Lembra-se de Roberto Baggio, a lenda imortalizada pelo seu pior momento?

No “Lembra-se de?” desta semana recordamos um dos maiores nomes do futebol italiano, que viu a sua brilhante carreira ser manchada por um penalti falhado, Roberto Baggio.

Nascido no dia 18 de fevereiro de 1967 em Caldogno, localidade na província de Vicenza, Roberto Baggio começou a sua carreira profissional em 1982, com apenas 16 anos, ao serviço do L.R. Vicenza Virtus, equipa do terceiro escalão italiano na qual cumpriu a sua formação.

Porém, o avançado não ficou muito mais tempo neste emblema, dado que o seu enorme talento e tenra idade indiciavam que este teria capacidade para chegar a outros voos. Assim, em 1985, a histórica Fiorentina adquiriu o então jovem de 18 anos.

Os primeiros dois anos do atleta em Florença foram complicados devido a problemas físicos que, infelizmente, o assolaram com frequência ao longo da sua carreira, tendo contabilizado somente 15 partidas neste período de tempo.

Assim, o génio só começou a brilhar a partir da temporada 1987/88. Nas três épocas que se seguiram, impôs-se como um dos melhores jogadores a atuar no seu país e foi preponderante na caminhada dos viola até à final da Taça UEFA de 1989/90, perdida para a Juventus.

Deste modo, foi com naturalidade que o italiano foi convocado pela sua seleção para o Mundial de 1990, que se realizou, justamente, em Itália. Apesar de jogarem em casa e de estarem entre os favoritos à conquista do troféu, os azzurri acabaram por ser eliminados nas grandes penalidades das meias finais pela Argentina de Maradona (Baggio converteu o seu penalti), tendo, posteriormente, batido a Inglaterra na disputa pelo terceiro lugar. O avançado não foi indiscutível na sua equipa, (participou em cinco dos sete jogos realizados, num destes vindo do banco) mas fez as redes adversárias abanar duas vezes.

Ainda antes da realização do Mundial, seduzida pela magia apresentada com a camisola da Fiorentina (apontou 55 golos em 136 partidas), a Juventus bateu o recorde de transferências da época, desembolsando cerca de 13 milhões de euros para contar com os serviços do craque de 23 anos.

Esta mudança gerou enorme polémica porque, alegadamente, Baggio não pretendia abandonar o seu antigo clube. Já os adeptos, revoltados com a direção por ter vendido o seu ídolo, causaram enormes desacatos e tumultos nas ruas. Esta controvérsia culminou no primeiro jogo de regresso a Florença ao serviço da vecchia signora, no qual este se recusou a bater um penalti, que acabou por ser desperdiçado por um colega de equipa, tendo perdido a partida por 1-0, e ainda beijou um cachecol da Fiorentina atirado para o campo.

Após este episódio, o italiano ganhou a admiração eterna dos adeptos viola e o desagrado dos apoiantes bianconeri. No entanto, o descontentamento foi apenas momentâneo, visto que este viveu os melhores anos da sua carreira em Turim.

Apesar de também se ter exibido a um grande nível logo nas duas primeiras épocas, a temporada 1992/93 foi, sem dúvida, a melhor da sua vida. A nível coletivo, a Juventus conquistou a Taça UEFA, tendo este sido o primeiro troféu do jogador. No panorama individual, atingiu o seu auge enquanto goleador, registando 30 golos em 43 jogos, números impressionantes para um segundo avançado. As suas fabulosas prestações foram reconhecidas pela France Football e a FIFA que lhe atribuíram, respetivamente, a Bola de Ouro e o prémio The Best.

Findada mais uma excelente época ao serviço da Juve (desta vez sem títulos), no verão de 1994, chegava a altura de nova competição de seleções: o Mundial dos EUA (a Itália falhou o apuramento para o Euro 92). Depois de ter estado apagado na fase de grupos da prova, Baggio esteve imparável no “mata-mata”, marcando cinco golos entre os oitavos e as meias finais da competição.

