Quem te viu e quem te vê: Josué

No “Quem te viu e quem te vê” desta semana, falamos de Josué, jogador que já representou FC Porto, SC Braga e FC Paços de Ferreira e que tem andado afastado das grandes ligas. 

Josué Pesqueira, conhecido simplesmente pelo seu primeiro nome no mundo do futebol, cumpriu a maioria da sua formação no FC Porto (passou também pelo Padroense FC e CD Candal) e estreou-se pela equipa principal azul e branca em janeiro de 2009, quando tinha apenas 18 anos. Todavia, nesta época, o atleta só entrou duas vezes em campo pelo plantel sénior.

Assim, foi com naturalidade que, na temporada seguinte, o médio foi emprestado. Na primeira metade, esteve ao serviço do SC Covilhã, da Segunda Liga, tendo apontado dois golos ao longo de nove encontros e, na segunda, jogou pelo FC Penafiel, da mesma divisão, no qual registou 14 partidas e um tento.

No ano seguinte, o jovem voltou a ser cedido, desta feita para um patamar superior, já que se mudou para o VVV-Venlo, do primeiro escalão dos Países Baixos. No entanto, este acabou por ser pouco utilizado, somando apenas 13 jogos ao longo de toda a época.

No verão de 2011, pouco impressionada com o rendimento do português, a direção portista acabou por deixá-lo sair a custo zero para o Paços de Ferreira, garantindo, contudo, 50% dos seus direitos económicos.

Na sua primeira época pelos castores, o médio ofensivo foi utilizado em 23 das 35 partidas do seu clube, das quais somente 12 foram como titular, ou seja, não foi uma figura indiscutível na equipa. Ainda assim, conseguiu assistir os seus colegas duas vezes e fez as redes adversárias abanar numa ocasião.

Porém, a temporada 2012/13 foi de afirmação para Josué e histórica para o Paços de Ferreira. Na altura, os pacenses eram orientados por Paulo Fonseca e tinham um plantel com vários jogadores de qualidade, (Cássio, Antunes, Diogo Figueiras, Luiz Carlos, Paolo Hurtado, Cícero…) tendo chegado às meias finais da Taça de Portugal e terminado em terceiro lugar no Campeonato. A nível individual, o canhoto contabilizou uns notáveis cinco golos e nove assistências ao longo de 33 jogos.

Depois de impressionar na Capital do Móvel, o futebolista de, então, 22 anos foi recomprado pelo FC Porto por 500 mil euros, seguindo o mesmo caminho que Paulo Fonseca, já que o treinador também se mudou para o Estádio do Dragão.

Logo no início da época, o jovem venceu o primeiro troféu da sua carreira ao bater o Vitória SC e conquistar a Supertaça. No que diz respeito às suas exibições ao longo da mesma, apesar de não ter sido uma peça preponderante da equipa, (participou em 35 dos 53 jogos do Porto, nove destes vindo do banco) somou cinco tentos e dez passes para golo e foi, inclusivamente, convocado por Paulo Bento para representar a seleção nacional, registando todas as suas quatro internacionalizações neste período.

 

Contudo, os azuis e brancos tiveram uma temporada dececionante, terminado em terceiro lugar no Campeonato, ficando pelas meias finais da Taça de Portugal e Taça da Liga, fase de grupos da Liga dos Campeões e quartos de final da Liga Europa. Assim, no verão de 2014, numa altura em que eram necessárias alterações para mudar de rumo, Lopetegui foi escolhido como novo técnico e Josué não entrava nas suas contas, tendo sido emprestado aos turcos do Bursaspor a troco de 200 mil euros.

O português brilhou em Bursa, afirmando-se como habitual titular, ajudando a equipa a chegar à final da Taça Turca e convencendo o seu clube a investir mais um milhão de euros na renovação do seu empréstimo para a época seguinte. Todavia, em janeiro de 2016, este acabou por abandonar a Turquia a meio da segunda cedência devido a trocas de treinador e de presidente. Ao todo, neste ano e meio, registou 56 partidas, nove golos e nove assistências.

Assim, a solução arranjada pela direção liderada por Pinto da Costa de forma a encontrar colocação para o jogador na segunda metade da temporada foi cedê-lo durante seis meses ao SC Braga, decisão da qual esta se deve ter arrependido, já que os dragões perderam a final da Taça de Portugal para os arsenalistas, com o médio a ser o autor de um dos golos. Para além deste importante tento, faturou mais quatro vezes e assistiu outras tantas nos 22 encontros que realizou pelos minhotos.

Já em 2016/17, o FC Porto emprestou o atleta pela sétima e última vez, desta feita ao Galatasaray. No gigante de Istambul, acabou por não ter o mesmo protagonismo que outrora havia conquistado na Turquia, tendo entrado em campo em 33 dos 44 jogos deste conjunto (16 vezes enquanto suplente) e somado quatro tiros certeiros e seis assistências.

No verão de 2017, Josué rescindiu contrato com os portistas e, aos 26 anos, terminou definitivamente a sua ligação com os dragões. De seguida, manteve-se na Anatólia, assinando pelo Osmanlispor, mas esta experiência não correu bem dado que, em novembro do mesmo ano, rescindiu unilateralmente com o clube ao fim de 10 jogos, (três passes para golo) alegando que este não estava a cumprir com o estipulado no seu vínculo.

Assim, o canhoto só voltou aos relvados no início da temporada 2018/19, quando o Akhisarspor o contratou, tendo este sido o quarto emblema turco a apostar no futebolista. Apesar do ano ter começado bem com a conquista da Supertaça e de até ter marcado presença na final da Taça, a equipa de Akhisar acabou por terminar em último lugar do Campeonato. Desinteressado em jogar no segundo escalão turco, o médio chegou a acordo e rescindiu com a sua equipa um ano depois da sua chegada, deixando para trás um registo de quatro golos e quatro assistências em 29 jogos.

Foi neste contexto que, em setembro de 2019, chegou ao clube que ainda representa atualmente: o Hapoel Beer Sheva FC, de Israel. Aqui, o português tem encontrado bastante sucesso, visto que é titular indiscutível, conquistou a Taça do país (marcou na final da prova) e tem, até agora, um interessante registo de 16 tentos e 10 passes para golo ao longo de 57 partidas.

Resumindo, a carreira de Josué foi repleta de altos e baixos. Apesar do início prometedor no Paços de Ferreira, dos empréstimos bem sucedidos a Bursaspor e SC Braga e de uma época satisfatória na Invicta, este nunca recebeu uma verdadeira oportunidade no FC Porto e, após três campanhas com menor fulgor, (Galatasaray, Osmanlispor e Akhisarspor) está neste momento a brilhar pelo Hapoel, numa liga menos competitiva. Terá este sido o caso de um jogador que simplesmente não tinha qualidade suficiente para jogar num grande ou será que foi injustiçado? Atualmente, o médio tem 30 anos, logo tem ainda tempo para regressar a uma liga com maior notoriedade e responder definitivamente a esta questão mostrando as suas qualidades dentro de campo.

 

Fontes das Imagens: Twitter @somosporto1893, @Galaxia_Fut, @FCPorto, @Saltspor_, @GSG_SCOUT e @DTransferencias

Simão Vitorino

Nasci e cresci em Vila Franca de Xira e estou atualmente a tirar uma licenciatura em Ciências da Comunicação na faculdade NOVA FCSH com o objetivo de me tornar jornalista desportivo no futuro, profissão que une duas grandes paixões minhas - o futebol e a escrita.