Benfica empata a zero com o Vitória SC e deixa escapar o terceiro lugar

O Benfica recebeu o Vitória SC no Estádio da Luz numa partida a contar a contar para a 17ª jornada da Liga NOS. A partida terminou com um empate a zero, após 90 minutos onde os encarnados tiveram um início prometedor perante um Vitória SC que nunca foi ameaça para as suas redes, mas acabaram por deixar os fantasmas dos jogos recentes voltarem para assombrar e impedir a chegada ao terceiro lugar do campeonato.

As águias, orientadas por João de Deus no banco de suplentes, levaram a jogo um onze com Vlachodimos na baliza; Otamendi e Vertonghen no centro da defesa; Gilberto e Grimaldo nas laterais; Julian Weigl e Adel Taarabt no meio campo; Everton e Franco Cervi como extremos e Pizzi e Haris Seferović no ataque.

João Henriques, técnico do Vitória SC, levou a jogo um onze com Matouš Trmal na baliza; Abdul Mumin e Jorge Fernandes no centro da defesa; Sacko e Mensah como laterais; Miguel Luís e André André no meio campo; Rúben Lameiras e Ricardo Quaresma como extremos e André Almeida e Óscar Estupiñán no ataque.

O Benfica iniciou a partida a tentar tomar as rédeas do jogo, utilizando passes curtos e combinações rápidas para tentar penetrar a defensiva vimaranense, perante um Vitória que primava pela pressão alta para tentar criar desequilíbrios e situações de contra-ataque. A primeira ocasião de perigo veio da parte das águias aos oito minutos de jogo, a partir do primeiro canto da partida. Pizzi bateu a bola, Vertonghen subiu nas alturas e cabeceou para defesa de Trmal, numa altura em que se notava um início melhor dos homens encarnados no encontro. Um indício que voltou a notar-se dois minutos depois, altura em que Gilberto armou um cruzamento para a cabeça de Seferović, que cabeceou para nova defesa atenta do guardião checo. O Benfica era dono e senhor da posse de bola e, melhor que isso, mostrava-se perigoso com ela. Everton, aos 17´, também testou os reflexos de Trmal após receber um passe de Gilberto na ala direita do campo, rematando um chuto potente que obrigou o guardião do Vitória a defender a bola para fora.

Fonte da imagem: Twitter @slbenfica_en

O Vitória demonstrava dificuldades em circular o esférico no seu meio campo, preferindo fazer uso do passe longo para tentar chegar mais perto da área e encarnada e, acima de tudo, aliviar-se da pressão do ataque da Luz, sem qualquer sucesso. Na turma visitante, destacava-se apesar de tudo o central Mumin, que fazia o que podia para limpar o perigo das investidas encarnadas. Do lado encarnado, mantinha-se uma alta pressão e uma forte preponderância ofensiva, com a dupla Weigl- Taarabt e ainda Everton em destaque, os primeiros pelas recuperações de bola e condução no meio campo adversário e o segundo pelos desequilíbrios que oferecia no corredor direito, que passou a ocupar após ter trocado de posição com Cervi. O que estava a faltar ao Benfica era, pois, a decisão no último terço, com vários lances em que o conjunto encarnado fez tudo bem, tirando a finalização na grande área vimaranense. Os homens de João Henriques, pelo contrário, conseguiam impedir o esférico de entrar na sua baliza mas mostravam-se completamente inofensivos, sem qualquer remate enquadrado com a baliza de Vlachodimos na primeira parte.

No regresso para a segunda parte, uma alteração para cada lado. No Benfica, Everton saiu e deu o lugar a Darwin Núñez, passando Pizzi para a posição de extremo direito e no Vitória SC, Miguel Luís foi substituído por Pepelu. Com a entrada do médio espanhol, o Vitória ganhou mais presença no meio campo benfiquista e o jogo tornava-se mais dividido, apesar de as oportunidades de perigo continuarem a não aparecer para o conjunto minhoto. O Benfica mostrava-se algo atordoado com a reação dos vimaranenses, não tendo nenhuma ocasião perigosa no segundo tempo até à marca da hora de jogo e nesse sentido, João de Deus levou a jogo Gonçalo Ramos para o lugar de Seferović, juntando o português a Darwin no ataque encarnado em busca de mais frescura e acerto na finalização. Os minutos iam passando e, apesar da consistência defensiva, que fazia com que Vlachodimos ainda não tivesse feito qualquer defesa até aos 70 minutos, a presença ofensiva teimava em não resultar em golos e já nem as oportunidades de perigo saíam tão fluídas aos pupilos da Luz como no primeiro tempo.