Com o seu contributo decisivo, a Squadra Azzurra chegou à final frente ao Brasil, que só foi resolvida nas grandes penalidades. Encarregado de bater o quinto penalti, Baggio, perito na bola parada, precisava de marcar para manter o seu país em jogo. Contudo, atirou por cima e, injustamente, ficou para sempre recordado por este momento infeliz que ofereceu o tetra à Canarinha.

Na temporada que se seguiu, o italiano esteve bastante tempo afastado dos relvados em virtude de uma lesão. Todavia, foi também neste ano que conquistou as suas primeiras competições domésticas: a Serie A e a Coppa Italia.

Esta acabou por ser a sua última época em Turim uma vez que, devido à ascensão de Del Piero e à elevada pressão de Silvio Berlusconi, foi vendido ao Milan. Ao todo, contabilizou 116 tentos ao longo de 200 encontros pela Juventus.

A sua estadia em Milão durou apenas dois anos dado que teve desentendimentos com os seus treinadores e o seu rendimento não foi tão bom quanto o esperado (19 golos em 67 jogos). Ainda assim, na primeira temporada, os rossoneri sagraram-se campeões nacionais, tendo este sido o último título do palmarés do pequeno génio.

Aos 30 anos, após deixar a desejar no Milan, desceu de nível e assinou pelo Bolonha. Devido à idade e quebra exibicional, muitos consideravam que Baggio estava acabado. No entanto, este contrariou as críticas e relançou a sua carreira através de um notável ano nos rossoblu, no qual fez as redes oponentes abanar por 23 ocasiões em 33 partidas.

Depois de não ter sido convocado para o Euro 96 (ainda estava no Milan), o craque voltou a representar a sua seleção no Mundial de 1998, realizado em França. Desta feita, a Itália não foi além dos quartos de final, tendo sido, pela terceira vez consecutiva em Mundiais, eliminada nas grandes penalidades, frente aos anfitriões que viriam a ganhar a competição. Para além de ter cobrado com sucesso o seu penalti neste desempate, o italiano também faturou duas vezes na fase de grupos, embora tenha tido um menor protagonismo que na anterior edição (figurou em quatro dos cinco encontros, metade destes a titular). Este foi o último torneio de seleções do jogador que, ao todo, somou 56 internacionalizações e 27 golos pela sua nação.

Depois das boas indicações deixadas no Mundial e em Bolonha, o atleta partiu para outra aventura no mais alto patamar do futebol italiano ao ser contratado pelo Inter. Porém, Milão continuou a ser uma cidade de má memória para o veterano, já que este não esteve ao seu melhor nível, teve problemas físicos e conflitos com o seu treinador. Nos dois anos em que vestiu a camisola nerazzurri, entrou 59 vezes em campo e apontou 17 golos.

No verão de 2000, quando já tinha 33 anos, Baggio juntou-se àquele que viria a ser o último emblema da sua gloriosa carreira: o Brescia. Todavia, o “10” ainda representou este clube durante quatro temporadas, nas quais ultrapassou sempre os dois dígitos de golos (no total, foram 46 golos em 101 jogos).

Com uma soberba capacidade técnica, Roberto Baggio conseguia fazer tudo com qualidade: bolas paradas, dribles, meias-distâncias, finalizações na área, assistências, enfim, habilidades apenas ao alcance de um autêntico génio. O curto palmarés (quatro títulos) não faz justiça à grandeza deste pequeno avançado que foi, sem dúvida, muito mais do que simplesmente o autor de um penalti falhado na final de um Mundial. O italiano foi um dos melhores jogadores do seu país e do futebol mundial.

 

Fonte da Imagem: Twitter @futbollokali, @footballmemorys, @UEFAcom_pt, @bianconeribra, @alexferrrer, @formakultur, @WuHonda1, @tphoto2005 e @MassimoCaliari

Simão Vitorino

Nasci e cresci em Vila Franca de Xira e estou atualmente a tirar uma licenciatura em Ciências da Comunicação na faculdade NOVA FCSH com o objetivo de me tornar jornalista desportivo no futuro, profissão que une duas grandes paixões minhas - o futebol e a escrita.