Lembra-se de Miguel, o velocista do flanco direito das Quinas?

Esta semana recordamos Luís Miguel Brito Garcia Monteiro, mais conhecido no mundo do futebol como apenas Miguel. O português foi durante vários anos o lateral de eleição das Quinas, com a sua velocidade, grande capacidade atlética e preponderância para o ataque a serem aspetos que ainda hoje são dos mais valorizados no lateral moderno de elite.

Miguel nasceu em Lisboa no dia quatro de janeiro de 1980, tendo feito quase toda a sua formação em clubes da capital portuguesa, inicialmente como extremo até ter sido gradualmente adaptado a lateral. Teve passagens pelo Sporting, Alverca, Loures, Olhanense e por fim Estrela da Amadora, clube pelo qual haveria de se estrear como sénior pela primeira vez em 1999 com 19 anos, num encontro entre o Estrela e o Boavista para a Primeira Liga que haveria de terminar com uma derrota por duas bola a uma. Na época seguinte (1999/00), afirmou-se de estaca na Reboleira, participando em 30 partidas e desempenhando um papel fundamental numa boa temporada do seu clube – o Estrela da Amadora terminou na oitava posição do campeonato. O Benfica virou as atenções para o talentoso lateral e, no verão de 2000, este seguiu para um clube que na altura não estava, nem de perto nem de longe, a passar por um dos melhores momentos da sua história.

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O português não demorou muito a impôr-se no onze encarnado, tendo começado a atuar como um médio interior direito até eventualmente ser utilizado na sua posição de raiz, a de lateral direito. Na sua primeira época, foi treinado por três técnicos diferentes: Jupp Heynckes, José Mourinho e Toni, numa temporada que, com certeza, será das mais trágicas da memória dos adeptos encarnados… Sexto lugar no campeonato, eliminação nos oitavos de final da Taça de Portugal, com ainda o Benfica a ser eliminado da Taça UEFA na primeira ronda pelos suecos do Halmstads por um agregado de quatro a três. Para o lateral, ao menos, sempre deu para este se habituar melhor aos seus arredores e destacar-se com a camisola das águias, atuando em 26 encontros e apontando dois golos.

Na época seguinte e com mais mudanças a nível técnico (Toni e depois Jesualdo Ferreira orientaram o emblema), o seu registo individual melhorou ainda mais. 29 jogos e seis golos, numa temporada desportiva que infelizmente para si e para o Benfica, voltou a não ser de sorrisos em termos de conquistas: quarto lugar no campeonato e eliminação na quinta ronda da Taça de Portugal aos pés do Marítimo… Em 2002/03, Miguel voltou a ser um membro indispensável para a turma da Luz, mas os troféus continuavam a uma distância considerável, apesar das melhorias notórias de ano para ano: as águias terminaram no segundo posto do campeonato, a 11 pontos de distância do hegemónico FC Porto liderado pelo Special One.

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Na temporada seguinte, o lateral teve direito a uma utilização alucinante, participando num total de 45 jogos e teve direito a que finalmente chegasse o seu primeiro título com a camisola do Benfica. A turma liderada por Camacho conquistou a prova-rainha do futebol luso diante do FC Porto, tendo vencido os dragões com uma vitória por dois a um que apenas foi consolidada em prolongamento, com um golo de Simão Sabrosa aos 104´. Miguel cumpriu os 120 minutos em campo e teve a oportunidade de festejar o primeiro grande troféu da sua carreira, ao qual se haveria de seguir outro ainda maior na temporada que se avizinhava (e que haveria, inclusive, de ser a sua última no Estádio da Luz).

A época de 2004/05 foi a última de Miguel em solo português. O português de 24 anos na altura voltou a ser um elemento de grande valor na turma encarnada, participando em 32 jogos e despediu-se da melhor forma que era possível: festejando a conquista do campeonato português pelo Benfica, quebrando um jejum que já se prolongava há 11 anos.

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No verão de 2005, Miguel despediu-se do Benfica, assinando pelo Valência a troco de sete milhões e meio de euros. Haveria de passar um total de sete anos no Estádio do Mestalla, tendo-se afirmando de imediato como um titular absoluto na equipa espanhola. O destaque da sua passagem pela terra de nuestros hermanos foi, claramente, a temporada 2007/08, em que foi uma peça fundamental para a conquista da Copa del Rey pelo emblema valenciano diante do Getafe, com o lateral a ter cumprido os noventa minutos no decisivo embate. De resto, é de ressalvar a sua consistência, isto porque no total das épocas em que fez parte do plantel che, só em uma fez menos de 30 jogos e essa temporada foi a última da sua carreira (e mesmo assim participou em 22 jogos).

Como seria de esperar, Miguel também pode se orgulhar de ter representado Portugal nas mais altas competições internacionais. Estreou-se pela primeira vez pela seleção das Quinas em 2003, num jogo frente à Itália e viria a completar um total de 59 partidas, tendo apontado um tento com a camisola lusa. Participou em dois Europeus e dois Mundiais, tendo tido maior preponderância nos torneios de 2004 e 2006, em que fez no total dos dois, 11 jogos. Ainda participou no Euro 2008 e no Mundial e no Mundial 2010, mas apenas fez uma aparição em cada um. Foi durante muito anos o lateral incontestável do flanco direito das Quinas, principalmente durante a era de Luiz Felipe Scolari.

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Um lateral moderno que estava à frente do seu tempo. O seu estilo era muito próximo do que hoje apresentam os nossos laterais direitos de eleição, seja Nélson Semedo, João Cancelo ou até Ricardo Pereira. Miguel era dotado de uma velocidade elevadíssima que o tornavam, de forma recorrente, num homem a mais em situações ofensivas, um físico invejável que se destacava pela capacidade de competir durante noventa minutos e mesmo assim nunca baixar o elevado ritmo de jogo. O que o destacava dos típicos laterais da altura era o seu “à vontade” para avançar em situações de ataque, que fazia com que o flanco direito onde atuava ficasse sempre com uma vantagem acrescida, o que permitia combinações perigosas com o extremo que estivesse à sua frente no terreno, sem a desvantagem de isso significar descompensações caso houvesse situações de contra-ataque, com a sua já falada velocidade a ser uma qualidade invejável nessa eventualidade. A sua qualidade e consistência são aspetos que ainda hoje perduram na memória, não só apenas dos adeptos encarnados, mas de todos os portugueses que tiveram oportunidade de o ver representar o nosso país ao mais alto nível nas mais prestigiosas competições internacionais.

Fonte da imagem: maisfutebol.iol.pt

Alexandre Dionisio

Desde pequeno fui levado ao mundo do futebol, inicialmente enquanto júnior no Ginásio Clube de Alcobaça, clube da minha cidade, e agora mais velho enquanto espetador assíduo do mágico desporto que tanto nos emociona. Com uma licenciatura em Ciências da Comunicação na bagagem e um mestrado em Jornalismo em curso, acompanho cada jogo com a máxima emoção. Que isso nunca mude.