Salah, Willian, James Rodríguez… e todos os destaques da primeira jornada da Premier League

A liga mais competitiva do mundo voltou. Será a melhor? É sempre uma questão subjetiva. Mas é na Premier League onde encontram-se os jogadores e os treinadores mais valiosos do mundo, onde não há campeão garantido e onde nenhum resultado é certo até ao apito final. A temporada passada foi de domínio do Liverpool, assegurando o título a sete jornadas do fim. Visto que falamos da melhor liga do mundo, é percetível a qualidade apresentada pela equipa de Jurgen Klopp, que venceu um título ansiado há 30 anos.

Mas, no futebol, o passado não vale troféus. A primeira jornada da Premier League teve direito a um pouco de tudo, desde um hat-trick de Salah, passando por uma estreia de sonho de Willian no Arsenal, até a diferentes sortes para os treinadores portugueses. Só não teve direito foi a adeptos nas bancadas, nem terá tão cedo.

Os recordes de Salah, um Arsenal promissor e uns “Wolves” que já não surpreendem

A figura da jornada é, indubitavelmente, Mohamed Salah. O egípcio começou a nova época da melhor forma, marcando na quarta jornada inaugural consecutiva, frente ao Leeds United, num jogo ganho por 4-3. A estatística que diz que o egípcio marca 0.63 golos por jogo na Premier League, média superior à de Alan Shearer, Wayne Rooney, van Persie, Vardy, Owen, Andy Cole ou Drogba, o que mostra bem a acutilância de “Mo”.

A exibição do campeão não foi, contudo, brilhante. Deixou-se empatar por três vezes pelo recém-promovido e campeão da segunda divisão inglesa Leeds United, com Van Djik a oferecer o segundo golo. Na mesma, o Liverpool atingiu o registo histórico de 60 jogos consecutivos sem perder em Anfield Road.

O primeiro encontro foi em Craven Cottage, casa do londrino Fulham, que recebeu os vizinhos do Arsenal. Duas equipas a níveis diferentes, mas assistimos a uma forte declaração de intenções do Arsenal, depois de um parco oitavo lugar na liga. Contudo, esta é a mesma equipa que ganhou a FA Cup e a Community Shield, já com Arteta no comando.

O pupilo de Pep Guardiola teve a sua primeira pré-época e vimos já um grande entendimento entre o tridente Aubameyang-Lacazette-Willian, com o último em evidência na estreia. Duas assistências, uma bola ao poste, batedor de bolas paradas e um relançar da carreira depois de sete anos no Chelsea. Uma nota ainda para o defesa-central Gabriel Magalhães, ex-Lille, que marcou na estreia pelo Arsenal. Já o Fulham, que pouco contratou neste defeso, depois da subida de divisão nos play-offs, tem muito trabalho pela frente.

Quanto à equipa mais portuguesa de Inglaterra, apetece dizer, numa expressão bem lusa, que “vira o disco e toca o mesmo”. No bom sentido, claro. O Wolverhampton Wanderers ultrapassou o Sheffield United sem grandes aflições, seguros a defender e incisivos nas transições ofensivas e nas bolas paradas. As peças da época passada são quase as mesmas, havendo mudanças apenas nas laterais. Marçal estreou-se na esquerda e Adama Traoré, não lhe faltando pulmão, fez o corredor direito.

Esta equipa defrontou uma das recentes sensações da liga inglesa, o histórico Sheffield United, que também pouco mudou durante o verão. Um início de rompante, com golos aos 3 e 6 minutos, deixou o Sheffield sem fôlego para desfeitear a turma de Nuno Espírito Santo. Daniel Podence e Raúl Jimenez estiveram particularmente inspirados.

Jogos menos entusiasmantes, recordes negativos do West Ham e o brilho de uma nova estrela: James Rodríguez

Duelo entre duas equipas semelhantes nas aspirações e na experiência dos seus treinadores – Everton e Tottenham Hotspurs. Duas equipas que lutaram bastante na época passada, que mudaram de equipa técnica a meio da competição e que procuram “a fresh start” na Premier. Carlo Ancelotti levou a melhor sobre José Mourinho, com um único golo de bola parada, de Calvert-Lewin, explorando a mesma fragilidade que os spurs apresentavam na temporada transata.

