Lembra-se de Óscar “Tacuara” Cardozo, o homem-bomba das águias?

Esta semana visitamos um passado não muito distante, com Jorge Jesus ainda na sua primeira passagem pelo Benfica. Havia apenas um homem em que o técnico acreditava que, a qualquer momento, poderia soltar uma autêntica bomba do seu pé esquerdo que não daria qualquer chance de defesa ao guarda-redes adversário. O seu nome… Óscar Cardozo.

O paraguaio iniciou o seu percurso profissional na segunda divisão do seu país, a qual venceu com o Nacional no longínquo ano de 2004, com 21 anos. Passou mais dois anos e meio no seu país natal, com a primeira metade da época 2005/2006 a despertar a atenção dos argentinos do Newell’s Old Boys, após um jovem Cardozo apontar 17 golos em 20 jogos na principal divisão paraguaia. Na Argentina pegou logo de estaca, registando um total de 21 tentos em 38 partidas disputadas no Newell´s. Após ter sido nomeado o jogador paraguaio do ano em 2006, a mudança para a Europa estava iminente, com Cardozo a despertar o interesse de vários clubes do Velho Continente.

Quis o destino que fosse o Benfica a, no verão de 2007, conseguir a aquisição do avançado, por pouco mais de 11 milhões de euros, uma quantia que, na altura, foi a terceira contratação mais cara da história do clube. Haviam, portanto, elevadas expetativas quanto ao rendimento de Cardozo, que haveriam de ser cumpridas e de que maneira…

Fonte da imagem: serbenfiquista.com

A sua chegada ao aeroporto, com um ar confiante, era um prenúncio do que estaria para vir. O Tacuara vinha para “rebentar com tudo” no campeonato português, e ao longo das sete épocas que se seguiram na Luz, foi isso mesmo que conseguiu fazer. O técnico dos benfiquistas na altura da sua contratação era um tal de Fernando Santos, técnico que, apesar de mais tarde ter orientado uma certa equipa ao maior momento da história do seu país, em 2007 não teve vida fácil na Luz. As época 2007/2008 e 2008/2009 (esta com Quique Flores ao leme do Benfica) foram ambas de grande desilusão, com os encarnados a acabarem respetivamente em quarto e terceiro lugar no campeonato. O avançado ainda assim, marcou um total de 39 golos em 80 jogos ao longo das duas épocas, um registo decente para um jogador que não era titular indiscutível e que ainda se estaria a habituar ao futebol europeu, mais tático e rigoroso que o praticado na Argentina e Paraguai.

A chegada de Jorge Jesus à Luz em 2009 veio, porém, mudar tudo. A época em questão foi de muito melhor memória para as águias, com o Benfica a sagrar-se campeão nacional após cinco anos de domínio do FC Porto. Na Liga Europa, os encarnados chegaram aos quartos de final da prova, sendo eliminados em Anfield pelo Liverpool (4-1), após uma vitória da turma de Jesus por duas bolas a uma no Estádio da Luz. O Tacuara foi dos jogadores que mais beneficiou com a chegada do técnico vindo do SC Braga, tendo sido o melhor marcador do campeonato, com 26 golos e melhor marcador da Liga Europa (em igualdade com Claudio Pizarro, do Werden Bremen), com nove golos apontados. Nos dois jogos frente ao Liverpool, foi a grande cara da garra benfiquista, ao apontar os três golos do Benfica no total (dois na Luz e outro em Inglaterra).

Fonte da imagem: zimbio.com

Na época seguinte, apesar do vice-campeonato, o grande destaque benfiquista foi a chegada às meias-finais da Liga Europa, nas quais o Braga eliminou os encarnados devido a um golo apontado fora de casa, com o Benfica a sair derrotado da Pedreira por um a zero após ter vencido na Luz por duas bolas a uma. Tacuara mais uma vez teve contributo direto nos esforços encarnados, marcando um golo no primeiro jogo frente aos arsenalistas. A época 2011/2012 foi marcada pela ausência de títulos, apesar de o Benfica ter efetuado um bom percurso na Champions League, onde apenas foi eliminado nos quartos de final pelo Chelsea. Cardozo, ainda assim, continuou a ser o goleador máximo de Jesus, terminando a época no topo da lista de melhores marcadores, junto de Lima (na altura ainda em Braga), ambos com 20 tentos assinalados.

Em 2012/13, o Benfica esteve a uma unha negra de conquistar um título internacional, nomeadamente a Liga Europa, caindo na final frente ao Chelsea numa derrota por duas bolas a uma, com um golo de cabeça de Branislav Ivanovic aos 90+3´ a ser o derradeiro momento que acabou com o sonho encarnado. Cardozo foi, mais uma vez, uma das grandes caras dessa caminhada que quase acabou em glória, com dois golos decisivos frente aos turcos do Fenerbahçe nas meias-finais e ainda um, de penálti, no jogo que terminaria de forma desoladora para as águias.

Fonte da imagem: zimbio.com

O ano seguinte traria mais um desgosto para os adeptos benfiquistas. Num ano em que a equipa de Jesus “limpou” tudo a nível interno (campeonato, Taça de Portugal e Taça da Liga), os encarnados voltariam a sair derrotados de uma final da Liga Europa, desta vez frente ao Sevilha nas grandes penalidades, com Cardozo inclusive a ser um dos jogadores que não conseguiram bater Beto da marca dos onze metros. Esta época seria a última do Tacuara de águia ao peito, com o avançado a apresentar dificuldades em lutar por um lugar no onze perante a qualidade e química apresentada pela dupla Lima e Rodrigo.

Sete anos depois, o nono melhor marcador da história do Benfica (e jogador estrangeiro com mais golos de sempre pelas águias) abandonou a Luz após 172 golos assinalados. Levou consigo a conquista de dois campeonatos, uma Taça de Portugal e ainda cinco Taças da Liga, tendo-se estabelecido como um autêntico ídolo dos encarnados.

Após uma aventura de dois anos no Trabzonspor da Turquia e ainda uma curta passagem pelo Olympiacos, Óscar Cardozo decidiu voltar ao Paraguai, uma década depois da sua saída, para assinar pelo Libertad, clube que ainda representa até aos dias de hoje, com 37 anos. O avançado representou ainda a sua seleção nacional por 55 ocasiões, com 12 golos apontados, marcando presença no Campeonato do Mundo de 2010 na África do Sul e nas edições de 2007 e 2019 da Copa América.

Um puro “9”, que apesar de estar longe de ser um primor técnico, detinha a mestria da habilidade mais valorizada do mundo do futebol… a capacidade, pois claro, de pôr a bola dentro das redes adversárias. O seu pé esquerdo parecia que era feito de chumbo, tal era a potência dos seus remates, autênticas bombas que não furavam as redes da baliza por pouco. Os seus 193 centímetros, aliados a uma excelente técnica de cabeceamento e poderio físico, faziam com que, em qualquer lance de bola parada, este fosse um perigo certo para a baliza do adversário. É este o perfil de um dos avançados mais prolíficos da história do Benfica, Óscar “Tacuara” Cardozo.

Fonte da imagem de capa: hugogil.pt

Alexandre Dionisio

Desde pequeno fui levado ao mundo do futebol, inicialmente enquanto júnior no Ginásio Clube de Alcobaça, clube da minha cidade, e agora mais velho enquanto espetador assíduo do mágico desporto que tanto nos emociona. Com uma licenciatura em Ciências da Comunicação na bagagem e um mestrado em Jornalismo em curso, acompanho cada jogo com a máxima emoção. Que isso nunca mude.