Benfica escala muralha de Vidigal e não cede na perseguição ao líder

O Benfica viajou até ao Estádio dos Barreiros, terreno do Marítimo, para enfrentar os madeirenses na oitava jornada da Liga NOS. Numa partida em que, apesar do domínio encarnado foi o Marítimo que começou em vantagem por intermédio de Rodrigo Pinho, tentos de Pizzi e Everton consolidaram a reviravolta no marcador, terminando o jogo com uma vitória das águias por dois a um.

Jorge Jesus operou três alterações em relação ao encontro contra o Rangers na Liga Europa, trazendo a jogo Vlachodimos (no lugar de Helton Leite) entre os postes, Vertonghen e Otamendi (rendeu Jardel) no centro da defesa, Grimaldo e Gilberto nas laterais, Gabriel e Pizzi (no lugar de Chiquinho) no meio campo, Everton e Rafa Silva como extremos e Waldschmidt e Seferović no ataque encarnado.

Lito Vidigal, por sua vez, trouxe um onze com Charles na baliza, Lucas Áfrico, Renê Santos e Léo Andrade na defesa, Cláudio Winck e Marcelo Hermes nas laterais, Pedro Pelágio e Jean no meio campo e um ataque com Rúben Macedo, Joel Tagueu e Rodrigo Pinho.

O Benfica entrou com uma postura dominante na partida e, aos quatro minutos de jogo, quase se pôs em vantagem. Grimaldo cruzou uma bola para o segundo poste da baliza de Charles e Rafa ainda conseguiu dar um toque em esforço que por pouco não acertou na baliza, indo parar para fora. Aos 11 minutos, foi Everton que ameaçou a baliza adversária, fazendo um movimento caraterístico de fora para dentro e armando um remate potente que passou ao lado do poste esquerdo de Charles.

Fonte da imagem: twitter @ligaportugal

Logo a seguir e ao contrário do rumo da partida, foi o Marítimo que teve boas razões para festejar, com Otamendi a ser protagonista pelos piores motivos. Na sequência de um alívio da defesa maritimista, o defesa foi em busca do esférico num lance que parecia inofensivo e passou em direção a Vlachodimos. O problema é que o passe do central argentino foi feito sem a força necessária, permitindo que Rodrigo Pinho conseguisse chegar com facilidade à bola e, numa posição de um para um com o guardião encarnado, ganhasse o duelo, picando a bola na direção da baliza das águias e inaugurando o marcador para uma equipa madeirense que não tinha criado qualquer ocasião de perigo até ao momento.

De seguida, Otamendi e Rodrigo Pinho voltaram a estar em destaque, mas por uma razão preocupante. Os dois jogadores chocaram com a cabeça numa disputa pela bola, ficando o avançado brasileiro do Marítimo em pior estado, tendo sido levado de maca para fora do relvado. Felizmente para os envolvidos, a situação não passou de um susto e ambos os jogadores ficaram em condições de continuar em jogo. O Benfica mostrava-se afetado e previsível (usou e abusou de cruzamentos inconsequentes) depois do inesperado golo que sofreu e procurava efetuar a reviravolta no marcador, mas não conseguiu atirar um único remate na direção da baliza de Charles até à meia hora de jogo. O Marítimo, por outro lado, ganhou confiança com o golo e preocupava-se exclusivamente em defender a vantagem, usando um esquema tático com cinco homens na sua linha defensiva e entregando por completo o domínio da posse de bola ao clube da Luz. Isto até Pizzi ser o jogador que conseguiu dar um suspiro de alívio à sua equipa aos 32´. O médio recebeu um passe rasteiro e bem medido de Everton dentro da grande área dos homens da casa, controlou e chutou com frieza para o canto inferior esquerdo da baliza de Charles, empatando a partida para a sua equipa, que bem necessitava de motivos para sorrir, após um início de jogo que apenas poderia ser descrito como desanimador.

