Benfica apático empata a uma bola na Luz diante do Nacional

O Benfica recebeu o Nacional da Madeira no Estádio da Luz, numa partida a contar para a 15ª jornada do campeonato. O encontro terminou com um empate a uma bola, após golos de Chiquinho para os encarnados e de Rochez para os insulares, numa partida onde a turma de Jesus voltou a mostrar uma falta de criatividade gritante no seu setor ofensivo.

O Benfica foi a jogo com dez ausências no seu plantel, tendo Jorge Jesus alinhado um onze com Mile Svilar na baliza (estreia do guardião pelas águias na presente temporada); Jardel e Ferro no centro da defesa; João Ferreira (estreou-se no campeonato) e Franco Cervi como laterais; Julian Weigl e Chiquinho no meio campo; Pizzi e Rafa Silva como extremos e uma dupla de ataque composta por Haris Seferović e Darwin Núñez.

Luís Freire, por sua vez, levou a campo um onze com Daniel Guimarães entre os postes; Pedrão e Rui Correia como dupla de centrais; Kalindi e Witi nas laterais; Nuno Borges, Francisco Ramos e Vincent Koziello no meio campo; Vincent Thill e Kenji Gorré como extremos e Bryan Rochez como ponta de lança.

O encontro começou com os encarnados em melhor plano. O principal jogador em destaque no capítulo ofensivo foi, de forma surpreendente, Chiquinho, que desde cedo quis mostrar serviço ao seu técnico. O jogador esteve em foco logo aos sete minutos de jogo, com João Ferreira a combinar com Rafa no corredor direito e a cruzar para o coração da grande área adversária, onde apareceu o médio a rematar de primeira, inserindo a bola dentro das redes de Daniel Guimarães. O lance, no entanto, foi anulado pelo VAR devido a posição adiantada de João Ferreira por 19 centímetros. Mas à segunda tentativa seria de vez. Aos 14´, Pizzi recebeu uma bola vinda de um alívio da defesa madeirense dentro da grande área, ganhou espaço na malha esquerda da mesma e cruzou para o segundo poste, onde surgiu de novo Chiquinho, que cabeceou em esforço para inaugurar o marcador para as águias.

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Após ganhar a vantagem na partida, a turma de Jesus baixou o ritmo e geriu o esforço até ao intervalo, perante um Nacional que demonstrava grandes dificuldades em conseguir ligar o meio campo ao ataque e, desta forma, criar situações de perigo. As situações de ataque acabaram mesmo por não voltar a surgir para ambos os lados até ao apito para o intervalo, tirando um remate rasteiro sem perigo de Rafa Silva aos 31´ dentro da área, após ter recebido uma bola de Darwin a partir do flanco esquerdo.

No retorno das equipas ao relvado da Luz, o Benfica sofreu de forma quase imediata as consequências de não ter procurado dilatar a sua vantagem no primeiro tempo. No seguimento de um canto batido de forma curta, Gorré cruzou sem pressão para a cabeça de Rochez, que aproveitou a passividade de João Ferreira e adiantou-se ao jovem lateral, cabeceando para o fundo das redes encarnadas.

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Aos 60 minutos, Jorge Jesus, claramente insatisfeito com o rendimento do seu ataque, substituiu Rafa e Darwin, levando a jogo Pedrinho e Gonçalo Ramos, procurando introduzir frescura num setor claramente desinspirado, enquanto que Luís Freire promoveu a saída de Thill e Koziello e a entrada do experiente Rúben Micael e de João Camacho. O recém-entrado avançado da Luz esteve perto de ter um efeito imediato na partida, rematando um forte remate a partir do lado esquerdo da área, mas Daniel Guimarães estava com os reflexos em dia e defendeu a tentativa do jovem. O Nacional ganhava confiança à medida que relógio avançava e também teve direito a uma grande oportunidade de perigo, mas não a soube aproveitar. Jardel travou Rochez em falta mesmo à entrada da sua área e o hondurenho teve direito a uma bola parada numa posição muito perigosa para as redes das águias, só que na conversão do pontapé de livre, o avançado rematou em força mas sem qualquer direção à baliza de Svilar. Os madeirenses, nesta altura do jogo, eram mesmo a equipa que mais perto parecia da vitória, perante um Benfica amorfo, sem fio de jogo e com um treinador impávido no banco.

Aos 83´, uma oportunidade ouro para conquistar os três pontos foi completamente desperdiçada pelo Benfica. Pizzi mandou uma bola longa na direção de Taarabt (entrou aos 77´para o lugar de Chiquinho), que ganhou a dianteira ao defesa adversário e ficou em posição perfeita para assistir Seferović. O passe do marroquino saiu ligeiramente com força a mais, mas mesmo assim foi controlado pelo suíço que, de costas para as redes de Daniel Guimarães, demorou muito tempo a tomar a melhor decisão e acabou por perder o esférico perante a rápida recuperação dos centrais madeirenses. Até ao apito final, os encarnados demonstraram dois aspetos bem notórios em campo: desespero na cara e desinspiração nos pés (Pizzi e Taarabt falharam vários passes simples na fase final do encontro). O Nacional baixou as suas linhas e mostrou uma organização defensiva que foi verdadeiramente uma muralha intransponível para os apáticos homens da casa, que nem espaço para cruzamentos conseguiram encontrar até ao fim dos 90´.

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Desta forma, as águias somam o segundo empate seguido para o campeonato e permitem que Sporting e FC Porto possam vir a ganhar distância e a ficar, respetivamente, com mais seis e dois pontos de vantagem em relação a si, caso vençam as suas partidas. Também o SC Braga poderá ficar a apenas três pontos de distância do atual segundo posto, ocupado à condição pelos encarnados, caso vençam o seu respetivo jogo. Já o Nacional da Madeira terminou com uma série de quatro derrotas consecutivas e passa a ocupar, também à condição, o 14º posto da tabela classificativa, com apenas um ponto a separar a turma de Freire da zona vermelha (Gil Vicente, Farense e Boavista têm todos um jogo a menos que os insulares).

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Alexandre Dionisio

Desde pequeno fui levado ao mundo do futebol, inicialmente enquanto júnior no Ginásio Clube de Alcobaça, clube da minha cidade, e agora mais velho enquanto espetador assíduo do mágico desporto que tanto nos emociona. Com uma licenciatura em Ciências da Comunicação na bagagem e um mestrado em Jornalismo em curso, acompanho cada jogo com a máxima emoção. Que isso nunca mude.