Destacou-se a equipa mais ambiciosa no mercado, com James Rodríguez a deslumbrar como “enganche”. Allan e Doucouré vieram dar, também, outra dimensão ao meio-campo do Everton. O Tottenham, que até dispôs de duas grandes oportunidades de golo, jogou o mesmo futebol cauteloso que caracteriza as equipas de Mourinho. Esta será, com certeza, uma época determinante para o técnico português e um “tira-teimas” de uma carreira que está em declínio há alguns anos.

O Chelsea é a equipa a acompanhar nesta época. Por uma razão muito simples: investiram mais de 200 milhões de euros neste defeso, em contratações sonantes como Thiago Silva, Kai Havertz, Timo Werner, Hakim Zyich ou Ben Chilwell. Curiosamente, estreou-se apenas a dupla alemã de ataque, visto que os restantes estão lesionados. Ainda que a exibição frente ao modesto Brighton Hove and Albion não tenha sido a melhor, a prata da casa mostrou serviço e o conjunto de Lampard arrancou uma vitória por 3-1, com golos de Jorginho, Reece James e Kurt Zouma. É cedo para tecer considerações acerca desta potencial “super-equipa”, porém, a principal questão ao longo da época é se Frank Lampard é o homem certo para alcançar maiores voos.

Se há uma equipa que demora “a carburar” é o West Ham United. Perderam por 0-2 com o Newcastle, batendo o recorde negativo de cinco derrotas consecutivas em jornadas inaugurais da Premier League. Ainda que tenham atingido o poste duas vezes, eram batidos muito facilmente nas transições, pois a condição física dos jogadores orientados por David Moyes não parecia a ideal. Importa aqui referir que muitos destes jogadores dos hammers já parecem ter ultrapassado a melhor fase da carreira (Mark Noble, Michail Antonio, Ogbonna, Fabianski ou Yarmolenko) adivinhando-se mais uma época difícil para os londrinos.

Já o Newcastle continua à espera dos milhões vindos da Arábia Saudita e não foi ainda nesta janela de transferências que vimos grandes nomes a adotar as listras pretas e brancas. Mesmo assim, os estreantes Callum Wilson, ex-Bournemouth, e Jeff Hendrick, ex-Burnley, mostraram serviço ao marcarem os dois golos do encontro.

O West Bromwich Albion, que tem em Matheus Pereira, ex-sportinguista, uma das suas principais referências, não conseguiu desfeitear o Leicester City, uma das melhores equipas da Premier League na época passada. Os recém-promovidos utilizaram um sistema tático com três centrais, curiosamente o mesmo número de golos que sofreram. A segunda parte da turma de Brendan Rodgers foi decisiva, forçando erros à defensiva do WBA que resultaram no golo de Castagne e no bis de Vardy, que converteu duas grandes penalidades. Ricardo Pereira não jogou. De referir que os dois emblemas tiveram em comum uma abordagem muito curta ao mercado: o WBA gastou apenas 3,5 milhões de euros e o Leicester 24, apenas em Timothy Castagne.

O encontro entre Crystal Palace e Southampton foi dos menos entusiasmantes. Os “Saints” foram a equipa com maior percentagem de posse de bola nesta primeira jornada, com uns impressionantes 71%. O Crystal Palace não se importou com isso, até porque marcaram num contra-ataque bem desenhado entre Andros Townsend e Wilfried Zaha, marcador do único golo do jogo. O extremo até marcou outro golo, que foi anulado por fora-de-jogo. Não menos importante foi o desempenho de Vicente Guaita, guarda-redes do Crystal Palace, que negou dois golos cantados a Che Adams e Walker-Peters.

Os dois grandes de Manchester viram os seus jogos adiados por motivos semelhantes. United e City só começa a jogar na segunda jornada devido às campanhas tardias nas competições europeias. Os encontros entre Burnley e Manchester United e Manchester City e Aston Villa ficam para outra altura.

Foto: Fantasy Premier League

 

 

David Silva

Contar a minha história é falar de futebol. Primeiro, a paixão. Depois, a prática. Em seguida, uma deslocação de 71km entre a Lourinhã e a NOVA/FCSH, onde concluí o curso de Ciências da Comunicação, em 2019. Pelo meio, nove meses de estágio memoráveis no Canal 11, na Cidade do Futebol. E por fim, a paixão. Sempre.