardião academista, igualando novamente a partida.

Aos 80′, Alberto Carneiro aproveita uma defesa incompleta do guarda-redes benfiquista e faz o 4-3.

Até ao final do encontro, as “águias” tentaram chegar ao empate, mas sem sucesso.

A Briosa era a grande vencedora da primeira edição da prova rainha do futebol português. Os seus aficionados festejaram muito… e fizeram bem, pois a Académica teria de esperar 73 anos para voltar a ganhar esta competição.

Esta conquista ficou imortalizada sob a forma de um troféu de grandes dimensões que viajou para Coimbra e é o único original da Taça de Portugal.

Fonte da imagem: Facebook Académica de Coimbra/OAF

Rui Simão da Costa

Um jovem de 24 anos, natural de Coimbra, reunindo através do jornalismo desportivo, o gosto pela escrita e pelo futebol.