Históricos: O dia em que um menino deu um campeonato do mundo ao seu país

Na rubrica “Históricos” desta semana iremos recordar os nossos leitores o Mundial de 2014. Para Portugal a viagem ao Brasil foi curta, mas não deixou de ser um bom campeonato do mundo. Recorda-se da final que meteu frente a frente Alemanha e Argentina? 

Não foi há muito tempo que as seleções estiveram em ação e, por isso, achei por bem escrever sobre esta edição do campeonato do mundo. A verdade é que para Portugal o campeonato do mundo de 2014 não foi muito famoso (a seleção das quinas não passou da fase de grupos ficando atrás dos Estados Unidos da América e da Alemanha), mas também é verdade que qualquer adepto de futebol adora qualquer que seja a competição de seleções, onde não há clubes e somos todos um só.

Nesta edição do campeonato do mundo, a Alemanha estava a fazer um trajeto incrível. Até chegar à final passou em primeiro lugar do seu grupo; eliminou a Argélia nos oitavos de final por 2-1 no prolongamento (jogo mais difícil no seu percurso); eliminou a grande França por 1-0 nos quartos; e por fim, eliminou o anfitrião do campeonato, Brasil, num massacre por 7-1. Já a Argentina, apesar de ter um percurso mais fácil até chegar à final, o seu caminho não foi muito facilitado. A seleção sul-americana passou também em primeiro do seu grupo (ganhou todos os jogos pela margem mínima), e pelo caminho eliminou a Suiça, por 1-0, a Bélgica, também por 1-0, e a Holanda, nas grandes penalidades.

Apesar dos dois caminhos bem diferentes, eram duas seleções candidatas a vencer o campeonato do mundo e qualquer uma delas tinha capacidade para tal.

O estádio que acolheu a final foi o Maracanã, que recebeu pela segunda vez uma final de um campeonato do mundo, e estava cheio. Estava tudo a postos e Nicola Rizzoli, árbitro italiano, dava o apito de pontapé de saída. A Alemanha deu o primeiro toque na bola e começou o jogo.

Logo aos três minutos, Higuaín ameaçou a baliza de Manuel Neuer com um remate cruzado, mas o guardião alemão controlou a situação. Depois disto, Messi, o jogador em que toda a gente tinha os olhos, tentava desequilibrar, mas a equipa não dava muito apoio. A Argentina estava completamente por cima, e por volta dos 10 minutos, Higuaín teve uma das melhores, senão a melhor, oportunidade de golo. Depois de um mau alívio por parte da Alemanha, Higuaín aproveitou o facto de ter ficado mais atrás e ficou frente a frente com Neuer. No entanto, o remate foi completamente ao lado.

A Alemanha começou a subir no terreno, mas a Argentina adiantou-se no marcador. Aos 30 minutos, Higuaín que tinha falhado um golo claro, compensou e marcou depois de um cruzamento. No entanto, o golo foi anulado por fora de jogo. Aos 36 minutos, finalmente surgiu uma grande oportunidade para a seleção alemã. Muller deixa a bola para Andre Schurrle, que tinha entrado devido a lesão de Kramer, e de primeira o alemão remata para uma grande defesa de Romero. A Alemanha crescia e crescia, de tal modo que nos instantes finais da primeira parte quase apareceu o primeiro golo. Depois de um cruzamento de Kroos, Howedes cabeceou ao poste e por sorte a bola não entrou. Depois deste lance o árbitro mandou as duas equipas para os balneários.

As equipas refrescaram e voltaram ao campo. Foi a Argentina a criar, de novo, o primeiro perigo na segunda metade. Messi recebe a bola e dentro de área quase fez o 1-0 através de um remate cruzado também. Neuer não tinha qualquer hipótese. Aos 58 minutos, Klose tentou cabecear para o fundo das redes, mas saiu fraco e fácil para Romero. Aos 73 minutos, Messi, o jogador mais perigoso da Argentina, com uma jogada individual tentou fazer o 1-0, mas o remate saiu ao lado. Aos 81, Kroos teve grande oportunidade de fora de área, mas o remate saiu fraco. Mesmo a acabar o jogo entrou Götze, para ver se era ele que tinha a estrelinha da sorte. O jogo terminou empatado e seguiu para prolongamento.

Começa o prolongamento e os dois jogadores que tinham saído do banco da Alemanha, Gotze e Schurrle, combinaram e quase fizeram o primeiro golo. Contudo, o remate de Schurrle foi fraco. Logo a seguir foi Palacio, que também tinha saído do banco, que recebeu uma bola perfeita, mas decidiu mal. Acabou a primeira parte do prolongamento e o marcador continuava a assinalar 0-0. Começava a segunda parte e o cansaço já se começava a notar de ambas as partes. Começaram a surgir muitas faltas e o futebol já não era o mesmo.

Até que a estrelinha da sorte tinha mesmo entrado em campo. Aos 112 minutos, o menino de 22 anos, Mario Götze, fez um grande trabalho e marcou o 1-0. Andre Schurrle arrancou pela linha, cruzou, e Mario Gotze dominou, e com toda a classe do mundo fez o primeiro e único golo da partida.

E assim se fez história. Götze, com apenas 22 anos, deu à Alemanha um campeonato do mundo. Sem dúvida que é algo que nunca sairá da memória do jogador, agora no PSV, e que os alemães estarão sempre gratos. Facto interessante é que os dois jogadores que mudaram o jogo vieram do banco, mostrando que aquela ideia de que existem jogadores que só se libertam se vierem do banco é “verdade”, pelo menos neste caso.

Fonte das imagens: goal.com, maisfutebol.iol, brasil.elpais.com

 

João Marques

Nasci nos Açores, mais propriamente na Ilha Terceira. Actualmente estou a estudar Ciências da Comunicação na NOVA FCSH. O desporto nasceu comigo e a paixão pelas letras já vem desde tenra idade.