A nova Pantera que só tem olhos para o topo

A janela de transferências em Portugal ainda está a uma semana de terminar, no entanto, o verão de 2020 ficou marcado pela chegada de nomes sonantes que, em condições normais, não seriam apontados a equipas do campeonato português.

Ao contrário do que é habitual, um dos clubes mais ativos no mercado não foi nenhum dos habituais representantes lusos nas últimas edições das competições europeias. O Boavista, recentemente adquirido pelo dono do LOSC Lille, Gérard López, beneficiou de um poder de compra em nada semelhante às épocas anteriores para uma profunda remodelação do seu plantel.

Vasco Seabra foi a primeira cara apresentada no Bessa, tendo sucedido a Daniel Ramos no comando dos axadrezados após uma época de grande sucesso em que conduziu o Mafra à sua melhor classificação de sempre na 2ª Liga. Após a chegada do jovem treinador de 37 anos, foram vários os nomes que deram entrada no clube portuense.

A primeira grande surpresa foi a apresentação de Angel Gomes como o primeiro reforço boavisteiro da época. O ex-Manchester United, internacional sub-21 pela Inglaterra assinou a custo zero pelo Lille e foi imediatamente emprestado ao Boavista por uma época, tendo todas as condições para ser uma das grandes revelações da presente edição da Liga NOS.

As despedidas de Ricardo Costa, que deixou os relvados e assumiu o cargo de diretor desportivo e ainda do capitão Idris, Carraça e Mateus, figuras preponderantes das últimas épocas da Pantera, marcaram o fim de um ciclo e abriram espaço para a entrada de novas armas na preparação da nova época desportiva.

No mês de Agosto assistiu-se a uma autêntica avalanche de caras novas no Estádio do Bessa, desde nomes bem conhecidos pelos adeptos portugueses, tais como: o ex-Benfica Javi García; o campeão do Mundo pela França, Adil Rami; Léo Jardim, que representou as cores do Rio Ave na época 2018-2019; o central Chidozie, emprestado pelo FC Porto e Show, ex- B- SAD. Também vários nomes internacionais por países do continente americano decidiram juntar-se ao novo projeto liderado por Luís Campos, diretor desportivo do Lille, entre os quais os hondurenhos Jorge “El Toro” Benguché e Alberth Elis; o jovem central mexicano Jesús Gómez; o lateral americano Reggie Cannon e o colombiano Seba Pérez.

Assiste-se a um início de um novo ciclo no Boavista, uma nova etapa que visa aliar a irreverência e talento de jovens promessas com a experiência de veteranos que contam com vários anos de competição ao mais alto nível europeu. As esperanças dos adeptos boavisteiros apontam para o retorno ao topo do futebol português, com o período do “Boavistão” do início do anos 2000 ainda bem fresco nas suas memórias. O FC Famalicão demonstrou na época passada que a luta pela Europa poderá ser um objetivo realista para a turma de Vasco Seabra. Resta saber o quão alto estará a nova Pantera disposta a sonhar.

Fonte da imagem de capa: Twitter @boavistaoficial

Alexandre Dionisio

Desde pequeno fui levado ao mundo do futebol, inicialmente enquanto júnior no Ginásio Clube de Alcobaça, clube da minha cidade, e agora mais velho enquanto espetador assíduo do mágico desporto que tanto nos emociona. Com uma licenciatura em Ciências da Comunicação na bagagem e um mestrado em Jornalismo em curso, acompanho cada jogo com a máxima emoção. Que isso nunca mude.