Quem te viu e quem te vê… Islam Slimani

Poucos são os jogadores que conseguem ascender à condição de ídolo num clube. Ninguém diria, com isto, que um argelino de 26 anos, vindo diretamente da liga do seu país, conseguisse fazer esquecer um certo Ricky van Wolfswinkel, mas este conseguiu isso mesmo. Muitos já o esqueceram, mas os sportinguistas certamente que não. O que é feito de Islam Slimani?

Sporting Clube de Portugal (Facebook)

Natural de Alger, Slimani começou a jogar no seu país e em 2010/11 recebia já propostas de várias equipas francesas, após 3 épocas sempre acima da marca dos 10 golos e com muitos minutos somados, mas acabou por permanecer no CR Belouizdad por mais dois anos.

Nessas duas temporadas o argelino foi marcando menos golos e jogando menos tempo, mas, curiosamente, tal não foi impeditivo de chamar a atenção de mais uns quantos emblemas. O “feliz contemplado” acabaria por ser o Sporting CP, adquirindo o seu passe por uns escassos 300.000 euros.

Apesar da reduzida verba paga pelos leões, inúmeras questões surgiram acerca da chegada deste perfeito desconhecido ao clube. Um ano após a saída de Ricky van Wolfswinkel, goleador de serviço dos dois anos anteriores, o mais sério candidato à titularidade era, inquestionavelmente, Fredy Montero. Na verdade, assim foi, ficando o colombiano no comando do ataque leonino durante praticamente toda a primeira metade da temporada.

Leicester City Football Club (Facebook)

O que é facto é que, mesmo sendo segunda opção, Slimani ainda acabou por fazer alguns golos, chegando a marcar em três jogos consecutivos, todos eles a suplente. Foi ficando célebre, sobretudo pelos golos de cabeça, qualidade muito vantajosa no futebol português e onde se mostrava claramente acima da média. Assim, na segunda volta, e numa altura em que Montero atravessava uma “seca de golos”, o argelino foi ganhando cada vez mais espaço. A 1 de março de 2014 foi-lhe dada a titularidade, apenas pela segunda vez, mas um golo decisivo diante do Braga valeu-lhe a confiança de Leonardo Jardim para a jornada seguinte, acabando mesmo por assentar como a nova primeira opção do treinador madeirense para o resto da época, marcando também nos três encontros seguintes após a “remontada” frente aos minhotos. Nesse mesmo ano, acabaria por ser convocado para a seleção da Argélia que participou no Campeonato do Mundo de 2014, no qual apontou dois golos.

Na segunda época de leão ao peito, manteve a boa forma e estreou-se a marcar nas competições europeias, na vitória por 4-2 em Alvalade diante do Schalke 04. No final da temporada acabaria como o melhor marcador dos leões, além de contribuir na conquista da Taça de Portugal, novamente diante dos bracarenses.

Newcastle United (Facebook)

Infelizmente, não é costume jogadores de topo manterem-se muitos anos no futebol português e Slimani não foi exceção a esta regra. Em 2016/17, no ano em que cumpriria quatro temporadas de leão ao peito, o avançado mudou-se para Inglaterra, para representar o campeão em título Leicester City.

Os primeiros jogos pareciam prever uma longa e proveitosa estadia nos foxes, estreando-se na Premier League com um bis, diante do Burnley, e marcando também no primeiro jogo caseiro do Leicester para a Liga dos Campeões, diante do FC Porto (novamente decisivo), fazendo jus à alcunha “dragon slayer” (matador de dragões), atribuída ainda em Alvalade e adotada igualmente pelos ingleses, sobretudo após esta partida.

A titularidade, no entanto, foi “sol de pouca dura” e o baixo rendimento que se seguiu a um arranque memorável acabou por rebaixa-lo à condição de suplente, logo em fevereiro. Slimani terminaria a sua época de estreia com apenas oito golos em 29 jogos.

Fenerbahçe (Facebook)

No ano seguinte, a saída de Claudio Ranieri provou-se fatal para o argelino, somando um único jogo a titular para a Premier League e jogando muito poucos minutos, por comparação ao que se vinha habituando. A pouca utilização viu-o emprestado ao Newcastle, em março, onde pouco mais conseguiu fazer (não somou qualquer golo nas quatro partidas que disputou).

Em 2018/19 seguiu-se novo empréstimo, desta vez para a Turquia, onde jogou toda a época pelo Fenerbahçe. Foi titularíssimo do início ao fim da temporada, mas as exibições deixaram muito a desejar, com apenas cinco golos em 25 partidas.

O ano seguinte (2019/20) parecia vir a ser o ano do renascer do goleador. Apesar de se ver novamente emprestado, desta vez ao Mónaco, Islam Slimani tornou a jogar às ordens de um velho conhecido: Leonardo Jardim. Com o treinador português, o argelino começou a temporada como titular, marcando 6 golos em 13 jogos. No entanto, as espectativas rapidamente acabariam por morrer com a troca de treinador, que empurrou Slimani, de novo, para o banco de suplentes. A somar a isto veio a por demais conhecida paragem devido à pandemia, que acabou por deitar por terra de vez o reerguer da forma do jogador.

AS MONACO (Facebook)

Chegando então a 2020, e três empréstimos depois, Islam Slimani está de regresso ao Leicester, mas, agora com 32 anos, parece cada vez mais improvável o argelino conseguir vir a assentar de novo no futebol inglês. O que é facto é que, desde que abandonou Lisboa, Slimani nunca escondeu o desejo de regressar ao Sporting, sendo que este ano poderá ter estado mais perto que nunca desse retorno. Conseguirá “Super Sli” reencontrar a sua veia goleadora um dia…no Sporting, quem sabe?

 

 

 

 

Imagem destaque: Sporting Clube de Portugal (Facebook)

Duarte Rosa

"Alfacinha" de gema, sportinguista de coração. Desde o clube à seleção nacional, o amor pela bola está presente desde cedo. A licenciar-se em Ciências da Comunicação, na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, esta paixão pela escrita e pelo futebol forma uma dupla interessante, que espera vir a agradar aos seus leitores.