Históricos: o dia em que os arsenalistas venceram contra o… Arsenal

No “Históricos” desta semana, recordamos a mais gloriosa noite do SC Braga na Liga dos Campeões.

Como se sabe, “arsenalista” é uma alcunha bastante popular do SC Braga e esta remete diretamente para o Arsenal FC. Joseph Szabo, antigo treinador dos bracarenses, que, na altura, equipavam de verde e branco como o Sporting, realizou um estágio com o clube inglês e ficou encantado com as suas cores, sugerindo que a sua equipa as adotasse, pedido este que foi aceite, tendo o conjunto passado a ser conhecido como Arsenal do Minho ou arsenalistas.

Ora, na temporada 2010/11, os minhotos somavam a sua primeira participação de sempre na fase de grupos da Liga dos Campeões e tiveram a oposição de Partizan, Shakhtar Donetsk e… Arsenal, tendo estes dois encontros sido os primeiros e, até agora, únicos jogos entre estes dois emblemas.

Findadas as primeiras quatro rondas da competição, os portugueses encontravam-se em terceiro lugar, com seis pontos, fruto de duas vitórias frente aos sérvios (nos outros jogos, perderam 6-0 com os gunners e 0-3 diante do Shakhtar), enquanto que ucranianos e ingleses dividiam a liderança com nove pontos cada.

Assim, na quinta jornada, os arsenalistas necessitavam de receber e bater os londrinos para, realisticamente, manter vivo o sonho do apuramento para a fase seguinte. Já os visitantes só precisavam de empatar para carimbar a passagem para os oitavos de final.

Os titulares escolhidos por Domingos Paciência foram o guardião Felipe, quarteto defensivo constituído por Elderson, Moisés, Alberto Rodríguez e Miguel Garcia, setor intermédio composto por Leandro Salino, Vandinho e Luis Aguiar, alas ocupadas por Matheus e Alan e ataque entregue a Lima.

Do outro lado, Arsène Wenger apostou em Fabianski entre os postes, Gibbs, Djourou, Squillaci e Eboué no bloco mais recuado, Denílson, Fàbregas e Wilshere no centro do terreno, Rosicky e Walcott nas alas e Bendtner a ponta de lança. De realçar que o técnico francês optou por deixar no banco nomes como Szczesny, Sagna, Koscielny, Alex Song e Nasri e nem sequer convocar Clichy, Van Persie ou Arshavin, exclusões que indicam que este talvez tenha subestimado os gverreiros.

Apesar de a Pedreira não ter vislumbrado o Arsenal na sua força máxima, este foi, ainda assim, superior à equipa da casa no primeiro tempo, detendo a maioria da posse de bola, ditando o ritmo de jogo, anulando a esmagadora maioria das iniciativas ofensivas bracarenses e chegando com algum perigo à baliza.

As principais ameaças dos forasteiros foram um livre à entrada da área batido por Fàbregas para boa defesa de Felipe, um remate de Djourou ao lado na sequência de um canto, um lance no qual o guardião brasileiro se adiantou a Walcott, que surgia isolado, e ainda uma tentativa transviada deste extremo. Do outro lado, um disparo potente e distante de Lima que passou perto do alvo foi o único ataque perigoso produzido.

No entanto, na segunda metade os papéis inverteram-se. Embora tenham continuado a ter mais bola que os oponentes, os pupilos de Wenger diminuíram consideravelmente a quantidade e qualidade ofensiva, em grande parte devido à maior pressão do Braga.

A única ameaça do Arsenal acabou por surgir, novamente, sob a forma de um livre direto, desta vez cobrado por Walcott, que saiu um pouco por cima. Já Luis Aguiar, através de um remate rasteiro muito próximo do poste, deixou o aviso do que viria a acontecer posteriormente.

No minuto 83, Élton, (havia entrado para o lugar de Lima dois minutos antes) aproveitando a vantagem numérica por Eboué se ter lesionado após terem sido feitas todas as substituições, com um notável passe longo, isolou Matheus, que foi mais rápido que os defesas e, na cara de Fabianski, não tremeu e fez as redes abanar.

Porém, o extremo não se ficou por aqui. No último minuto de compensação, com a equipa inglesa quase toda no ataque, Matheus recuperou a bola ainda na linha do meio campo e, com velocidade, chegou à área, com técnica, fintou os adversários e, com precisão, disparou ao ângulo da baliza, tendo a bola ainda tocado na barra antes de entrar. Golaço brilhante a sentenciar a queda do colosso londrino.

Infelizmente, o Braga acabou no terceiro lugar do grupo e, por isso, fora da Liga dos Campeões, já que, na última jornada, perdeu com o Shakthar. Todavia, esta campanha deixou uma excelente imagem dos gverreiros e do futebol português em geral e, das duas presenças que estes já tiveram na prova milionária, esta vitória frente à equipa que serviu de inspiração para o seu equipamento foi, sem dúvida, a mais impressionante.

 

Fontes das Imagens: Arsenal Pics e Twitter @SCBragaOficial

Simão Vitorino

Nasci e cresci em Vila Franca de Xira e estou atualmente a tirar uma licenciatura em Ciências da Comunicação na faculdade NOVA FCSH com o objetivo de me tornar jornalista desportivo no futuro, profissão que une duas grandes paixões minhas - o futebol e a escrita.