Históricos: O terceiro troféu internacional consecutivo para “La Roja”

Líder do ranking da FIFA e Campeã do Mundo, foi natural que a seleção de Espanha entrasse como uma das favoritas ao título do Europeu de 2012. Um favoritismo que se veio a comprovar com a vitória frente à Itália. 

O Europeu de Futebol de 2012 foi realizado na Polónia e na Ucrânia entre junho e julho de 2012. A seleção espanhola qualificou-se facilmente para o europeu, oito vitórias em oito jogos, a seleção dizimou o seu grupo constituído pela República Checa, Escócia, Lituânia e Liechtenstein. Praticamente com a mesma equipa vencedora do Mundial de 2010 e com o seu estilo de jogo que  elegia uma rápida troca de bola, mais precisamente, tiki-taka, a equipa liderada por Vicente Del Bosque ficou no grupo C da competição, sendo os seus adversários Itália, Croácia e Irlanda do Norte.

O primeiro jogo do grupo ditou o confronto entre Itália e Espanha, uma espécie de antevisão da final da competição, semelhante a um Europeu de 2004.  O resultado foi um empate a um igual, nos outros jogos a seleção conseguiu vitórias fáceis, 4 a 0 frente à Irlanda do Norte, 1 a 0 frente à Croácia. Com estes resultados, a seleção Roja  ficou em primeiro lugar no grupo C.

Seleção Espanhola, 2012
Seleção Espanhola, 2012 Créditos da Imagem: http://aloneinmonlight.blogspot.com/

Com uma qualificação fácil, a la Roja apanhou nos quartos de final uma remodelada França. Com dois golos de Xabi Alonso a seleção venceu facilmente os gauleses.

Na semifinal aconteceu o que muitos não queriam, e quando falo de muito falo de nós, os portugueses. Um duelo ibérico e tenso contra a seleção liderada por Paulo Bento. Um encontro renhido, que acabou aos 90 minutos com um nulo. No prolongamento não existiram golos, o que forcou o encontro a ir a penaltis. A seleção nacional não foi feliz, apesar de Xabi Alonso ter falhado a marcação dos 11 metros, João Moutinho e Bruno Alves também falharam, ficando assim o resultado de 2-4 favorável à seleção espanhola. Com este resultado, a convicção que a seleção portuguesa iria chegar a outra final, esmoronou.  Os nuestros hermanos tinham conseguido aquilo que não conseguimos e estavam na final do europeu de 2012.

Na final a equipa espanhola apanhou como seu adversário uma surpresa, a Itália, equipa que tinha sido eliminada na fase de grupos no Mundial de 2010. Uma equipa bastante modificada passados 2 anos, liderada por Cesare Prandelli, a equipa Italiana tinha empatado com a Croácia na fase de grupos e venceu a Irlanda do Norte por 2-0, o que permitiu passar de grupo em 2º lugar. Nos quartos de final a seleção apanhou pela frente uma super Inglaterra e passou apenas nos penaltis. Nas meias finais a Alemanha foi o seu adversário, Balotelli já estava a fazer um grande europeu e este jogo só veio a confirmar isso mesmo, com dois golos marcados a seleção passou à final, sonhando assim com a vitória frente à Espanha.

Seleção de Itália, 2012
Seleção de Itália, 2012 Créditos da Imagem: https://www.rtve.es/

Embora fosse um duelo entre seleções fortíssimas, a Espanha levava a vantagem pela fase que vivia e pelo talento dos seus jogadores, principalmente pelo seu trio “barcelonista”, Busquets, Xavi e Iniesta, além de nomes como David Silva, Fàbregas, Xabi Alonso e o guarda-redes Casillas, que raramente sofria golos, apenas concedeu um frente à Itália no primeiro jogo.

A seleção italiana amparava-se na boa forma de Balotelli, Pirlo, na segurança de Buffon e na história, pois a seleção não perdia em jogos oficiais com a Espanha há 92 anos.

Vicente Del Bosque apostou para a final num esquema de jogo pouco convencional, três medios ofensivos sem nenhum ponta de lança, já que Fernando Torres não estava a convencer. David Silva, Fàbregas e Iniesta tiveram a missão de criar jogadas atacantes. No lado da Itália, Prandelli colocou Balotelli ao lado de Cassano no ataque, deixando Pirlo mais recuado e Chiellini na lateral esquerda do campo.

