Quem te viu e quem te vê… Daniel Sturridge

No Quem te viu e quem te vê desta semana, o destaque está em Daniel Sturridge, a prova viva de que a carreira futebolística, por mais talento que o jogador tenha, consegue ser afetada de forma irreversível quando as lesões e as más decisões se conjugam para compôr um cenário negro.

Daniel Sturridge começou a carreira nos escalões de formação do Manchester City, estreando-se pela primeira vez na longínqua época de 2007/08. Com as oportunidades na equipa principal a serem escassas, o jovem avançado destacou-se ao serviço dos juniores dos citizens, sagrando-se o melhor marcador do ano na FA Youth Cup.  No ano seguinte, já desfrutou de mais oportunidades na Premier League, participando em 26 jogos e marcando quatro golos, na altura com apenas 19 anos de idade. Acabou a temporada sendo eleito o Jovem Jogador do Ano no clube, sendo muito elogiado por Mark Hughes, treinador do City no período em questão, que considerou que Sturridge tinha um potencial soberbo para chegar ao estrelato e que seria uma das caras do futebol inglês na década seguinte.

Apesar de tudo apontar para que o seu futuro fosse brilhante, o jovem avançado não viu o Manchester City renovar o seu contrato em 2009. Desta forma mudou-se para Londres, assinando pelo Chelsea. No entanto, o clube blue não tinha uma política muito favorável à aposta na formação, com Sturridge a fazer apenas 20 aparições ao longo da época 2009/10, apontando cinco golos, sendo principalmente utilizado na FA Cup. No ano seguinte, o cenário continuava a não mostrar alterações, pelo que o jogador acabou emprestado na segunda metade da temporada para o Bolton Wanderers, clube que na altura militava no principal escalão inglês. Pelo Bolton, Sturridge pegou de estaca sempre que foi chamado a campo e acabou a sua passagem no clube com um excelente registo de oito golos em 12 partidas disputadas.

Fonte da imagem: manchestereveningnews.co.uk

Na temporada 2011/12 e ao leme de André Villas-Boas, o Chelsea finalmente decidiu apostar em Daniel Sturridge. 43 jogos, 13 golos e uma medalha de vencedor da Champions League (foi suplente não-utilizado na final) depois, o avançado finalmente começava a ganhar reconhecimento em Stamford Bridge. O problema é que foi depois da primeira época em que ganhou destaque que começou a surgir o aspeto que viria a definir a sua carreira: lesões constantes. Tendo passado grande parte da época no departamento clínico, o inglês apenas marcou presença em 12 encontros na segunda metade da época, o que acabaria por condicionar a sua afirmação no onze do Chelsea.

Em 2012, seguiu-se uma nova mudança para um outro “grande” do futebol inglês, com Sturridge a ingressar no Liverpool por uma verba a rondar os 13 milhões de euros. Na sua primeira temporada, acumulou apenas 16 presenças, devido a novos problemas físicos, mas quando esteve em campo conseguiu demonstrar muita qualidade e acima de tudo, muita apetência para inserir a bola dentro das redes adversárias, marcando 11 golos. Até 2016, foi muito este o cenário em volta de Sturridge pelos reds: muita qualidade dentro de campo, mas pouca consistência e regularidade nas suas aparições devido a constantes problemas físicos… Ao longo dos anos, foi perdendo o seu lugar no onze titular da equipa e, com a chegada de Jürgen Klopp ao clube inglês, a sua condição de suplente crónico para o lugar de Roberto Firmino ficou bem assente aos olhos dos adeptos.

Fonte da imagem: punditarena.com

Desta forma, Sturridge nunca conseguiu participar em mais do que 30 jogos por época em Anfield de 2014 a 2019. Ainda passou meia época emprestado ao West Bromwich Albion em 2017/2018, mas nem aí conseguiu ganhar muitos minutos em campo (apenas seis jogos e zero golos). Até aqui a história de Sturridge não é algo que, infelizmente, os adeptos de futebol não estejam habituados a testemunhar, um jogador que prometeu muito em jovem, que sempre demonstrou ter qualidade para ser uma estrela num clube grande, mas que viu o seu potencial ser comprometido pelas lesões… O pior é que o inglês ainda conseguiu ter uma última reviravolta negra na sua carreira que, até ver, poderá ser a razão decisiva que o fará abandonar a ribalta do futebol de forma permanente.

A última temporada que passou em Anfield foi em 2018/2019 e, apesar da utilização irregular, ainda acumulou 27 aparições, quatro golos e uma medalha de vencedor da Champions League, a segunda da sua carreira. Sturridge decidiu então mudar completamente de ares e mudar-se para o Trabzonspor, da Turquia. O problema foi ter tomado uma decisão enquanto ainda estava ao serviço do Liverpool que transformou o que deveria ter sido uma transferência saudável para a sua carreira num autêntico pesadelo… O avançado concedeu informações privilegiadas ao seu irmão relativamente à sua transferência enquanto ainda era jogador dos reds e acabou impedido de jogar durante quatro meses pela Federação Inglesa de futebol. Desta forma, a sua aventura em solo turco acabou por ficar também encurtada, isto porque o Trabzonspor rescindiu com o jogador mal a suspensão foi confirmada, após Sturridge ter alinhado por apenas 16 vezes pelo emblema (sete tentos apontados).

Fonte da imagem: talksport.com

Daniel Sturridge, hoje com 31 anos, mantém-se desempregado desde março de 2020. A sua carreira começou como uma das mais promissoras do futebol inglês e, apesar das lesões terem sido um grande entrave à sua afirmação no mesmo, ainda conseguiu desfrutar de várias épocas de qualidade, com destaque para 2013/14, onde conseguiu demonstrar o pico da sua qualidade, apontando uma excelente marca de 25 golos em 33 jogos, fazendo uma temível parceria com Raheem Sterling e Luis Suárez no ataque red. No entanto, aos problemas físicos terá-se juntado a frustração pela falta de sorte e de oportunidades e, depois, uma simples má decisão acabou por frustar uma ida para o estrangeiro que tinha tudo para o beneficiar e , até ao momento, obrigou a uma pausa no futebol que se mantém sem fim à vista. Assim se explica a queda de Daniel Sturridge no que toca ao futebol e, apesar de o jogador ainda ir a tempo de dar a volta à sua carreira, quanto mais tempo passar sem encontrar colocação, menor é a possibilidade de isso alguma vez vir a acontecer.

Fonte da imagem de capa: goal.com

Alexandre Dionisio

Desde pequeno fui levado ao mundo do futebol, inicialmente enquanto júnior no Ginásio Clube de Alcobaça, clube da minha cidade, e agora mais velho enquanto espetador assíduo do mágico desporto que tanto nos emociona. Com uma licenciatura em Ciências da Comunicação na bagagem e um mestrado em Jornalismo em curso, acompanho cada jogo com a máxima emoção. Que isso nunca mude.