Históricos: Benfica vs Chelsea, a “maldita” cabeçada de Ivanovic

No dia 15 de maio de 2013, decorreu, em Amesterdão, mais uma edição da final da Liga Europa. Desta feita, o jogo foi entre Benfica e Chelsea. O Benfica jogava a sua nona final europeia, tendo ganho duas das últimas oito finais que jogou. Essas vitórias aconteceram precisamente na era de Eusébio, onde as águias venceram o Barcelona em 60/61 e o Real Madrid em 61/62.

Ora, é um cliché falar de Bela Guttmann quando o assunto são finais europeias. O ex-treinador do Benfica, precisamente o responsável pelas duas conquistas europeias dos encarnados, lançou uma maldição aquando da sua conturbada saída do clube: o Benfica jamais venceria uma final europeia outra vez. A verdade é que, oito finais europeias após a sua saída, o Benfica continuava sem conseguir conquistar nada na Europa, e esta era mais uma oportunidade, depois de uma derrota amarga em 89/90 na final da Taça dos Campeões Europeus contra o AC Milan. Foi um afastamento de mais de 20 anos de finais europeias. Havia uma ansiedade generalizada nos benfiquistas, uma oportunidade de quebrar a maldição de Guttmann face a um poderoso Chelsea que tinha vencido a Liga dos Campeões em 11/12.

A primeira parte do jogo foi marcada por um nulo no marcador. Estava um jogo bastante equilibrado, com algumas chances para ambos os lados. O Amsterdam Arena estava repleto de benfiquistas, emigrantes ou viajantes, e o ambiente era fantástico, com cânticos e saltos de ambos os lados.

Aos 60 minutos, Fernando Torres livrou-se da marcação de Luisão e fintou Artur, fazendo assim o primeiro golo da partida. Um balde de água fria para o Benfica, que tinha entrado bastante bem no segundo tempo. Aos 68 minutos, Cardozo tentou um passe alto a isolar Lima, que foi intercetado por Cesar Azpilicueta. Logo após a interseção, seguiram-se acesos protestos e o árbitro pouco ou nada hesitou: penálti para o Benfica por mão do espanhol. Quem mais para marcar para além de Óscar “Tacuara” Cardozo; o paraguaio fuzilou a baliza, atirando para o meio com uma potência incrível. Estava feito o empate, 1-1.

O jogo continuou equilibrado até ao fatídico momento. Toda a gente sabe do que eu me estou a referir, e só de pensar no lance dá uma “dorzinha”, tal como a qualquer benfiquista. Minuto 93, já no final dos descontos, há um canto do lado direito do campo. Juan Mata cruza bastante picado para o segundo poste, onde aparece Branislav Ivanovic a cabecear sem qualquer hipótese para Artur Moraes. Euforia azul, desolação encarnada. Estava feito o 2-1 final, o Chelsea sagrava-se campeão da Liga Europa. O Benfica perdia mais uma final e a maldição do “maldito” húngaro parecia ser inquebrável.

E as tristezas europeias não ficaram por aqui. O Benfica perderia outra final da Liga Europa, precisamente no ano seguinte, desta feita frente ao Sevilha, depois de o jogo ter ficado marcado pelo polémico posicionamento de Beto, guarda-redes do Sevilha, no desempate por grandes penalidades. A verdade é que são nove (!) finais europeias perdidas de forma consecutiva. Quem sabe quando Guttmann vai “perdoar” o clube que outrora levara à glória europeia…

Fonte da imagem de capa: sportslens.com