Quem te viu e quem te vê: Helton

Deixou marca em dois gigantes, no Brasil e em Portugal. Tem um palmarés invejável, mas também ficou conhecido por jogar…de calças de fato de treino. Agora no seu  23º ano como profissional entre os postes, sabe o que é feito de Helton?

Helton da Silva Arruda, nascido em São Gonçalo, no Brasil, a 18 de maio de 1978. Começou a formação no São Cristóvão e terminou-a no Vasco. Foi pelos cariocas que o guardião iniciou a sua carreira, em 1999, representando o “Gigante da Colina” até 2002, ano em que fez as malas para rumar a Portugal.

Do Brasil, vinha com apenas 24 anos, mas trazia já, na bagagem, uma Copa Libertadores e um Campeonato Brasileiro. Foi pela porta do União de Leiria que aterrou no velho continente, onde começou de imediato a ser opção, no mesmo ano em que os rapazes do Lis atingiam uma histórica final da Taça de Portugal (perdida para o FC Porto), campanha esta que lhe valeu uma estreia nas competições europeias, logo na temporada seguinte.

Ao fim de três épocas em Leiria, Helton conseguiu o tão ambicionado salto para um dos “grandes” do futebol português, o FC Porto. Começava, assim, uma longa ligação aos dragões da Invicta, com 11 anos recheados de conquistas: uma Liga Europa, 7 Ligas Portuguesas, 4 Taças de Portugal e 6 Supertaças.

Em 2006 chegou mesmo a ser chamado à Seleção Nacional do Brasil, mas apenas prestou serviço em encontros particulares. Um deles, curiosamente, frente a Portugal, em que os lusos sairiam vencedores (2-0).

Em 2014 começou a perder espaço no plantel e em 2017 acabou mesmo por rescindir o contrato com os dragões, por mútuo acordo. Foi então que decidiu deixar de lado as luvas, para se dedicar a uma carreira de treinador.

A primeira casa do mister Helton foi o Freamunde, mas revelou-se uma estreia infeliz, conseguindo apenas duas vitórias e deixando o cargo ao fim de 15 partidas, num ano em que, de resto, os Capões viriam a rodar de treinador por duas vezes e acabariam por descer aos campeonatos distritais.

Em 2018/19, o guardião suspendeu a carreira de treinador para regressar aos relvados, ingressando na formação de veteranos do Sport Canidelo. No ano seguinte, continuando entre os postes, reassumiu o comando técnico de uma equipa, desta feita os sub-19 do emblema gaiense.

Em 2020/21, no entanto, surpreendeu tudo e todos, protagonizando um inesperado retorno ao União de Leiria, regressando também à condição de jogador a tempo inteiro. Participou já em 5 partidas, uma delas diante do primodivisionário Portimonense, a contar para a Taça de Portugal, mas acabaria substituído aos 30 minutos, lesionado.

Assim, 15 anos depois, Helton está de volta ao clube que o viu nascer para o futebol português. Agora a caminho do 43º aniversário, por quanto mais tempo continuaremos a ver o guardião em ação?

 

Imagem: FC Porto (Facebook)

Duarte Rosa

"Alfacinha" de gema, sportinguista de coração. Desde o clube à seleção nacional, o amor pela bola está presente desde cedo. A licenciar-se em Ciências da Comunicação, na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, esta paixão pela escrita e pelo futebol forma uma dupla interessante, que espera vir a agradar aos seus leitores.