UEFA Conference League: uma janela de oportunidade para os clubes portugueses

Na Opinião desta semana, o foco está em cima da nova competição de clubes da UEFA. A Conference League entra em vigor já na próxima época e veio trazer mudanças para os vários campeonatos europeus, mas o que significa para Portugal?

A UEFA Conference League foi confirmada pelo organismo que rege o futebol europeu para a próxima época e são muitas as novidades que poderá trazer para Portugal e não só. Primeiro que tudo, há que salientar que, tendo em conta o sexto lugar que Portugal ocupa no ranking da UEFA, o primeiro e segundo classificado vão manter os seus lugares diretos na fase de grupos da Champions League, enquanto que o terceiro irá prosseguir para a terceira pré-eliminatória e posterior playoff de apuramento à prova milionária. As mudanças são relativas ao quarto, quinto e sexto classificado. O quarto lugar na Liga NOS passa a garantir um lugar na fase de grupos da Conference League (quando dantes era na Liga Europa), enquanto que o quinto assegura um lugar na terceira pré-eliminatória e posterior playoff da nova prova europeia e o sexto dá garantia de uma vaga na segunda pré-eliminatória.

Ora e a Liga Europa? A única vaga de Portugal para a segunda divisão europeia está guardada para o vencedor da Taça de Portugal. Caso o vencedor da prova seja uma das equipas que termine no pódio do campeonato, será o quarto classificado que terá o seu lugar na mesma. Fica então por avaliar se estas mudanças a nível das competições europeias beneficiam ou não os clubes portugueses.

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A nível de Champions, está tudo na mesma, até aí tudo bem. Agora, a Liga Europa vai ficar encurtada com a criação da Conference League, passando a incluir 32 equipas tal como a Champions, o que vai necessariamente implicar que a competição e o grau de dificuldade vão aumentar. Com apenas uma equipa portuguesa por edição na prova (isto assumindo que o terceiro classificado consegue o apuramento para a fase de grupos da Champions), seja qual for o clube que acabe por lá calhar, as probabilidades de passagem à próxima fase vão ser mais decrescidas, no entanto, isso poderá ser bom para que, à medida que a exigência suba também o rendimento desportivo seja mais elevado do que até agora. Outro ponto que é de salientar é o facto de os terceiros classificados de cada grupo da Liga Europa serem despromovidos automaticamente para uma eliminatória contra os segundos classificados de cada grupo da Conference, o que em caso de vitória, dá acesso aos oitavos de final da terceira divisão europeia. Mais uma boa notícia, portanto, para um cenário onde a fase de grupos da Liga Europa corra mal ao clube luso, que ao contrário dos anos anteriores, poderá manter-se nas competições europeias mesmo não acabando nos dois primeiros lugares do seu respetivo grupo na Liga Europa.

Chegando agora onde interessa, qual é o verdadeiro motivo para sorrir com a criação desta Conference? A resposta é, nada mais nada menos, o facto de que vários clubes passarão a ter a oportunidade de ganhar a tão necessária “estaleca” para as competições europeias, uma vez que irão enfrentar emblemas que, apesar de serem na sua maioria de uma qualidade inferior à que encontrariam na Liga Europa, continuam a ter suas mais-valias e serão bons adversários para testar a profundidade dos plantéis, averiguar a habituação de jogadores que não estão acostumados a jogar num cenário que não seja em solo nacional e para uma subida de qualidade dentro destes nossos clubes, que terão de ter em conta a participação na nova prova europeia dentro da sua planificação de pré- época. Sem esquecer o mais importante, com a criação desta Conference, Portugal e o seu ranking agradecem porque se há coisa que os clubes portugueses (inclusive os que não pertencem aos ditos três grandes, que já nos mostraram vezes sem conta que se conseguem agigantar e deixar Portugal orgulhoso na Europa) já demonstraram, é que existe muito potencial dentro da nossa “pequena” Liga NOS para se mostrar na Europa.

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Se a Conference League já tivesse entrado em vigor esta época e tendo em conta que foi o FC Porto que venceu a edição da Taça de Portugal da temporada passada, o SC Braga (caso passasse a pré- eliminatória e o playoff) acompanharia o FC Porto e o Benfica na Champions, enquanto que o Sporting teria um lugar garantido na Conference e o Rio Ave e o Famalicão teriam que passar as pré-eliminatórias para fazer companhia aos leões na prova. É certo que o clube de Alvalade deixou a desejar ao ser eliminado precocemente da possibilidade de estar na Liga Europa deste ano pelo LASK Linz, mas com uma pré-época já pensada com a participação na Conference, alguém duvida de que os pupilos de Amorim teriam qualidade para ir longe na prova, contribuindo com valiosos pontos no ranking para o nosso país e, claro, com recompensas monetárias para os seus cofres? O Famalicão seria uma incógnita nas competições europeias devido ao seu historial inexistente na Europa e no facto de apenas ter um ano de competição no principal escalão português, mas se o Arouca conseguiu surpreender uma turma como a do Olympiacos em 2015, o que é o que impediria os famalicenses de fazer o mesmo nas pré-eliminatórias e numa eventual fase de grupos? O próprio Rio Ave, ainda nesta época, superou o Besiktas e esteve a uma “unha negra” de eliminar o gigante europeu AC Milan das competições europeias em plena Vila do Conde, é tão difícil acreditar numa eventual passagem da turma de Mário Silva para a fase a eliminar na prova?

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Sonhar não paga imposto, é verdade, mas se as equipas portugueses já nos ensinaram algo, é que têm mais do que qualidade suficiente para se imporem na Europa e, com esta adição da Conference League, essa possibilidade ganha ainda mais força. As circunstâncias são fundamentais, os sorteios também, mas nada impede que as equipas que normalmente apenas conseguem sonhar com uma participação, mesmo que breve, na Liga Europa possam começar a ganhar mais estatuto europeu, mais argumentos financeiros e, acima de tudo, uma (ainda) maior qualidade dentro das suas fileiras. Em suma, a criação da UEFA Conference League aparenta ser uma excelente notícia para os clubes do nosso país e isto numa altura onde começa-se a sonhar, aos poucos, com uma eventual ultrapassagem lusa à França no ranking da UEFA. Veremos o que esta “conferência” irá trazer…

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Alexandre Dionisio

Desde pequeno fui levado ao mundo do futebol, inicialmente enquanto júnior no Ginásio Clube de Alcobaça, clube da minha cidade, e agora mais velho enquanto espetador assíduo do mágico desporto que tanto nos emociona. Com uma licenciatura em Ciências da Comunicação na bagagem e um mestrado em Jornalismo em curso, acompanho cada jogo com a máxima emoção. Que isso nunca mude.