West Ham, um mero acaso ou mérito incansável?

West Ham, uma das seis equipas londrinas presentes na corrente edição da Premier League, está a desafiar o futuro que lhe parecia traçado, encontrando-se numa luta pelos lugares de acesso às competições europeias após 19 jogos na liga, quando, após um verão tumultuoso, toda a gente os via como candidatos à descida. Será que os “Hammers” estão numa maré de sorte ou é possível que David Moyes e os seus jogadores mereçam tudo o que alcançaram até agora?

Olhando para os últimos 10 anos, a equipa de Este de Londres acabou apenas uma vez no top 10 da Premier (2015/2016). Contudo, David Moyes não é nenhum estranho ao top 10 inglês, com 8 colocações no mesmo, em toda a sua carreira.

Mas então o que está o West Ham a fazer de diferente para tanto sucesso? Tudo o que bastou foi apenas uma jornada. Na estreia da época 20/21, David Moyes apresentou um 4-4-2 em casa frente ao Newcastle, e com uma derrota pouco inspirada, tomou uma decisão de mudança, e que mudança!

Nas 10 jornadas seguintes, jogando num 5-2-2-1, o West Ham perdeu apenas 3 jogos e empatou outros 2, todos com equipas do “big 6”. A adaptação de Cresswell a defesa central e o uso de dois médios defensivos, apesar de chocante, foi efetiva. Estes 3 (Aaron Cresswell, Declan Rice e Tomás Soucek) são os jogadores com mais minutos na presente temporada e tornaram o que outrora tinha sido uma das piores defesas do campeonato na 7ª melhor defesa da liga. As contribuições ofensivas de Soucek são talvez mais uma surpresa alegre com que o West Ham se deparou esta época, mas não a única. A capacidade de passe do irlandês Rice assim como as suas constantes ações defensivas positivas têm mantido o meio campo compacto na transição ofensiva e permitem pouca exposição na transição defensiva.

Nas 8 jornadas que seguiram, com a lesão do francês Masuaku, Moyes viu-se obrigado a passar para um 4-2-3-1, onde não só Soucek e Rice se continuaram a destacar, mas Vladimir Coufal e Jarrod Bowen têm, constantemente, demonstrado serviço no ataque dos “Hammers”. As 7 contribuições para golo não fazem jus à criatividade e capacidade ofensiva de Bowen que, com 2.22 remates p/jogo e 3.02 ações originadoras de remate p/jogo, é dos elementos mais solicitados e perigosos na transição ofensiva da equipa de Moyes. Vladimir Coufal foi um upgrade mais que necessário na ala direita, em detrimento de Ryan Fredericks, mas ainda assim conseguiu surpreender não só com a sua capacidade, mas também com o seu sacrifício e raça demonstrada dentro das 4 linhas.

Com o 7º lugar até ao momento, o West Ham está também em 7º na liga dos xPts, a estatística mais falada do momento, demonstrando assim que, até agora, todo o sucesso é explicável e que não há razão para não esperar mais do mesmo dos homens de David Moyes.

 

Fonte da imagem: twitter.com/WestHam