BSAD vs FC Porto: quando o jogo é ofuscado

É díficil escrever qualquer coisa de relevante e de analítico sobre o jogo entre o BSAD e o Porto por variadíssimas razões. Primeiro, o jogo foi tremendamente semelhante ao jogo do Sporting no mesmo terreno, onde a formação de Rúben Amorim saiu vitoriosa, mas tangencialmente.

O Porto foi superior, no entanto, por comparação. Os jogos no Jamor ficam particularmente marcados pela má qualidade do relvado, e a equipa de Petit, muito à moda daquilo que o treinador foi enquanto jogador (uma “carraça”), está programada para frustrar o adversário: aliás, o jogo do BSAD está programado de acordo com aquilo que o relvado vai dando, e quando há algum percalço derivado da qualidade do mesmo, vai pressionando, e muitas vezes consegue uma ou outra recuperação de bola no primeiro terço do adversário.

Ontem, e tal como no jogo frente aos Leões, muitos dos ataques da equipa visitada são através do lançamento de bolas nas costas da defesa, e quase todos são em contra ataque. Estiveram até muito próximos de marcar, não fosse Miguel Cardoso extremamente perdulário. As únicas vezes que o BSAD ia construindo algo mais “apelativo” era sobretudo através dos pés de Afonso Sousa, talento portista por empréstimo na equipa bifurcada.

O Porto, sem dúvida, dominou a partida quanto baste, e teve mais do que oportunidades para, pelo menos, vencer pela diferença mínima. No entanto, muitas vezes teve dificuldades para criar oportunidades e progredir a bola com critério, requerindo muitas vezes que um de Uribe ou Sérgio Oliveira atuasse como pivô e Fábio Vieira ou Felipe Anderson viessem ocupar os meios-espaços para depois transportar a bola até ao último terço, onde Taremi e Evanilson jogavam relativamente isolados.

A Manafá e Nanú pedia-se mais projeção no corredor para tentar contrariar o bloco baixo dos visitados, e era nessas ocasiões que o BSAD tentava pressionar e ganhar a bola na frente. Com o jogo um pouco mais partido, Luís Diaz e Corona entraram e deram um pouco mais de vertigem, numa fase onde o Porto claramente arriscou para tentar vencer. Foi a partir desse período que sofreram mais um pouco no contra-ataque, e a equipa de Petit esteve mais próxima de tombar o gigante.

Até que o jogo acabou. Não acabou no apito final, mas acabou naquele momento fatídico, que seria replicado uma em cada dez ocasiões. Bruno Ramires corta a bola, mas se não estivesse ali, aquilo que se sucedeu, muito provavelmente, não teria acontecido, visto que Kritsyuk teria visão total para socar a bola. Não a socou porque já não havia bola. Irrelevante falar de Nanú e da sua condição, senão desejar-lhe as melhoras.  O peso da ocasião deveria ter sido mais do que gatilho suficiente para Fábio Veríssimo e a equipa de arbitragem e do VAR ter refletido, nos dez minutos de paragem que existiram, para um possível lance de grande penalidade, que na minha opinião, seria mais que justificado.

 

Fonte de imagem: Agência LUSA