Liga NOS 2020/21: bons indícios ou fogo de vista?

O mercado de verão de 2020, por culpa da pandemia, está a ser atípico em muitos aspetos. Já houve “novelas” para todos os gostos, desde jogadores a preço de saldo, a contratações inesperadas. Até o Messi esteve com um pé fora do Barcelona! Ainda assim, apesar das muitas dificuldades que a Covid-19 veio trazer aos clubes, parece que em Portugal a Liga se avizinha mais interessante e competitiva que nunca, fruto de muitas aquisições entusiasmantes… ou será apenas “fogo de vista”?

Ao nível dos “três grandes” (e prognósticos à parte) os factos mostram que, tirando o Benfica, tem havido duas tendências comuns nesta janela de transferências: poucas saídas de peso e uma clara aposta quer na formação, quer no mercado nacional.

No caso do FC Porto, não só não houve qualquer saída de maior (além da de Fábio Silva), como todas as entradas (tirando Evanilson) foram oriundas de outros clubes da Liga NOS (Zaidu, Cláudio Ramos, Carraça e Taremi). O Sporting, por sua vez, conseguiu segurar os “indispensáveis” do plantel e ainda fez chegar a Alvalade Nuno Santos e Pedro Gonçalves, já para não falar na “fornada” de jovens “made in Alcochete” com que Rúben Amorim tem vindo a contar desde o final da época transata.

Acima de tudo, no entanto, o que tem deixado os adeptos portugueses entusiasmados nem foi tanto as mexidas nos chamados “grandes”, mas sim as surpresas que têm surgido em alguns outros emblemas.

O caso mais “gritante” é, talvez, o SC Braga. Com a chegada de Carlos Carvalhal, após notas muito positivas deixadas em Vila do Conde, o plantel bracarense não tem deixado de surpreender neste mercado. Apesar das saídas de Trincão (há muito confirmada) e de Wilson Eduardo, os arsenalistas garantiram, entre outras, as chegadas de Abel Ruiz (por empréstimo do Barcelona), Schettine, Iuri Medeiros e… Nico Gaitán. Com estes nomes a somar ao talento já existente no plantel, poderá este ser o Braga mais forte dos últimos anos?

No que toca a surpresas, surge também o Boavista FC. Recentemente comprado pelos mesmos donos do Lille OSC. Os axadrezados têm operado uma autêntica revolução no plantel, livrando-se de alguns veteranos (Mateus, Edu Machado e Idris) e fazendo chegar muita juventude (incluindo o treinador), sobretudo jovens atletas do emblema francês. As duas “bombas”, no entanto, vieram a custo zero. Javi Garcia e Adil Rami chegam ao Bessa para trazer experiência à tenra idade do novo balneário. Estaremos a assistir ao regresso do “Boavistão” do início dos anos 2000?

Outro clube muito ativo no mercado tem sido o SC Farense. Recém chegados à Liga NOS, fizeram um esforço (bem conseguido) por manter as principais peças do xadrez que obrou a subida de divisão, enquanto trataram, também, de arrumar a casa. As novas caras, por sua vez, têm feito correr tinta, com as chegadas, a custo zero, de César Martins, Cláudio Falcão e Rafael Defendi, e ainda as mudanças a título definitivo de Stojiljković, Madi Queta, Alex Pinto e Pedro Henrique. Os leões de Faro, capitaneados pelo “mini Messi”, Ryan Gauld, subiram e parecem vir para ficar.

Podia continuar a descrever o mercado de cada clube ao detalhe, desde os reforços do Famalicão à chegada de Ricardo Quaresma a Guimarães. O que é facto é que, este ano, a tendência tem passado pela manutenção das peças chave dos planteis, juntamente com algumas aquisições de peso e ainda muitas (mas muitas) jovens promessas. Somando isto a alguma apatia no que toca a grandes contratações por parte do campeão nacional, parecem estar reunidos todos os ingredientes para uma Liga muito interessante do ponto de vista competitivo, como há muito não se via no nosso futebol.

Será todo este entusiasmo justificado, ou acabaremos a “ver navios”, como se costuma dizer? Uma coisa é certa: a bola não tarda a rolar e há muito mercado pela frente, pelo que sobra ainda margem para mais umas quantas surpresas. Veremos o que nos reserva a Liga NOS 2020/21.

 

Imagem: Boavista Futebol Clube (Facebook)

Duarte Rosa

"Alfacinha" de gema, sportinguista de coração. Desde o clube à seleção nacional, o amor pela bola está presente desde cedo. A licenciar-se em Ciências da Comunicação, na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, esta paixão pela escrita e pelo futebol forma uma dupla interessante, que espera vir a agradar aos seus leitores.