Lembra-se de: Adriano, o Imperador

No Lembra-se de… desta semana recordamos Adriano Leite Ribeiro, o Imperador. O brasileiro canhoto, considerado por muitos o próximo Ronaldo, que voou alto na Europa mas nunca atingiu o seu verdadeiro potencial. O Imperador é um dos maiores “what if’s” do futebol mundial.

Adriano Leite Ribeiro estreou-se com 17 anos pela equipa principal do Flamengo, clube onde estava desde os seus 9 anos. O seu primeiro golo foi no jogo seguinte frente ao São Paulo e percebeu-se desde já que estava ali o possível sucessor do Ronaldo “Fenómeno” quando, com apenas 18 anos, Adriano foi convocado para a seleção A canarinha.

Com toda a Europa de olho no “Imperador”, foi o Inter que conseguiu a assinatura do brasileiro em 2001. Adriano fez ainda 14 jogos pelos Nerazzurri, marcando na sua estreia contra o Real Madrid. Apesar desse golo, Adriano foi emprestado por meia época à Fiorentina onde teve uma passagem discreta com 6 golos em 15 jogos. Foi na época e meia seguinte que se percebeu a verdadeira máquina de golos que era Adriano, que marcou 24 golos em 37 jogos pelo Parma na Serie A, dando assim asas ao seu retorno ao San Siro, onde marcou ainda 12 golos em 18 jogos em todas as competições até ao final da época mas o melhor ainda estava para vir. Nas duas épocas seguintes Adriano ajudou o Inter à conquista de 2 Taças de Itália e a 1 Scudetto, com 52 golos em 93 jogos. Mas foi no final da época de 2005/2006 que o fantasma de Adriano o apanhou.

Em 2004, antes de um jogo frente ao Basileia, Adriano recebeu a notícia que o seu pai tinha morrido. Zanetti conta-nos o incidente e como tal afetou o Imperador: “Quando ele recebeu o telefonema sobre a morte do pai, nós estávamos no quarto. Ele agarrou no telefone e começou a gritar de uma forma que ninguém pode imaginar.”. Javier Zanetti, lenda argentina do Inter diz ainda: “Ele continuou a jogar, a marcar golos e a dedicá-los ao pai, apontando para o céu, mas depois daquele telefonema, nada mais foi como antes”. Javier termina com uma frase que ficou para história: “Não conseguimos tirá-lo da depressão. Essa foi a minha maior derrota.”

Em 2006 Adriano caiu num poço de tristeza e depressão, onde a única saída que encontrava eram as festas e as bebidas alcoólicas e como tal, as suas exibições dentro de campo pioraram imenso. O brasileiro realizou apenas 56 jogos pelo Inter nos 3 anos seguintes, marcando 14 vezes, sendo depois vendido ao Flamengo em 2009. O Imperador deixou Itália com apenas 27 anos, levando consigo 2 medalhas de vencedor da Taça Italiana e 4 Scudettos mas deixando para trás toda a glória europeia que outrora lhe era prometida.

Adriano acabou por passar os seus últimos anos no Brasil, onde até começou bem com 34 golos em 48 jogos que lhe deram um breve retorno a Itália, onde foi incapaz de marcar qualquer golo em 8 jogos. Desde esse regresso a Itália, Adriano só voltou a jogar 12 vezes em 5 anos, marcando 4 golos, até em 2016 se retirar nos Estados Unidos, com apenas 34 anos.

Dantes apontado como um futuro vencedor da Bola de Ouro, Adriano perdeu uma batalha contra si mesmo. Ainda havia muito mais que poderia mencionar, desde os seus inúmeros prémios individuais aos seus títulos pelo Brasil, mas tudo isso sabe a pouco comparado com o que podia ter sido o legado do Imperador.

 

Fonte da imagem: twitter.com/OGuiadoFutebol