Quem te viu e quem te vê… André Santos

Uma das maiores promessas da formação do Sporting, no início dos anos 2000, e que chegou mesmo a vingar em grandes palcos ao serviço dos leões, mas, uma vez saído de Alvalade, pouco se voltou a ouvir dele. Ainda se lembra do médio André Santos? O que será feito do atleta, agora?

Nasceu no Sobreiro Curvo e começou a jogar no Lourinhanense, mas rapidamente se mudou para Alcochete (ainda no futebol de 7), onde terminou a sua formação, na qual contou com a conquista de dois campeonatos nacionais (Juniores C e Juniores B). O seu primeiro ano de sénior foi em 2008/09, mas o médio defensivo teria de esperar por 2010 para conseguir um lugar no plantel principal leonino. Até lá, cumpriu empréstimos no CD Fátima e na UD Leiria.

Após dois anos na cidade do Lis, André voltou então a Alvalade e foi titular absoluto desde o primeiro minuto, estreando-se num jogo de qualificação para a Liga Europa, diante dos dinamarqueses do Nordsjaelland, cumprindo os 90 minutos na íntegra. Apesar de ser um médio defensivo, era conhecido por ter um poderoso pé direito, e estreou-se mesmo a marcar nessa época, diante do Portimonense, no Algarve.

Foi uma época sem grande brilho coletivo. Ainda assim, foi também o ano em que o jogador registou os seus melhores números, com 42 partidas jogadas e dois golos marcados (o segundo diante do FC Porto, no Dragão). Na época seguinte, por sua vez, ainda que a troca de treinador tenha implicado a perda da titularidade, participou numa das melhores épocas do Sporting a nível europeu, atingindo as meias finais da Liga Europa, de onde apenas saiu derrotado pelo Atlético de Bilbao (pese embora não ter sido sequer convocado para essa eliminatória).

Como se sabe, a época de 2012/13 foi de muito má memória para os verdes e brancos, terminando o campeonato nacional num lastimoso 7º lugar. Curiosamente, este foi o ano em que André Santos se viu novamente emprestado, jogando toda a temporada ao serviço do Deportivo de la Coruña. Acabou, no entanto, por não ir além de 15 atuações, apenas seis a titular (duas delas, diga-se, a contar para a Taça do Rei). Em 2013/14, viria mesmo a deixar Lisboa, rumando a Guimarães para representar o Vitória.

Na cidade berço mostrou-se em muito boa forma, sendo titularíssimo, novamente, e aproveitando o regresso do Vitória aos palcos europeus, oito anos depois, exibindo-se na Liga Europa, ainda que os minhotos não tenham conseguido passar da fase de grupos.

Parecia que se poderia vir a assentar em Guimarães, mas acabou por sair, viajando para a Turquia, onde envergaria a camisola do Balikesirspor, clube recém promovido à 1ª Divisão, mas que acabaria por descer logo de seguida, num ano em que, a nível individual, apesar de ser titular em todos os jogos, apenas somou 15 partidas.

Em 2015/16 tornaria a fazer as malas, desta vez rumo a França. Lá esperava-o o Metz, à data na 2ª Divisão. Esteve presente num total de 30 partidas e ainda apontou um golo, ajudando os galeses a subir de divisão, com um prestigiado 3º lugar. No entanto, André acabaria, novamente, por trocar de ares, mas desta vez para regressar a Portugal. Arouca foi o destino.

De regresso a casa, ingressou num clube que se estreara na primeira liga apenas quatro anos antes, mas que estava, agora, na véspera de um histórico Play-Off europeu. O início entusiasmante acabou, no entanto, por terminar num autêntico pesadelo, com o Arouca a falhar a fase de grupos da Liga Europa e, pior ainda, a acabar no 17º posto da Liga, ditando assim a descida de divisão. Já a nível individual, André Santos foi titular em toda a época, somando um total de 3068 minutos em 38 jogos para todas as competições.

Ainda jogou durante grande parte da temporada seguinte, na segunda divisão, mas acabou mesmo por sair no mercado de inverno, assinando pelos romenos do CS U. Craiova. Terminou a época com apenas sete partidas ao serviço da nova equipa.

O “vai-vem” parecia não ter fim e novamente acabaria por ser transferido, após não renovar contrato com a formação da Roménia. Quem surgiu com uma proposta foi a Belenenses SAD, que, após a conhecida polémica, acabaria separada do CF Os Belenenses. Assim, regressado a Lisboa ao fim de cinco anos, André conseguiu duas boas temporadas no Jamor, superando sempre a marca dos 30 jogos e somando um total de três golos. O último foi, imagine-se, diante do FC Porto, novamente.

Para não variar, acabou por mudar novamente de clube, mas onde para hoje o atleta? Pois bem, a B SAD acabou por não renovar contrato com o jogador, acabando o mesmo por assinar, a custo zero, pelo Grasshoper CZ, emblema da segunda divisão suíça. Leva, até ao momento, 12 partidas jogadas e um golo marcado ao serviço da formação comandada pelo português João Carlos Pereira.

Agora com 31 anos, dificilmente André Santos tornará a pisar grandes palcos europeus. Passou por oito clubes em dez anos, a maioria não sendo de grande renome, nunca assentando verdadeiramente em nenhum, o que se provou fatal para a sua notoriedade. Uma pérola de Alcochete que, enfim, acabou emigrada em solo helvético…

 

Imagem: Grasshopper Club Zürich (Facebook)

Duarte Rosa

"Alfacinha" de gema, sportinguista de coração. Desde o clube à seleção nacional, o amor pela bola está presente desde cedo. A licenciar-se em Ciências da Comunicação, na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, esta paixão pela escrita e pelo futebol forma uma dupla interessante, que espera vir a agradar aos seus leitores.