Crónica: Nulo de princípio a fim no Arsenal-Manchester United

O dia de hoje assistiu ao jogo grande da jornada 21 da Premier League. O Arsenal recebeu no Emirates Stadium o Manchester United, num jogo em que ambos os clubes se encontravam em diferentes momentos. Se, por um lado, o Manchester United está no segundo lugar, vindo duma derrota contra o último classificado Sheffield United e de apenas uma vitória nos últimos três jogos, o Arsenal, que se encontra muito mais recuado na tabela classificativa, está num momento de forma muito positivo, numa investida aos lugares cimeiros que começou na vitória por 3-1 contra o Chelsea. Desde então, a equipa de Arteta levava 16 pontos em 18 possíveis.

O Manchester United mostrou-se logo de início como uma equipa que quis o controlo do jogo, nunca esquecendo o cuidado para com os ataques adversários. Solskjaer optou por jogar num 4-4-2, com dois pivôs defensivos, McTominay para dar equilíbrio, Fred para construir. Pogba e Bruno Fernandes jogaram mais à frente, com Rashford  como elemento de ligação entre os médios ofensivos e a frente de ataque, beneficiando da mesma mobilidade que os médios. Cavani foi o 9 puro, com presença na área.

Por seu turno, o Arsenal, sem Aubameyang e Saka, resolveu utilizar um meio campo a três, com Xhaka e Thomas Partey como utilitários e Smith-Rowe a explorar os espaços interiores entre as linhas do United. Os extremos, Martinelli e Pépé, tinham como objetivo explorar as costas dos laterais e entrar dentro da área adversária. Lacazette, o avançado puro, ajudaria com o seu jogo de costas para a baliza.

O jogo começou como todos os jogos grandes costumam começar, com ambas as equipas com cuidado com os desequilíbrios ofensivos adversários, nunca arriscando muito. Apesar do remate de Fred para uma grande defesa de Leno, o momento de maior perigo do primeiro tempo, o momento que marcou a primeira parte foi a lesão de McTominay. Numa altura em que o jogo pendia mais para os Red Devils, a lesão do médio escocês promoveu a entrada de Martial. O United passou, aí, a jogar com três médios, com Pogba mais recuado e com menos liberdade atacante, e Rashford passou a jogar na ala direita.

Se a primeira parte não teve grandes oportunidades de perigo, a segunda parte foi bem mais rica em momentos de reconhecimento. A entrada de Willian para o lugar de Martinelli levou a que Cédric se envolvesse mais nos ataques. A sobrecarga dos da casa aliada ao menor equilíbrio do United levaram a um jogo mais equilibrado na segunda parte. A primeira grande oportunidade surgiu aos 59 minutos, quando, após uma excelente triangulação pela esquerda entre Luke Shaw, Martial e Fred, o lateral inglês cruzou para a pequena área e Cavani chutou fora do alvo, resultado da enorme pressão de dois defesas do Arsenal. Ao minuto 66 surgiu a maior oportunidade do encontro: Lacazette, após falta de Maguire à entrada da área, cobrou um livre quase irrepreensível, que deixou De Gea pregado ao relvado, embatendo com estrondo na trave. Aos 82 minutos, Pépé chutou pouco ao lado da base do poste da baliza do Manchester United e aos 89 minutos, Cavani teve nos pés mais uma oportunidade de desfazer o nulo, falhando por pouco a baliza de Bernd Leno. Há ainda destaque para a saída de Lacazette depois duma queda aparatosa num lance aéreo com Maguire.

A falta de golos nesta partida pode ser justificada pela saída de McTominay lesionado e pela entrada de Martial, que tirou o controlo no miolo por parte dos Red Devils e empurrou Rashford para a direita. A falta de mobilidade após esse momento tornou o ataque do Manchester United muito previsível nos momentos de posse. No entanto, o meio campo defensivo, liderado por Fred, mostrou grande capacidade de controlar os médios ofensivos do Arsenal, primeiro Smith-Rowe e mais tarde Odegaard. No lado dos Gunners, Martinelli esteve também muito apagado no jogo e Lacazette foi controlado pelos centrais forasteiros. No entanto, Thomas Partey foi claramente o jogador mais do Arsenal, com solidez defensiva e progressão atacante com muita importância nas transições defesa-ataque.

Apesar do resultado, o Manchester United conseguiu bater um recorde interno: leva 18 jogos fora no campeonato sem perder. Já o Arsenal conseguiu mais um ponto contra uma equipa que se encontra no pódio do Campeonato. Numa Liga em que estes dois clubes, respetivamente em segundo e em nono, estão separados por apenas 10 pontos, e observando os momentos de forma em que se encontram, uma coisa é certa: vai haver muito “pano para mangas” nesta segunda volta da Premier League.

 

Fonte da imagem: Twitter da Premier League – @premierleague