Lembra-se de…Vítor Damas, o “Eusébio das Balizas”?

Um dos melhores guarda redes de sempre no futebol português, para muitos o melhor. Numa altura em que o “Pantera Negra” brilhava no Benfica, surgia outro “Eusébio”, mas entre os postes, e parecia ser o único capaz de travar o avançado moçambicano. Lembra-se de Vítor Damas, o “Eusébio das balizas”?

O ano era 1947 e a 8 de outubro, em Lisboa, nascia Vítor Manuel Afonso Damas de Oliveira. Como bom “alfacinha” que era, rapidamente tomou o gosto pelo futebol, ingressando na formação do Sporting Clube de Portugal, o seu clube do coração, e logo começou a demonstrar aptidão para a baliza. Terminou a formação no emblema de Alvalade, o mesmo pelo qual se estreou como sénior, em 1966, numa partida diante do FC Porto (2-2 foi o resultado).

A titularidade chegaria na época de 1968/69, e foi então que Damas se começou a assumir como uma das maiores figuras na história dos verdes e brancos. Seguiram-se outras sete épocas de leão ao peito, ao longo das quais se exibiu ao mais alto nível, com defesas e intervenções soberbas e muito características suas, algo nunca antes visto no futebol português, ao ponto de Carlos Pinhão, jornalista da época, lhe atribuir o título de “Eusébio do Sporting”. A própria “Pantera Negra” admitiu nunca ter visto nenhum guarda redes como Vítor Damas, o que só veio trazer mais significado ao estatuto.

Em 1976/77, o guardião mudar-se-ia para Espanha, onde representou o Real Racing Club de Santander. Foram quatro as temporadas em que jogou pelos “Montañeses”, seguindo-se um regresso a Portugal, desta vez para o Vitória SC, onde ajudou os minhotos a alcançar um prestigiado 4º lugar, em 1981/82. Após dois anos em Guimarães, Damas rumaria ao sul do país, para assinar pelo Portimonense SC, permanecendo outras duas temporadas no clube algarvio.

O ano de 1984 marcou o regresso a casa, vestindo de novo as cores do Sporting, onde jogou outras cinco temporadas antes de se retirar em definitivo dos relvados, em 1989. Tornou-se numa figura incontornável dos leões, desde já por ser o terceiro atleta com mais partidas pelo clube (444), apenas atrás de Hilário e do seu colega de posição, Rui Patrício.

O seu registo ao nível da seleção nacional não é menos impressionante. Desta vez lado a lado com Eusébio, Damas contou 28 internacionalizações por Portugal, entre as quais dois jogos no Mundial de 1986, no México. No que diz respeito ao palmarés, por sua vez, o guardião contou duas Ligas Portuguesas, três Taças de Portugal e uma Supertaça Cândido de Oliveira, somando-se ainda um Campeonato Nacional de Juniores A pelo Sporting.

Após a reforma, Damas ainda foi a tempo de se aventurar como treinador. Chegou mesmo a assumir o comando da equipa principal leonina, ainda que apenas em cinco partidas (três em 1988/89 e duas no ano seguinte), acabando por se cimentar como treinador de guarda redes do clube, entre 1990 e 1999. A última aventura do mister Damas foi ao comando da equipa B, na época 2000/01.

Uma das maiores lendas do Sporting e do futebol português, mas que acabaria por nos deixar cedo, falecendo a 13 de setembro de 2003, vítima de um cancro que há muito se prolongava. Ainda assim, Vítor Damas permanece até hoje como um símbolo do desporto nacional.

 

Imagens: Sporting Clube de Portugal (Facebook)

 

Duarte Rosa

"Alfacinha" de gema, sportinguista de coração. Desde o clube à seleção nacional, o amor pela bola está presente desde cedo. A licenciar-se em Ciências da Comunicação, na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, esta paixão pela escrita e pelo futebol forma uma dupla interessante, que espera vir a agradar aos seus leitores.