Opinião: Erros do passado?

Portugal tem hoje a geração mais talentosa e organizada da história da seleção. Nem a “geração de ouro” de Figo, Rui Costa e João Vieira Pinto, nem a equipa de Scolari, com jogadores como Deco e Pauleta, chegaram tão longe quanto os comandados de Fernando Santos.

Os campeões de Europa em título apresentam hoje em dia um dos plantéis mais poderosos do panorama internacional, capaz de rivalizar com colossos históricos como Espanha, Itália, Holanda, Inglaterra e até mesmo a promissora Bélgica.

Nada disto seria possível sem a contribuição de Bernardo Silva, Rui Patrício, Pepe, Bruno Fernandes, Danilo, William Carvalho, entre outros. A juntar a estes jogadores e à organização tática nunca antes vista na equipa das quinas, surge o futuro do futebol português, ou seja, Trincão, Diogo Jota, João Félix, Pedro Neto, João Cancelo, Renato Sanches e muitos mais.

Liderados dentro das quatro-linhas por Cristiano Ronaldo, talvez o melhor que alguma vez tenha pisado os relvados de todo o mundo, está assim encontrada a receita para o sucesso.

No entanto, mesmo no paraíso problemas antigos voltam a surgir.

As exibições frente a França e Croácia, a contar para a Liga das Nações, fizeram relembrar os anos de altos e baixos que antecederam os dois primeiros títulos do currículo da seleção.

Uma equipa com talento mas com medo de o mostrar. Confuso? Estranho? Se fosse há 10 anos atrás não seria, mas, atualmente, é, no mínimo, bizarro.

Sob a orientação de Fernando Santos, Portugal nunca procurou estar sempre em ataque constante, com medo de ficar desprevenido frente aos adversários. Aliás, muitos adeptos consideram que Portugal teve sorte na conquista do Europeu em 2016, pois jogou sempre para o empate.

De lá para cá, o estilo de jogo evoluiu. Agora, os jogadores procuram dominar o jogo, ter sempre a posse de bola e aproveitar o poderio atacante que têm à sua disposição para causar estragos.

Só que de tempos a tempos, a seleção volta a basear-se na sua fórmula anterior em jogos contra seleções de alto gabarito. Pode ter resultado antes, mas no contexto atual já não é o que os jogadores precisam para triunfar.

Contra a França, o respeito pelos gauleses pareceu medo de arriscar, receio das transições ofensivas do adversário ao ponto de entregar o controlo da posse da bola aos visitantes e aguentar a avalanche francesa até surgir a oportunidade para atacar.

Se é necessário coesão defensiva para ganhar jogos, obviamente. Contudo, é impossível defender sem distrações ou estar perto da vitória sem também tentar a sorte na baliza adversária.

Portugal mostrou tarde demais o que realmente é capaz de fazer e acabou por custar-lhe caro. Já contra a Croácia, apesar da vitória, foi mais uma exibição apagada, sem criatividade, como se os comandados de Fernando Santos estivessem à espera do desgaste do opositor para atacar em peso.

Caso não fosse a eficácia dos jogadores, os portugueses poderiam ter sentido o sabor amargo da derrota pelo segundo jogo consecutivo, algo impensável depois de quase um ano sem perder em jogos oficias.

Contas feitas, isto não é um ataque a um grupo que tantas alegrias nos deu, mas sim um apelo. Menos contenção, mais ousadia.

Nunca antes Portugal tinha estado na conversa sobre as maiores seleções do mundo. Para solidificar essa posição, é preciso confiança e, acima de tudo, mostrar que não há um ataque tão perigoso como o nosso.

Só o tempo dirá se estes dois jogos, e consequente eliminação, foram um sinal de fraqueza que pode ser explorada ou apenas uma mera anomalia.

Fonte da Imagem: França Twitter/@equipedefrance