Benfica vergado no Bessa perante uma exibição de luxo da Pantera

O Estádio do Bessa recebeu o Benfica numa partida que fechou a sexta jornada da Liga NOS. O Boavista goleou as águias por três a zero após uma grande exibição frente a uma equipa encarnada que nunca conseguiu discutir o resultado ao longo dos noventa minutos. A Pantera somou desta forma a primeira vitória na Liga NOS, enquanto que o Benfica permitiu que o Sporting ficasse isolado no primeiro lugar da classificação.

Jorge Jesus levou a jogo a sua típica formação em 4-4-2 com Vlachodimos na baliza, Otamendi e Vertonghen no centro da defesa, Gilberto e Nuno Tavares nas alas, Gabriel e Taarabt no meio campo, Pizzi e Everton a extremos e a dupla de Waldschmidt e Darwin no ataque.

Vasco Seabra alinhou uma formação em 3-5-2 com Léo Jardim na baliza, Chidozie, Cristian Castro e Ricardo Mangas na defesa, Hamache e Reggie Cannon nas alas, Show, Miguel Reisinho e Paulinho no meio campo e Angel Gomes e Alberth Elis como homens mais avançados.

Antes da partida começar fez-se um minuto de silêncio em memória de Mário Dias, ex-vice presidente do Benfica que morreu nesta segunda-feira. Após o apito inicial, foi o Boavista a dispôr da primeira ocasião de perigo, com Cannon a chutar para as malhas laterais da baliza dos encarnados.

O Benfica respondeu pouco tempo depois, com Everton a descobrir Darwin a partir do meio campo. O avançado não desperdiçou a oportunidade, chutando um remate de forma colocada que ainda bateu no poste esquerdo da baliza e entrou. O lance, no entanto, foi anulado pelo VAR após o uruguaio ter partido de posição irregular. Aos 17´, Hamache fez um passe rasteiro a partir da ala em direção a Angel Gomes, que partiu para cima da defesa encarnada e foi rasteirado por Everton, levando a que fosse assinalado o castigo máximo para águias. Foi o próprio internacional sub-21 por Inglaterra que assumiu a cobrança do penáti, batendo Vlachodimos a partir da marca dos onze metros.

Fonte da imagem: Twitter @ligaportugal

Na passagem da meia hora, um passe errado de Gabriel na direção de Hamache levou a uma nova investida do francês que requisitou novamente Angel Gomes, que voltou a ameaçar a baliza dos encarnados, obrigando Vlachodimos a uma defesa apertada. O Benfica via-se em posição delicada perante um Boavista que exercia uma forte pressão na sua linha defensiva e dispunha ainda de uma exibição de grande nível da dupla do flanco esquerdo, Hamache e Angel Gomes, com maior destaque para o inglês, que estava completamente “endiabrado” e a ser motivo de pesadelos para Gilberto. Léo Jardim não se livrou, ainda assim, de ver os seus reflexos serem testados aos 31 minutos, altura em que Vertonghen subiu no terreno e cabeceou a bola em direção à sua baliza, após um cruzamento de Taarabt. O guardião boavisteiro, no entanto, estava atento e ganhou o duelo com o central belga.

O jogo estava a atravessar um ritmo tremendo, com várias oportunidades de golo para ambas as equipas. Foi mesmo a turma do Bessa que voltou a festejar ao minuto 39´, após uma troca de passes rápidos que se iniciou a partir do flanco direito do campo e terminou nos pés de Elis que, a passe de Angel Gomes, bateu Vlachodimos dentro da área encarnada com um remate colocado no canto superior esquerdo e festejou o segundo golo do Boavista.

Fonte da imagem: Twitter @playmaker_PT

Antes do apito para o intervalo, um erro crasso de Léo Jardim quase trouxe apuros para os axadrezados, com Pizzi a conseguir roubar-lhe o esférico e a introduzir a bola numa baliza desprotegida, mas o médio estava em posição irregular no momento do passe que originou o lance, levando a que o seu tento fosse anulado. O Benfica, apesar de dispôr de 64% de posse de bola, via-se em desvantagem e sem soluções perante um Boavista que estava confortável sem bola e perigoso quando a tinha na sua posse.

