Quem te viu e quem te vê… Jesé Rodríguez

Só de olhar para o título deste artigo, qualquer adepto de futebol já sabe do que se vai aqui falar. Jesé Rodríguez dispensa qualquer tipo de apresentações… simplesmente não pelos melhores motivos. Contudo, nem sempre assim foi, chegando a ser visto como uma das maiores promessas da formação do Real Madrid. Pois então, por onde anda o avançado espanhol?

Nasceu em Las Palmas de Gran Canaria e começou a formação no AD Huracán, mas terminou-a em Madrid, no Real. Em 2011/12 começou a atuar na equipa B madrilena e, no segundo ano, após deslumbrar tudo e todos com o seu futebol, acabou com 22 golos marcados em 38 jogos, bisando em quatro partidas.

Com números destes, acabou, sem surpresas, por ser rapidamente chamado à principal formação do clube. Em 2013/14 participou em 38 jogos, praticamente todos a sair do banco na segunda parte, mas conseguiu ainda apontar oito golos. A estreia, inclusive, foi diante do Barcelona, mas o seu golo tardio não impediu a derrota do Real por 2-1 em Camp Nou.

Até então, Jesé contava já com participações nos europeus de sub. 17 e sub. 19 (em 2010 e 2012, respetivamente), terminando a sua segunda temporada nos séniores do Real com nova prestação internacional, desta vez no Campeonato do Mundo de sub. 20, em 2013 (jogou todos os jogos e marcou 5 golos, dois deles diante dos EUA). Avizinhava-se, com isto, uma carreira de enorme sucesso para este jovem talento.

As suas aventuras com a seleção nacional, no entanto, terminariam logo por ali. Simultaneamente, a sua carreira a nível clubístico cedo entraria em declínio. Em 2014/15, somou apenas pouco mais de metade dos minutos que somara na época de estreia. Curiosamente, marcou exatamente metade dos golos em relação a 2013/14 (quatro), pelo que o rendimento foi semelhante.

2015/16 foi a época em que teve direito a mais tempo dentro de campo com o Real, conseguindo ainda umas quantas partidas a titular, mas não passou de seis golos em 38 jogos. Ainda assim, estreou-se a marcar na Liga dos Campeões, no encontro dos oitavos de final, diante da Roma.

Na temporada seguinte, o seu valor de mercado não ia além dos 14 milhões de euros, mas as suas prestações foram suficientes para convencer o PSG  a desembolsar quase o dobro: 25 milhões. Deste modo, terminava o longo namoro entre Jesé e Real Madrid, mudando-se para a capital francesa. A partir daqui…todos sabem como a história continua.

Após apenas 14 partidas jogadas (todas a suplente, com exceção de uma) e um único golo apontado, Jesé acabaria emprestado, em janeiro, ao UD Las Palmas. Regressado a casa, foi titular absoluto no clube da sua terra, mas apenas conseguiu 3 golos e, a nível coletivo, os resultados provaram-se desastrosos.

As coisas não melhoraram no ano seguinte, pelo contrário, sendo novamente emprestado, desta vez ao Stoke City. Em Inglaterra, apenas participou em 13 encontros e apontou um único golo (começou a titular, mas acabou, novamente, no banco, a meio da temporada). Chegou até a fazer uma partida nos sub. 23 dos Potters. No fundo, mais um ano para esquecer.

Dois anos se seguiram e, com eles, dois novos empréstimos. O primeiro foi no Bétis, em Sevilha, onde continuou sem convencer (2 golos em 18 jogos). O segundo, e mais recente, foi aqui mesmo, no Sporting CP, mas nem na Liga Portuguesa (e numa altura em que, diga-se, não abundavam “estrelas” no plantel leonino) conseguiu vingar, alternando entre o banco e o 11 titular, mas com muito pouca consistência. Marcou apenas um golo, diante do Vitória SC. O empréstimo ainda custou dois milhões de euros aos cofres leoninos, diga-se.

Chegamos então ao presente. Jesé permanece no PSG, ainda com 22 minutos jogados, apenas. Apesar de ser opção tão raramente, o que é facto é que o atleta conta já com um palmarés invejável: uma Liga Espanhola, uma Copa del Rey, uma Liga Francesa, uma Supertaça Francesa, uma Taça da Liga Francesa, um Campeonato do Mundo de Clubes, um Campeonato da Europa de sub. 19 e…duas Ligas dos Campeões.

É verdade que ainda tem 27 anos, mas, pelo seu historial, parece que não veremos o Jesé de 2012 a reaparecer tão cedo, permanecendo, em certa medida, o estatuto de “eterna promessa”. É mesmo caso para dizer: quem te viu e quem te vê, Jesé…

 

Imagem: Sporting Clube de Portugal (Facebook)

Duarte Rosa

"Alfacinha" de gema, sportinguista de coração. Desde o clube à seleção nacional, o amor pela bola está presente desde cedo. A licenciar-se em Ciências da Comunicação, na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, esta paixão pela escrita e pelo futebol forma uma dupla interessante, que espera vir a agradar aos seus leitores.