Chelsea vs Barcelona (2009): arbitragem polémica e Baby Boom causado por Iniesta

No “Históricos” desta semana, recordamos a segunda mão das meias-finais da Liga dos Campeões da época 2008/09, que ficou marcada por decisões de arbitragem muito controversas e por um final emocionante.

No dia 6 de maio de 2009, o Chelsea recebeu o Barcelona em Stamford Bridge. No caminho até esta fase, os blues qualificaram-se em segundo lugar num grupo constituído por CFR Cluj, Bordéus e Roma e eliminaram Juventus e Liverpool. Já os catalães lideraram o grupo onde também constavam Basileia, Shakhtar Donetsk e Sporting e deixaram para trás Lyon e Bayern de Munique. A primeira mão, em Camp Nou, terminou sem golos e deixou tudo em aberto para o segundo jogo.

Para este encontro, Guus Hiddink entregou a titularidade a Petr Cech entre os postes, Ashley Cole, John Terry, Alex e Bosingwa no quarteto defensivo, Essien, Ballack, Malouda e Lampard no meio campo e Anelka e Drogba no setor ofensivo.

Do outro lado, Pep Guardiola apostou em Valdés na baliza, Abidal, Yaya Touré, Piqué e Dani Alves na linha defensiva, Busquets, Xavi e Keita no centro do terreno e Iniesta, Eto’o e Messi na frente de ataque.

A partida não podia ter começado melhor para a equipa da casa. Logo aos oito minutos, Michael Essien aproveitou as sobras de um lance de ataque de Lampard para, em vólei e ainda distante da grande área, disparar um autêntico míssil ao ângulo da baliza de Valdés, tendo o esférico embatido na trave antes de fazer as redes abanar.

A polémica começou no minuto 24. A partir do flanco esquerdo, Malouda fintou Dani Alves, mas foi agarrado pelo brasileiro no limite da grande área. A falta é indiscutível, porém fica a dúvida se esta foi dentro ou fora da área. O juiz norueguês Tom Henning Øvrebø optou por assinalar livre e, na cobrança, Drogba só não festejou porque o guardião adversário fez uma enorme defesa com o joelho. No canto que se seguiu John Terry cabeceou a bola ligeiramente ao lado do alvo.

Dois minutos depois, servido por Lampard, o ponta de lança costa-marfinense surgiu isolado na área e foi derrubado por Abidal. Penalti claríssimo por assinalar e, segundo as regras de então, cartão vermelho por mostrar ao lateral francês.

Até ao final da primeira parte, não ocorreu mais nenhuma ocasião digna de registo. Apesar do domínio da posse de bola, os espanhóis tiveram muitas dificuldades em entrar no último terço do terreno e os únicos remates efetuados foram de meia distância através de Dani Alves (21) e Xavi (45+3), ambos ao lado da baliza. Já os ingleses, apostando no contra ataque, chegaram mais vezes à área adversária e criaram mais perigo.

No segundo tempo, pouco ou nada mudou, ou seja, registou-se superioridade do Barcelona no controlo da bola, mas mais chances de golo para o Chelsea.

À passagem do 52º minuto, Drogba desperdiçou uma oportunidade clamorosa. Assistido por Anelka, o avançado tirou Piqué do caminho e ficou cara a cara com Valdés, que conseguiu evitar o golo com uma boa mancha. Na conclusão da jogada, Malouda enviou a bola à malha lateral.

No minuto 66, Abidal, que deveria ter sido expulso na primeira parte, acabou mesmo por ver a cartolina vermelha numa decisão discutível. O defesa disputou um lance à entrada da área com Anelka, que corria isolado na direção da baliza, e o avançado acabou no chão. No entanto, não parece haver contacto entre os dois gauleses.

A nove minutos do fim do tempo regulamentar, novo caso escandaloso na área blaugrana. Anelka recebeu a bola e, para ultrapassar Piqué, que estava na grande área, tentou picá-la de forma a contornar o mesmo, acabando por embater no braço do central espanhol.

Após sentirem injustiça pelas decisões de Øvrebø, os adeptos londrinos sentiram também injustiça pelo resultado no marcador. Aos 93 minutos, Messi descobriu Iniesta no semicírculo e, com um notável remate com o exterior do pé, o médio repôs a igualdade no marcador, garantindo a passagem do Barcelona à final da liga milionária.

Todavia, o encontro não acabou sem antes se verificar mais um lance passível de castigo máximo a favor dos pupilos de Guus Hiddink. Na sequência de um canto, Ballack viu o seu remate ser bloqueado pelo braço/axila de Eto’o. Embora pudesse ter sido assinalado penalti, a decisão do árbitro é aceitável.

O jogo terminou 1-1, resultado que não refletiu os acontecimentos do jogo dado que, à semelhança do que havia acontecido no primeiro tempo, os visitantes estiveram quase sempre distantes das redes de Petr Cech – Messi (65), Dani Alves (78) e Piqué (80) tentaram de longe sem grande perigo – e marcaram no único remate à baliza efetuado durante todo o jogo.

Os jogadores e adeptos do Chelsea ficaram de cabeça perdida. Ainda no decorrer do jogo e após o caso de Eto’o, Ballack protestou efusivamente e chegou a entrar em contacto físico com o árbitro. Já Drogba, depois de também ele confrontar o norueguês, gritou para as câmaras televisivas “It’s a disgrace” (É uma desgraça). Anos mais tarde em entrevista ao jornal Marca, Øvrebø revelou: “Lembro-me que tivemos de mudar de hotel, havia muita gente hostil contra nós. Tivemos de ter cuidado nesse dia e no seguinte.”

O juiz, que arbitrou os seus últimos jogos na Liga dos Campeões na temporada seguinte, admitiu também: “Não me orgulho, de todo. Não foi o meu melhor dia, na verdade. Mas são erros que um árbitro pode cometer e por vezes um jogador e um treinador também comete. É possível não estar ao nível que se quer e não posso estar orgulhoso daquele dia. Faz parte da minha carreira.”

Na outra face da moeda estavam os adeptos dos blaugrana, em êxtase com a vitória conseguida nos minutos finais a jogar com apenas dez homens. Esta euforia manifestou-se também nas maternidades de Barcelona. De acordo com um estudo do British Medical Journal, em fevereiro de 2010, ou seja, 40 semanas após este encontro, a taxa de natalidade subiu em 16% na Catalunha e em março, mês no qual ainda poderiam ter acontecido nascimentos fruto desta vitória, houve 11% a mais do que o habitual.

 

Fonte das Imagens: Twitter @EsporteDinamico, Twitter @FootballRemind, Twitter @rafaelreis14, Twitter @thatpunkdudge e Twitter @Football__Tweet

Simão Vitorino

Nasci e cresci em Vila Franca de Xira e estou atualmente a tirar uma licenciatura em Ciências da Comunicação na faculdade NOVA FCSH com o objetivo de me tornar jornalista desportivo no futuro, profissão que une duas grandes paixões minhas - o futebol e a escrita.