Quem te viu e quem te vê… Alessio Cerci

No Quem te viu e quem te vê desta semana, as atenções estão viradas para Alessio Cerci, um internacional italiano que já marcou presença em alguns dos maiores emblemas europeus, mas que hoje em dia é apenas um nome como tantos outros que estão presentes nos escalões mais inferiores da Itália.

Alessio Cerci começou o seu percurso futebolístico na AS Roma, emblema pelo qual assinou o seu primeiro contrato profissional em 2004, com apenas 16 anos. Com as oportunidades na equipa principal a serem reduzidas, o jovem extremo foi emprestado ao Brescia com 18 anos, que na altura era uma equipa que participava na segunda divisão transalpina. Nesse empréstimo, Cerci foi principalmente utilizado a partir do banco mas desfrutou ainda de umas boas oportunidades para se mostrar, alinhando por 23 ocasiões. O seu primeiro golo, no entanto, só viria na época seguinte e de novo num período de cedência a uma equipa da Serie B, com a camisola do Pisa. Esse empréstimo, em 2007/08, revelou-se bastante frutífero para o extremo de 19 anos, que mostrou um potencial tremendo para se vir a destacar num grau de dificuldade superior. 10 golos e sete assistências em 28 aparições depois, Cerci mostrava-se preparado para trazer a sua qualidade para os grandes palcos italianos.

Fonte da imagem: pisanews.net

No ano seguinte, seguiu-se mais um empréstimo, desta vez na prestigiosa Serie A. Cerci foi cedido à Atalanta. No entanto, esta não foi a temporada ideal que o jovem extremo certamente ambicionava que sucedesse. Várias lesões impediram uma utilização regular, com Alessio apenas a ter hipóteses de aparecer em 14 partidas, sem qualquer tento apontado. Seguiu-se um retorno para a equipa-mãe, desta vez com a possibilidade de participar em 19 encontros pelos gladiadores. O jogador conseguiu despertar a atenção da Fiorentina, que gastou quatro milhões de euros para o contratar. Cerci passaria apenas dois anos em Florença, apontando um registo semelhante em ambos, quase 30 aparições e oito golos marcados. A sua relação com a massa adepta nunca foi consensual, devido a situações em que o jovem foi acusado de ostentar as suas posses e de demonstrar demasiado interesse em sair à noite.

De seguida, veio uma mudança para Turim na época 2013/14. Alessio Cerci, a troco de dois milhões e meio de euros, reforçou o Torino, no que viria a ser o período em que o extremo ganharia a maior produtividade da sua carreira.  21 golos em 73 jogos ao longo de duas épocas, tendo ainda sido o maior assistente da Serie A na sua última temporada, com 11 assistências. O resultado desta forma notável? Uma mudança para o Atlético Madrid por um valor a rondar os 16 milhões de euros, numa altura onde Cerci teve ainda oportunidade de se estrear com a camisola da sua nação, com o jogador a ter feito um total de 14 jogos (incluindo uma oportunidade de participar no Mundial 2014) na sua carreira.

Fonte da imagem: https://en.atleticodemadrid.com/galerias/alessio-cerci

Infelizmente para o italiano, a sua melhor fase já teria passado por si. Com a camisola colchonera, alinhou por apenas nove vezes e apontou apenas um golo em 2014/15, tendo sido emprestado na segunda metade da época ao AC Milan, emblema pelo qual desfrutou do dobro da utilização, mas a exata mesma produtividade em termos goleadores… Na época seguinte o cenário foi ainda mais desanimante, novos empréstimo ao Milan e Génova, um total de 26 jogos e apenas quatro golos, nenhum deles em San Siro. Apesar de custar a acreditar, a próxima época foi um pesadelo ainda maior, com Alessio Cerci a ficar sem competir durante, praticamente, a totalidade da época na capital espanhola (marcou presença em apenas dois encontros, não apontou qualquer tento).

A temporada 2017/18 significou um retorno definitivo de Cerci (já com 29 anos) a Itália, para representar o Hellas Verona. No entanto, a sua passagem por Espanha terá marcado o jogador de forma tão negativa que este nunca mais voltou a ser o mesmo, tendo vindo a decrescer o nível de competição desde aí. Em Verona, voltou a aparecer em pouco mais de 20 partidas, com o seu rendimento a voltar a não ter nada a haver com o que apresentou com o Torino, com apenas três golos.

Fonte da imagem: zimbio.com

Cerci decidiu então mudar completamente de ares e transferir-se para a Turquia no ano passado, mais concretamente para o Ankaragücü. Esta transferência seria uma curtíssima melhoria para o jogador que, apesar de ter figurado em apenas 16 jogos, conseguiu mostrar um rendimento desportivo apresentável quando entrou em campo, tendo apontado cinco golos na sua passagem de apenas um ano por terras turcas.

Hoje em dia, faz impressão pensar em como a carreira de Alessio Cerci nunca mais voltou a ser a mesma e apenas soube ter um sentido decrescente desde a transferência para o Atleti, que deveria ter sido um salto para o estrelato do futebol. Na presente temporada, Alessio Cerci (hoje com 33 anos) compete na terceira divisão italiana, a Serie C. O seu clube? O modesto Arezzo… E engane-se quem pensaria que um jogador que já atuou por emblemas como o Atlético de Madrid, Milan e Torino haveria de ter toda a facilidade em se afirmar neste patamar mais acessível… Em 2020/21, Alessio Cerci participou em apenas 3 jogos, com zero golos para mostrar. Uma realidade impensável em 2013/14 e 2014/15, em que o italiano era um dos maiores jogadores em destaque nos campeonatos europeus.

Alessio Cerci é atualmente mais um nome esquecido e perdido no meio de tantos outros que participam na Serie C. Se existe alguma forma de o extremo voltar à forma e ribalta que já demonstrou antes? Costuma-se dizer que no futebol não há impossíveis, mas até o adepto mais otimista terá dificuldades em acreditar que Cerci alguma vez mais marcará sequer presença num clube “com nome” . Mais uma prova de que nem sempre uma transferência de altos valores para um gigante europeu significa que o trajeto seguinte será necessariamente positivo…

Fonte da imagem de capa: https://www.pianetamilan.it/news-milan/ultime-notizie/calciomercato-cerci-addio-storia-di-un-flop-rossonero/

Alexandre Dionisio

Desde pequeno fui levado ao mundo do futebol, inicialmente enquanto júnior no Ginásio Clube de Alcobaça, clube da minha cidade, e agora mais velho enquanto espetador assíduo do mágico desporto que tanto nos emociona. Com uma licenciatura em Ciências da Comunicação na bagagem e um mestrado em Jornalismo em curso, acompanho cada jogo com a máxima emoção. Que isso nunca mude.