Lembra-se de Jan Koller, o maior goleador de sempre da história checa?

No “Lembra-se de?” desta semana, viramos as atenções para o gigante Jan Koller, um avançado oriundo da República Checa que ainda é, até aos dias de hoje, o máximo goleador da seleção checa. 

Koller começou a sua carreira no clube mais titulado do seu país, o Sparta Praga, em 1994. Devido à sua elevada dimensão física, iniciou o seu percurso enquanto futebolista como guarda-redes, mas acabou por se tornar um avançado devido à sua alta produtividade em ocasiões de ataque. Depois da sua estreia com 20 anos, permaneceu no clube de Praga durante três temporadas, onde apesar de nunca se ter conseguido afirmar, foi campeão checo em 1995 e venceu a Taça no ano seguinte, figurando num total de 29 partidas e assinalando cinco tentos no decorrer do seu percurso na equipa da capital checa.

Seguiu-se uma mudança para a Bélgica, mais exatamente para o Lokeren, clube onde o jovem avançado começou a dar nas vistas no campeonato, apontando 46 golos em três épocas disputadas. O seu rendimento despertou as atenções de um dos principais clubes do país, com o Anderlecht a avançar para a sua compra no ano de 1999, uma aquisição que seria de grande sucesso para ambas as partes. Koller não perdeu a sua eficácia em situações de golo no seu novo emblema, pelo contrário, assinalando um notável registo de 30 golos em 45 jogos na sua primeira temporada (1999/2000) no clube, que culminou com a conquista do campeonato belga, competição na qual foi o melhor marcador. A segunda e última época no Anderlecht foi ainda melhor para o gigante checo, que marcou 28 golos em 50 jogos, sagrou-se bicampeão belga, conquistou a Taça da Liga e a Supertaça da Bélgica e venceu ainda a Bota de Ouro (prémio de melhor jogador da liga belga).

Fonte da imagem: demorgen.be

A sua boa forma não passou despercebida aos gigantes europeus, com o Borussia Dortmund a ser o clube que conseguiu a sua contratação na época 2001/2002 pelo preço (na altura considerado muito elevado) de 13 milhões de euros. A sua chegada ao Signal Iduna Park não podia ter acontecido em melhor altura, com o avançado checo a fazer uma temível parceria com o compatriota Tomáš Rosický e a vencer a Bundesliga logo no seu primeiro ano no clube (atingiu ainda a final da Taça UEFA), apontando 17 golos em 49 jogos. O avançado estabeleceu-se como um membro indispensável ao longo dos anos que passou no clube auri-negro e um dos ídolos da massa adepta do clube pela sua personalidade e pelas suas prestações em campo. Terminou a sua passagem no Borussia em 2006 já com 33 anos de idade, após ter figurado em apenas 12 encontros (com cinco golos marcados) numa altura em que o emblema de Dortmund passava por várias dificuldades financeiras.

Fonte da imagem: Twitter @ChampionsLeague

Após cinco anos, 79 tentos assinalados e um total de 184 partidas disputadas, Koller abandonou a Alemanha e seguiu viagem para o Principado do Mónaco, mas os tempos áureos da sua carreira já pertenciam ao passado. Depois de dois anos de pouca produtividade no Mónaco, curtas e falhadas passagens pelo Nuremberga, Krylya Sovetov, Cannes (na terceira divisão francesa) e um registo de apenas 34 golos em quatro anos de competição, Koller, no fim da época 2010/2011 e com 37 anos de idade, decidiu terminar a sua carreira futebolística, com os períodos passados na Bélgica e no Borussia Dortmund a serem os que o jogador certamente guardará com mais carinho na sua memória pelo sucesso que atingiu nos mesmos.

Ao serviço da República Checa, Koller estabeleceu-se como uma das maiores lendas que já atuou pela nação da Europa do Leste. Marcou presença em três Campeonatos da Europa (2000,2004 e 2008) e no Mundial de 2006. No Europeu de 2004 esteve em destaque, junto com Milan Baroš, ao apontar dois golos (um na fase de grupos frente à Holanda e outro nos quartos de final frente à Dinamarca), num percurso checo que culminou com a chegada às meias-finais da competição, onde Koller e companhia viriam a ser derrotados pela Grécia por um a zero após prolongamento. Marcou ainda um golo no Mundial 2006 e no Europeu 2008, competições nas quais a sua seleção nunca conseguiu passar da fase de grupos. No total da sua carreira, participou em 91 jogos e marcou 55 golos, uma marca que lhe garante, até hoje, o título de melhor marcador de sempre da seleção checa.

Fonte da imagem: thesportsman.com

Um jogador que é o maior exemplo vivo da expressão “pinheiro” no futebol. Jan Koller, fruto da sua estatura, era um autêntico pesadelo para qualquer que fosse o defesa que tivesse o azar de o marcar num lance de bola parada. Fosse num canto, livre direto ou através de um mero cruzamento bem-sucedido, o avançado checo aliava a sua vantagem física com uma boa técnica de cabeceamento para fuzilar a defesa adversária e, apesar da sua natural falta de velocidade, não era um jogador que se “arrastava” em campo. Ganhou a alcunha de “Dino”, diminutivo de dinossauro,  enquanto jogador do Dortmund por razões óbvias e por uma outra, que foi a sua garra e vontade inabalável de vencer qualquer que fosse a partida em que participasse. Um avançado “à antiga”, mas do melhor que já saiu da formação da República Checa, é desta forma que recordamos Jan Koller, o maior (em tamanho e números) goleador checo da história do futebol.

Fonte da imagem de capa: sparta.cz

Alexandre Dionisio

Desde pequeno fui levado ao mundo do futebol, inicialmente enquanto júnior no Ginásio Clube de Alcobaça, clube da minha cidade, e agora mais velho enquanto espetador assíduo do mágico desporto que tanto nos emociona. Com uma licenciatura em Ciências da Comunicação na bagagem e um mestrado em Jornalismo em curso, acompanho cada jogo com a máxima emoção. Que isso nunca mude.