Após o intervalo, Jorge Jesus promoveu três alterações de uma só assentada, na esperança de introduzir mais rapidez e clareza no processo atacante das águias, assim como mais segurança no meio campo benfiquista. Nesse sentido, Everton, Gabriel e Pizzi deram lugar às entradas de Seferović, Julian Weigl e Rafa Silva na partida. Darwin, aos 52´, ameaçou de novo as redes de Jardim, ao cobrar um livre direto que foi rasou o poste esquerdo das suas redes.

O Benfica continuava a mostrar-se frágil no seu processo defensivo, com Elis a ameaçar o bis na partida com um remate que exigiu nova defesa do guardião encarnado. Logo a seguir, Jesus promoveu ainda outra alteração, com Gilberto (cumpriu uma partida muito sofrida frente a Hamache e Gomes) a dar lugar a Diogo Gonçalves. Léo Jardim voltou a ter uma posição de destaque aos 62´, ao defender um remate de Rafa Silva à entrada da área e ainda um segundo toque de Darwin logo de seguida. O Benfica desfrutava de um período de maior preponderância ofensiva, mas o Boavista apresentava uma disciplina e rigidez defensiva que não dava hipóteses aos encarnados.

Fonte da imagem de capa: Twitter @slbenfica_en

Jorge Jesus não gostava do que via e esgotou mesmo as alterações com pouco menos de meia hora por se jogar, ao tirar Taarabt do jogo e apostar em Franco Cervi para uma melhor dinâmica no ataque da sua equipa, que se via em grandes dificuldades perante uma defesa axadrezada muito mais consistente. Após Seba Peréz entrar para a turma de Vasco Seabra e Angel Gomes (exibição para ver e rever do avançado inglês) dar o lugar a Gustavo Sauer, o Boavista poderia ter-se limitado a defender a sua vantagem, mas Vasco Seabra tinha outros planos. Paulinho, a partir da faixa lateral direita, fez um passe em que toda a defensiva encarnada ficou adormecida, com Hamache a aparecer à entrada da área e a rematar com toda a força e precisão para o fundo das redes de Vlachodimos, que nada pôde fazer perante o “tiro” de grande qualidade do francês. Terceiro golo para a Pantera, perante um Benfica que desesperou, sem soluções à vista até ao fim dos noventa minutos. Foi mesmo o Boavista que esteve mais perto do quarto golo nos momentos finais da partida, com Yusupha (rendeu Elis aos 88´) a protagonizar um grande lance individual em que fez o que quis da defesa encarnada e chutou com toda a força em direção às redes visitantes, com o remate a sair ligeiramente por cima da barra.

A partida terminou mesmo com a vitória do Boavista por três a zero, após um jogo em que a turma de Vasco Seabra  se agigantou com uma grande exibição perante um Benfica que se viu impotente nas suas ofensivas e muito permissivo nos seus processos defensivos. Os encarnados, que não perdiam com o Boavista desde 2017 e não sofriam três golos no Estádio do Bessa desde 2006 , passam desta forma a ser segundos classificados no campeonato com 15 pontos, atrás do líder Sporting que soma mais um ponto. Já a Pantera celebrou a primeira vitória na Liga NOS, passando a ocupar o 13º lugar na classificação com seis pontos acumulados.

Fonte da imagem de capa: Twitter @ligaportugal

Alexandre Dionisio

Desde pequeno fui levado ao mundo do futebol, inicialmente enquanto júnior no Ginásio Clube de Alcobaça, clube da minha cidade, e agora mais velho enquanto espetador assíduo do mágico desporto que tanto nos emociona. Com uma licenciatura em Ciências da Comunicação na bagagem e um mestrado em Jornalismo em curso, acompanho cada jogo com a máxima emoção. Que isso nunca mude.