Quando o Celtic Park está ao rubro, o Barça é que paga

4ª jornada do Grupo G da Liga dos Campeões de 2012/13. Celtic vs Barcelona em solo escocês. O resto da história você já deve ter ouvido falar, mas nunca é demais recordar este jogo histórico. 

Os gigantes da Catalunha chegavam à Escócia para defrontar a modesta equipa do Celtic. Com Tito Vilanova ao comando da equipa Blaugrana, o ADN  de Pep Guardiola ainda estava bem presente no jogo de Messi, Xavi, Iniesta e companhia.

Os quase 59 mil espectadores que enchiam as bancadas do estádio do Celtic viram a sua equipa começar com nomes que, posteriormente, ficaram internacionalmente reconhecidos, como por exemplo Fraser Forster, Lustig e Wanyama. Do lado do Barça, a história era outra, mesmo com várias mexidas na equipa, o onze inicial contava com nomes incontornáveis do futebol mundial como Messi, Dani Alves, Xavi, Alexis Sánchez, Iniesta, Jordi Alba, etc.

Começou a partida e aconteceu o esperado, um jogo apenas jogado no meio campo do Celtic. O Barça foi para cima e imprimiu o seu estilo e ritmo de jogo bem característicos. O que é certo é que o golo não aparecia, muito por culpa de um Forster que apontava para uma noite mágica. Perto dos 20 minutos, numa das raras incursões do Celtic ao meio campo adversário, os The Hoops conseguiram um canto e, na sequência desse canto, Wanyama, de cabeça, meteu a bola no fundo das redes de Victor Valdés. 1-0 para os da casa e o Celtic Park ia à loucura.

Depois do golo, o jogo voltou a tomar o rumo natural. Barcelona sempre por cima e o Celtic ia se defendendo como podia e, quando não se conseguia defender, estava lá o poste para ajudar. O árbitro apitou para o intervalo e o Celtic ia surpreendendo o mundo do futebol.

A segunda parte começou e adivinhe? O Barcelona continuava a encostar às cordas a equipa da casa. Cruzamentos, remates fora de área, livres, cantos, remates de cabeça, tudo era experimentado e nada funcionava. Era um dia não para os culés, ou, se preferir, um dia sim para os escoceses.

Perto do minuto 83, após um livre de Lionel Messi, defendido por Forster, o guardião inglês bateu longo na frente e a bola acabou por encontrar Tony Watt, recém entrado, que ficou cara a cara com Victor Valdés e não desperdiçou. Sem tremer, Watt fez 0 2-0 e dilatou a vantagem no marcador. Choque total no estádio e no mundo, a hipótese do Celtic bater o todo poderoso Barcelona era cada vez mais uma realidade.

O que parecia quase impossível aconteceu, o Barcelona carregou cada vez mais. Os laterais já eram uns autênticos extremos e os defesas centrais ocupavam posições normalmente destinadas ao médios. Água mole em pedra dura tanto bate até que fura e, como Forster também não é de ferro, lá o astro argentino conseguiu meter uma bola no fundo das redes do guarda redes inglês. O golo dos visitantes de pouco ou nada serviu e de pouco ou nada abalou os festejos da casa, que estavam mais do que eufóricos.

O árbitro apitou para o final da partida e história foi feita. Com apenas 11% de posse de bola e pouco mais do que 150 passes feitos realizados em toda a partida, contrariando os 89% de posse de bola e os quase 1000 passes registados dos catalães, o Celtic venceu por 2-1 o Barça, numa autêntica batalha de David contra Golias. Certamente, pelas cabeças dos jogadores e apoiantes dos escoceses, passava pela cabeça frases semelhantes às proferidas por Mourinho recentemente: “Se tem mais posse de bola, eles que fiquem com a bola que eu fico com os três pontos”.

 

 

Fonte das imagens: BBC Sports e SkySports

Alexandre Ribeiro

Nascido e criado na ilha Terceira, nascido e criado para o futebol. Desde cedo aprendi, vivi e vibrei com o desporto rei. A licenciar-me em Ciências da Comunicação na FCSH da Universidade Nova de Lisboa. Com o futebol e a escrita espero proporcionar um espectáculo fora das 4 linhas para todos aqueles que partilhem o gosto pela bola e pelos seus artistas.