Para muitos o futebol da Espanha, era visto como chato e pouco amoroso, mas a decisão do tiki-taka foi essencial para a seleção sair vitoriosa. Dominando a posse de bola, toques envolventes e lançes de contra ataque letais, a equipa começou o jogo envolvendo a Azzurra em lances perigosos . Com uma cabeçada de Sergio Ramos após um canto aos 6 minutos, um remate de Xabi após uma tabela com Fàbregas as 9 minutos, a seleção Roja mostrou-se muito ofensiva logo no início do jogo.

A Itália tentava através de Pirlo criar algumas ocasiões de perigo, contudo remates de longa distancia que acabavam nas mãos de Casillas ou fora do terreno de jogo. Aos 14 minutos de jogo, a Espanha chegou ao primeiro golo. Numa jogada trabalhada por Silva, Arbeloa e Iniesta, o esférico chegou a Fàbregas que pelo lado direito, cruzou e David Silva cabeceou para o fundo das redes.

Primeiro golo da Espanha. Créditos da Imagem: Alex Livesey

A seleção transalpina tentou uma resposta através de uma bola parada cobrada por Pirlo, contudo sem concretizar. Aos 19 minutos de jogo Chiellini lesionou-se e foi substituido por Balzaretti, o que levou a que a seleção de Itália procura-se mais um jogo ofensivo.

Jordi Alba a comemorar o segundo golo da equipa Espanhola. Créditos da Imagem: Alex Livesey

A Itália estava a dominar a posse de bola, mas não conseguia fazer um golo, e quem não marca…sofre. Decorria o minuto 41 quando Jordi Alba passou a Xabi, fazendo um compasso de tempo para que Alba se desmarcasse, o médio fez um passe a rasgar a defesa italiana e Jordi Alba rematou para o fundo das redes, estava feito o 2 a 0.

No início da segunda parte Prandelli colocou Di Natale no lugar de Cassano, numa tentativa de criar ocasiões de golo. Logo no primeiro minuto da segunda parte a substituição compensou, já que Di Natale cabeceou com perigo. Praticamente toda a segunda parte contou com ocasiões de perigo por parte das duas seleções, uma final digna de se ver e apreciar.

A Itália reduzida a 10 homens, já que Thiago Motta tinha entrado e passado 5 minutos saiu do terreno numa maca, sem mais substituições para fazer a equipa Italiana ficou desolada e a jogar com menos um jogador.

A Espanha com mais um homem em jogo aproveitou, Fernando Torres tinha entrado há pouco tempo e num lance rápido, frente a Buffon, El Niño não desperdiçou, tornando-se assim, o primeiro jogador a marcar em duas fases finais do Europeu.

Frenando Torres a marcar o terceiro golo. Créditos da Imagem: Alex Livesey

O vencedor já estava encontrado, mas Del Bosque ainda mexeu, colocou Juan Mata no lugar de Iniesta, e que mudança esta. Passado dois minutos, o substituto marcou o quarto golo da partida, garantido assim mais um recorde, o maior resultado de uma final em toda a história em Europeus.

E mais, um 4 a 0 frente à Itália, sempre fortíssima defensivamente, tetracampeã mundial, um adversário gigante e respeitado que simplesmente saiu destroçado naquela final.

A Espanha garantiu assim o Europeu de 2012, somando o segundo título consecutivo, já que tinha ganho o Mundial de 2010. A seleção mais vitoriosa do século XXI, uma seleção que não precisou de pontas de lança no 11 inicial para se sagrar campeã.

 

Créditos da Imagem de capa: https://pt.uefa.com/uefaeuro/match/2003351–spain-vs-italy/postmatch/report/?referrer=%2Fuefaeuro%2Fseason%3D2012%2Fmatches%2Fround%3D15175%2Fmatch%3D2003351%2Fpostmatch%2Freport%2Findex

João Simões

Desde pequeno que sempre me incutiram um grande amor e gosto pelo “Desporto Rei”. Comecei a dar uns toques em pequeno mas agora dedico-me arduamente a seguir e a acompanhar o futebol, com um olho na bola e o outro no papel, acabei por me licenciar em Ciências da Comunicação pela Universidade da Beira Interior e atualmente estou no Mestrado de Jornalismo. Que este amor pelo FUTEBOL nunca morra.