Fonte da imagem: Twitter @slbenfica_en

Os últimos cinco minutos antes do apito para o intervalo registaram várias ocasiões para os encarnados operarem a reviravolta no marcador, mas faltou sorte (e eficácia também). Primeiro foi Pizzi que atirou um grande remate fora da grande área que obrigou Charles a uma defesa acrobática, depois foi a vez de Rafa, que recebeu a bola dentro da grande área madeirense, rodou sobre o seu adversário e rematou uma bola que acabou desviada para fora por um jogador do Marítimo. Vertonghen também ameaçou de cabeça, na sequência de um canto, mas a bola teimava em não ir em direção às redes dos homens do Barreiro. O Marítimo, fiel à filosofia do seu técnico, mantinha-se coeso e organizado no seu setor defensivo e procurava servir-se do contra-ataque veloz (Rodrigo Pinho foi o melhor jogador em campo da equipa maritimista no primeiro tempo, tendo beneficiado bastante desta tática) para responder às constantes investidas atacantes do Benfica. É de ressaltar que os únicos remates direcionados à baliza de ambas as turmas até ao intervalo foram aqueles que terminaram em golo.

Na segunda parte, o encontro continuou com a mesma imagem. Um Benfica a gerir confortavelmente a posse de bola (74% de domínio) e a tentar abrir espaços na defesa adversária e um Marítimo preocupado em defender o resultado e procurando quebrar o ritmo de jogo dos encarnados para poder apostar no contra-ataque. A tática que deu resultados de imediato foi a de Jesus que, aos 51 minutos, consumou mesmo a reviravolta no marcador. Num lance iniciado por Gabriel e que ainda passou por Waldschmidt, a bola chegou até Haris Seferović, que serviu Everton dentro da área (extremo brasileiro libertou-se com mérito da marcação de Cláudio Winck), com Cebolinha a chutar com precisão para o canto esquerdo da baliza madeirense e a apontar o seu segundo golo no campeonato com a camisola encarnada.

Fonte da imagem: Twitter @DepreBenfica

O Marítimo, ao ver-se pela primeira vez em desvantagem na partida, foi forçado a lançar mais homens para a metade do campo benfiquista, mas era a notória a dificuldade da equipa em construir jogadas e ligar setores sem ser através de passes longos. O Benfica demonstrava uma maior tranquilidade no seu estilo de jogo e geria a partida perante um adversário que não mostrou ter capacidades para atacar. Vlachodimos  não assistiu a qualquer ocasião de perigo na sua grande área até aos últimos quinze minutos de jogo, marca em que o Marítimo finalmente fez um remate (à figura e sem perigo) em direção às suas redes. As águias, no entanto, também não dispuseram de grandes oportunidades de golo, aparentando estarem satisfeitas com a vantagem mínima na partida. A ponta final do encontro ficou marcada, acima de tudo, por várias faltas e muitas paragens, porque ocasiões de perigo e remates à baliza foi coisa que não existiu, apesar dos constantes cruzamentos e bolas longas que o Marítimo tentava transformar em lances de perigo, sem qualquer sucesso. Lito Vidigal ainda pôs em campo os jogadores Milson, Correa e Ali Alipour, dando vida à expressão “pôr a carne toda no assador”, mas nem por isso a sua equipa mostrou argumentos para incomodar Vlachodimos nos últimos instantes da partida.

O Benfica, com a vitória nos Barreiros, termina a oitava jornada no terceiro lugar da Liga NOS com 18 pontos somados, em igualdade pontual com o SC Braga, segundo classificado e a quatro pontos de distância do líder Sporting. Já o Marítimo somou o quinto jogo consecutivo sem vencer e mantém-se na zona de despromoção da tabela classificativa, ocupando o 17º lugar com sete pontos, os mesmos do Portimonense, que é a equipa que se situa imediatamente acima da zona vermelha do campeonato. O próximo encontro dos encarnados será frente ao Lech Poznan a contar para a quinta jornada da fase de grupos da Liga Europa no dia três de dezembro, enquanto que os madeirenses voltam a entrar em campo no dia sete de dezembro, data em que se deslocam ao terreno do Farense para um jogo a contar para a nona jornada da Liga NOS.

Fonte da imagem de capa: Twitter @ligaportugal

 

Alexandre Dionisio

Desde pequeno fui levado ao mundo do futebol, inicialmente enquanto júnior no Ginásio Clube de Alcobaça, clube da minha cidade, e agora mais velho enquanto espetador assíduo do mágico desporto que tanto nos emociona. Com uma licenciatura em Ciências da Comunicação na bagagem e um mestrado em Jornalismo em curso, acompanho cada jogo com a máxima emoção. Que isso nunca mude.