Fonte da imagem: Twitter @FansdeSLBenfica

Com Pedrinho em campo (para o lugar de Pizzi), o Benfica assistia a um remate de trivela de Quaresma que passou ao lado esquerdo da baliza do guardião encarnado, sem perigo. O Benfica voltava a mostrar os fantasmas dos jogos anteriores no segundo tempo, sendo notória a dificuldade encarnada em sair em transição ofensiva frente a um Vitória que agradecia, passando a dispôr de mais presença na área encarnada. Rochinha foi lançado para o lugar de Quaresma pouco antes de também Gabriel e Chiquinho irem a jogo para os lugares de Weigl e Cervi, mas o problema do jogo benfiquista mantinha-se o mesmo: dificuldades nas transições defesa-ataque e falta de química entre Darwin e Gonçalo Ramos (foi o primeiro jogo em que os dois jogadores estiveram em campo em simultâneo na frente de ataque).

Nos últimos dez minutos e com a entrada de Wakaso e Marcus Edwards (para os lugares de André Almeida e Lameiras), os vitorianos continuavam a controlar as investidas encarnadas, que desde a saída de Everton, nunca mais levaram o mesmo perigo. Aos 87´, Darwin ainda armou um remate potente à entrada da área do Vitória, mas Trmal controlou com facilidade a tentativa do desinspirado uruguaio. Aos 90+2´surgiu dos céus oportunidade de ouro para as águias selarem os três pontos, mas esta acabou totalmente desperdiçada. Grimaldo armou um cruzamento teleguiado para a cabeça de Darwin, que em esforço passou o esférico para Gonçalo Ramos. O jovem avançado, de seguida, assistiu Pedrinho que estava em posição avantajada para marcar golo. O brasileiro, no entanto, chutou um remate desajeitado e que passou muito em cima da barra adversária, para desespero seu e dos restantes companheiros. Este foi mesmo o último lance de destaque do embate entre Benfica e Vitória SC, que terminou com o mesmo resultado com que começou, zero a zero, numa exibição encarnada que foi inconsequente no primeiro tempo e completamente desinspirada, à semelhança dos últimos jogos, no segundo.

Fonte da imagem: Twitter @VitoriaSC1922

O Benfica soma desta forma o quarto jogo sem vencer para o campeonato e falha a oportunidade de igualar o SC Braga no terceiro lugar, passando a estar a dois pontos de distância dos minhotos, a cinco pontos do FC Porto e a 11 pontos do líder, Sporting, numa crise de resultados e exibições que não parece ter fim à vista. Já o Vitória SC somou o seu quarto jogo consecutivo para o campeonato sem derrotas, não tendo ainda sido derrotado em 2021. Os vimaranenses ocupam, atualmente, o sétimo posto da Liga NOS, com 30 pontos somados, mais oito do que o oitavo classificado, o Santa Clara e menos quatro que o quinto classificado, o Paços de Ferreira (que até ao momento da presente crónica se encontra a vencer o Tondela por um a zero o que, em caso de vitória pacense, faz com que o conjunto de Pepa iguale ainda os 34 pontos do Benfica). Nota ainda para o facto de que os minhotos têm um jogo em atraso e, caso o vençam, ficam a um ponto de distância do Benfica.

Fonte da imagem: Twitter @olhaoquete2igo

Alexandre Dionisio

Desde pequeno fui levado ao mundo do futebol, inicialmente enquanto júnior no Ginásio Clube de Alcobaça, clube da minha cidade, e agora mais velho enquanto espetador assíduo do mágico desporto que tanto nos emociona. Com uma licenciatura em Ciências da Comunicação na bagagem e um mestrado em Jornalismo em curso, acompanho cada jogo com a máxima emoção. Que isso nunca mude.