Benfica inaugura Liga NOS com uma mão cheia de golos

A resposta do Benfica à eliminação da Liga dos Campeões não se fez esperar. Uma águia de orgulho ferido rapinou uma goleada ao Famalicão, por 5-1, embora esta já não pareça a equipa sensação da temporada passada. Os reforços mostraram o caminho: Waldschmidt bisou, Everton marcou e assistiu, Darwin bisou nas assistências. Grimaldo marcou um golaço de livre direto e Rafa Silva festejou pela segunda vez em dois jogos.

Correu tudo bem ao Benfica na primeira parte. Tal como no encontro milionário com o PAOK, a equipa de Jorge Jesus apresentou-se bastante bem no primeiro tempo. A única diferença é que, contra o Famalicão, o Benfica conseguiu marcar, ainda por cima por três vezes, e sacudir a pressão.

Nota artística e os reforços a serem isso mesmo – reforços

O primeiro período deixou a ideia de que este Famalicão não é o mesmo do ano transato. A equipa sensação de João Pedro Sousa continua com os seus princípios definidos (saída curta a partir do guarda-redes, construção pelo chão e criatividade nos corredores) mas a saída de elementos tão importantes como Fábio Martins, Diogo Gonçalves, Uros Racic, Alex Centelles ou Rafael Defendi deixou moça na qualidade do coletivo.

O carrossel de oportunidades encarnadas começou aos seis minutos, com Darwin Nuñez, estreante a titular, a cabecear fraco para fora, após um livre lateral de Taarabt. Luca Waldschmidt, outro estreante no onze, deixou água na boca com uma iniciativa individual dois minutos depois, acabando com um remate às malhas laterais da baliza de Zlobin (sim, o russo está emprestado ao Famalicão). Este lance foi presságio do primeiro golo do campeonato: Darwin Nuñez ganhou um ressalto e serviu como pôde Luca, que encarou Zlobin e aplicou-lhe um “chapéu” exemplar. 1-0 aos 18 minutos.

O Famalicão respondeu no minuto seguinte, na melhor oportunidade da equipa caseira durante a primeira parte. Guga rematou de primeira à entrada da área, de forma excelente, obrigando Odysseas a desviar com a ponta dos dedos. Mas a confiança pendia para o lado do Benfica e Everton assinou o segundo golo da noite, aos 20 minutos de jogo. Outro reforço a marcar, depois de Luca. Aqui, uma variação de Gabriel e um cruzamento oportuno de André Almeida tiveram particular importância, facilitando o remate cruzado de Everton “Cebolinha”. O espaço deixado pelo lado esquerdo da defesa famalicense era evidente e Luca só não marcou por azar noutro cruzamento, desta vez de Rafa Silva.

O jogo abrandou, mas ainda houve tempo para um terceiro golo, num livre direto exemplar de Alex Grimaldo. Taarabt “sacou” a falta e o espanhol desfeiteou o ex-colega Zlobin em estilo, aos 41′. Veio o intervalo e vieram mudanças na equipa do Famalicão, com a entrada de Patrick William e Ibrahim.

Segunda parte, o fantasma de Salónica

Na antevisão ao jogo, Jorge Jesus disse que o Benfica não podia repetir a abismal diferença de rendimento da primeira para a segunda parte do jogo contra o PAOK. Neste encontro, tal não veio a repetir-se, pois cinco minutos após o reinício da partida, Rafa Silva viria a dilatar a vantagem benfiquista. Everton penetrou bem na área contrária, combinou com Rafa Silva, com a defesa famalicense muito passiva, e o extremo atirou de pé esquerdo para as redes.

O Benfica não se ficou por aí. Em apenas quatro ou cinco toques, Luca Waldschmidt e Darwin Nuñez levaram a bola desde linha do meio-campo até à pequena área. Se JJ havia-se queixado da falta de um avançado que explore as costas da defesa contrária, Darwin mostrou ser capaz de fazê-lo, recebendo na quina da área e oferecendo de bandeja o bis a Luca, aos 65 minutos. Grande corrida do alemão. Talvez deslumbrada pela “manita”, a equipa do Benfica sofreu logo no minuto seguinte, depois de um bom trabalho individual de Lameiras sobre Grimaldo, descobrindo Guga solto na área. Já não é a primeira vez que o médio marca à equipa que o formou.

A 15 minutos do fim, com a vitória no bolso, JJ deu minutos a Nuno Tavares, Vinícius, Weigl e Diogo Gonçalves, ele que até capitaneou o Famalicão na época passada. Até final, destaque para mais uma grande jogada de Diogo Lameiras, o melhor do “Fama”, a ultrapassar Nuno Tavares e a atirar ao poste.

O Benfica inaugurou a edição 2020/21 da Liga NOS com uma mão cheia de golos, depois de uma tragédia grega. Se Jorge Jesus quer uma equipa a jogar o triplo do ano passado, a verdade é que a exibição foi digna de elevada “nota artística”. Em termos de golos, pode dizer-se que a equipa marcou… o quíntuplo do último jogo.

foto: twitter oficial Benfica

 

 

David Silva

Contar a minha história é falar de futebol. Primeiro, a paixão. Depois, a prática. Em seguida, uma deslocação de 71km entre a Lourinhã e a NOVA/FCSH, onde concluí o curso de Ciências da Comunicação, em 2019. Pelo meio, nove meses de estágio memoráveis no Canal 11, na Cidade do Futebol. E por fim, a paixão. Sempre.