O Adeus a Maradona

Diego Armando Maradona deixou o “mundo do futebol” em lágrimas. Na passada quarta-feira, dia 25 de novembro, o “astro argentino” foi vitima de uma “insuficiência cárdia aguda” morrendo assim aos 60 anos de idade. 

Maradona foi diferente de todos os outros, era diferente pois vinha da América do Sul para a Europa, uma das transferências mais caras de sempre, naquela altura. O Mundial de 82 não correu bem para este, o Brasil derrotou a sua seleção por 3-1, mesmo assim, o clube catalão não iria deixar fugir o “astro”. Pensava-se que o futebol europeu ia deixar de ser físico, bruto e até mesmo ofegante.

A ida de Maradona para o Barcelona porém, foi um pouco desapontante. Contraiu uma hepatite, depois partiram-lhe um tornozelo. Após algum tempo em recuperação, o número 10 não conseguiu “brilhar” em terras espanholas. Dois anos na Catalunha, contudo não vingou, ficou de fora no Mundial de 78 (onde a sua seleção ganhou) e no de 82 onde a Argentina caiu nos quartos de final frente à Itália.

Em 1984, Maradona foi para Itália, neste caso para um clube pequeno (na altura), que nunca tinha sido campeão, o Nápoles. Durante três anos que esteve na Europa, Maradona ficava rico e arrogante, contudo foram três campeonatos que não venceu ( 2 pelo Barcelona e 1 pelo Nápoles).

No verão de 1986, mais precisamente no México, El Pibe, como era conhecido, foi convocado para o Mundial, convocatória essa que iria mudar tudo sobre o que se conhecia de futebol. O jogo em causa foi o de dia 22 de junho, Argentina contra Inglaterra. Jogo esse que estava marcado pela guerra das Malvinas, onde a Argentina perdeu frente ao seu adversário. A Argentina ganhou o jogo, Maradona marcou dois golos… e que golos.

O primeiro é chamado o “golo do século”, driblou meia equipa e marcou, e o outro, conseguiu saltar mais alto que o guarda-redes inglês e colocou a bola dentro da baliza com a sua mão, “a mão de Deus” como ficou conhecido o lance. Uma vingança após a derrota na guerra, faltava a Alemanha na final, Maradona não marcou nesse jogo, mas levantou o troféu de campeão do mundo.

Fonte da Imagem: dci.com/br

Na época seguinte, o Nápoles foi campeão de Itália, muito as “custas” de Maradona. Aquela época foi memorável, o argentino, fintava, driblava, tinha velocidade, potência e sobretudo, inteligência de jogo. Maradona foi coroado Deus em Nápoles, aliás ainda nos dias de hoje o é.

Ficou no Nápoles até 1991, as transferências eram raras naquela altura, ainda conseguiu ser campeão mais uma vez, em seis épocas que disputou pelo emblema Napolitano, fez 259 jogos e El Pibe, marcou 199 golos.

Um dos casos mais peculiares do argentino ocorreu no ano de 1990 no Mundial de Itália. O “astro” chegou a pedir aos seus adeptos que torcessem pela sua seleção. A Argentina ganhou à seleção transalpina e chegou mesmo à final, mas caiu perante a Alemanha.

Com 30 anos estava espectável que a sua carreira iria chegar ao fim, mas não. Não chegou ao fim, mas também não houve mais gloria, nem futebol. Desde ligações à Máfia, controles anti-doping positivos, uso de cocaína, polémicas, filhos ilegítimos, separações e divórcios El Pibe estava a degradar-se. Foi para o Sevilha, uma mini estadia de apenas uma época, voltou para a Argentina onde jogou no Newell’s Od Boys e no seu Boca Juniors, esteve num Mundial de 94 onde foi suspenso e expulso da equipa por tomar efedrina, e acabou a sua carreira. Como treinador teve uma carreira “quase ridícula”, com bocas e declarações bizarras.

Terminou assim a novela de Maradona, um jogador que criou uma era própria, muito à frente do seu tempo. Lembro-me do meu avô e pai me falarem deste senhor com a bola nos pés, foi um dos motivos de tanto amar este desporto. Um dia irei certamente falar aos meus filhos de Ronaldo e Messi, mas Maradona é sem dúvida o “Deus do futebol” e a sua memória nunca serão esquecidas. O seu corpo desapareceu, mas as suas jogadas iram sempre persistir.

El Pibe, o “pequenino” canhoto, o 10, jamais será esquecido, e ele é a prova que mesmo nascendo pobre, todos poderemos sonhar mais alto e atingir-mos o que ninguém atingiu.

 

Créditos da imagem de capa: irisfm.pt

 

João Simões

Desde pequeno que sempre me incutiram um grande amor e gosto pelo “Desporto Rei”. Comecei a dar uns toques em pequeno mas agora dedico-me arduamente a seguir e a acompanhar o futebol, com um olho na bola e o outro no papel, acabei por me licenciar em Ciências da Comunicação pela Universidade da Beira Interior e atualmente estou no Mestrado de Jornalismo. Que este amor pelo FUTEBOL nunca morra.