Inter vs Bayern (2010): a última Champions de Mourinho e dos milaneses

No “Históricos” desta semana, recuamos até 22 de maio de 2010, dia da final da edição 2010/11 da Liga dos Campeões.

Nesta época, a derradeira partida da mais importante prova europeia de clubes teve como palco o Santiago Bernabéu. Frente a frente estavam Bayern de Munique e Inter de Milão, duas equipas fortíssimas que haviam vencido os campeonatos e taças dos respetivos países e tinham a chance de conquistar o triplete, (Liga dos Campeões, Liga e Taça) algo nunca antes alcançado por qualquer conjunto alemão ou italiano.

Para além de ser um embate entre emblemas históricos, (bávaros contavam com quatro ligas milionárias e milaneses com duas) era também um braço de ferro entre grandes treinadores: Louis Van Gaal e José Mourinho, ambos detentores de uma Champions (pelo Ajax, em 1995, e Porto, em 2004, respetivamente).

No caminho até à final, após ficarem à frente do Rubin Kazan e do Dínamo de Kiev na fase de grupos, os italianos eliminaram o Chelsea, o CSKA de Moscovo e o Barcelona. Já os alemães superiorizaram-se à Juventus e ao Maccabi Haifa antes de baterem a Fiorentina, o Manchester United e o Lyon nas eliminatórias. Para o jogo do título, cada equipa tinha um importante jogador de fora por castigo: Thiago Motta no Inter e Franck Ribéry no Bayern.

Assim, o onze escolhido pelo treinador português foi Júlio César na baliza, Chivu, Samuel, Lúcio e Maicon no setor mais recuado, Zaneti e Cambiasso no centro do terreno, Pandev e Eto’o nas alas e Sneijder nas costas de Milito.

Do outro lado, o técnico holandês apostou em Butt entre os postes, Badstuber, Demichelis, Van Buyten e Philipp Lahm no quarteto defensivo, van Bommel e Schweinsteiger no miolo, Altintop e Robben nos flancos e Muller no apoio a Olic.

O Bayern entrou melhor na partida e criou a primeira oportunidade de perigo através de um belo lance de Robben no qual o extremo, após passar por dois adversários, serviu Olic, tendo o ponta de lança atirado ao lado.

O Inter respondeu pouco depois sob a forma de um livre direto longínquo batido por Sneijder. Apesar da elevada distância, o remate saiu forte e colocado e Butt foi obrigado a uma defesa apertada.

Na ameaça que se seguiu, os nerazzurri inauguraram o marcador. À passagem do minuto 35, Júlio César pontapeou longo, Milito deu de cabeça para Sneijder, este devolveu ao argentino, isolando-o, e, na cara do guarda-redes, disparou para o fundo da baliza.

Até ao final do primeiro tempo, os milaneses ainda dispuseram de mais uma chance. Milito e Sneijder voltaram a combinar bem, mas, desta vez, com os papéis trocados, já que foi o holandês a finalizar e a permitir a defesa de Butt.

Na segunda metade, os alemães voltaram a entrar melhor e, logo nos primeiros segundos, dispuseram de uma ocasião clamorosa que só não deu em golo porque Muller perdeu o duelo com Júlio César.

Escassos minutos depois, Butt teve de voltar a esticar-se para evitar que o tiro de Pandev, novamente servido por Milito, fizesse as redes abanar.

Seguiram-se duas oportunidades para os bávaros: primeiro, Altintop atirou à malha lateral e, no segundo momento, Robben, num dos seus característicos lances nos quais corta para dentro e remata em arco, viu o guardião brasileiro fazer uma espetacular defesa para desviar a sua tentativa.

Todavia, foi o Inter a dobrar a vantagem. No minuto 70, através de um contra-ataque, Eto’o adiantou para Milito e, numa notável jogada individual, o avançado subiu pelo terreno, fintou Van Buyten e atirou a contar pela segunda vez na noite.

Este tento acabou por matar o jogo e não se verificou nenhuma outra real ameaça a qualquer uma das balizas até ao apito final. O Bayern teve sempre mais posse de bola e atacou em maior quantidade, mas os pupilos de Mourinho foram muito sólidos defensivamente e tiveram bastante critério ofensivo nos lances de ataque rápido, conseguindo apontar dois golos e assegurar a conquista do troféu que lhes fugia há 45 anos.

Na época seguinte, Mourinho trocou definitivamente o Giuseppe Meazza pelo Santiago Bernabéu e, desde então, o treinador português não voltou a vencer a prova milionária e o Inter não teve grandes sucessos desportivos, (venceram, até agora, apenas um Campeonato do Mundo, uma Taça e uma Supertaça italianas, todas no ano que se seguiu a esta conquista) sentenciando o fim do apogeu do clube.

 

Fontes das Imagens: Twitter @cfootcameroun, @Toluwaa__ e @WhoScored

Simão Vitorino

Nasci e cresci em Vila Franca de Xira e estou atualmente a tirar uma licenciatura em Ciências da Comunicação na faculdade NOVA FCSH com o objetivo de me tornar jornalista desportivo no futuro, profissão que une duas grandes paixões minhas - o futebol e a escrita.