Curiosidades: Loures, vila leonina

Em Portugal, é sabido que os ditos “três grandes” albergam a larga maioria dos apoiantes de futebol do país. Em muitos casos, tal deve-se, pura e simplesmente, ao maior sucesso deste trio por contraste com os restantes emblemas lusos. No entanto, nem sempre é o caso.

Muitas são as histórias de um amor incondicional a Sporting, Benfica ou Porto por tradição familiar. Uma paixão passada de geração em geração que se estende aos quatro cantos de Portugal. Hoje, o AMBIDESTRO conta-lhe uma delas. A história de como uma pequena vila dos arredores de Lisboa se tornou, tradicionalmente, sportinguista…graças ao clube da terra!

Antes de mais, refira-se que a dita vila já é, na verdade, cidade. Falamos de Loures, localizada nos subúrbios da capital. O clube local, o Grupo Sportivo de Loures, foi fundado em 1913, por um grupo de amigos da terra que se entretinha a jogar à bola naquela que é a atual Praça da Liberdade.

O elenco foi crescendo e, na noite de 13 de agosto, os já 35 camaradas juntaram-se para fundar, oficialmente, o novo clube da então Vila de Loures. Entre esses 35 encontrava-se Rafael Sérgio da Costa Vieira, sócio e jogador do Sporting Clube de Portugal, outro emblema relativamente recente na zona.

Foi precisamente Rafael quem escolheu os membros da primeira Direção do GS Loures. Foi aliás o próprio quem deu nome ao clube e sugeriu as cores do equipamento: camisola amarela, calções brancos e meias pretas (que, de resto, perduram até hoje). Como se não bastasse, o atleta leonino assumiu o cargo de capitão e treinador da nova equipa de futebol.

Era por demais notória a influência deste jovem leão no novo emblema da sua vila. Como tal, Rafael convenceu os leões de Alvalade a disputar um encontro amigável com o Loures. Surpreendentemente, os “novatos” conseguiram mesmo levar de vencida a formação leonina, por uns impressionantes 3-1.

Terminada a partida, os dirigentes do Sporting, maravilhados com a boa exibição do adversário, decidiram premiar o Loures, oferecendo-se a emprestar os seus atletas, sempre que o novo clube jogasse com emblemas mais fortes. Tal gesto seria, naturalmente, impensável hoje em dia, mas já na altura surpreendeu o clube e as gentes da vila, que se admiraram com a atitude dos lisboetas, passando muitos deles a apoiar o Sporting, uma paixão que tem vindo a ser passada de geração em geração, até aos dias de hoje.

Sem surpresas, há já uns anos que não há cedências de atletas, mas certamente permanece, até hoje, um certo espírito de camaradagem entre os dois emblemas. Até porque, convenhamos, nem 10 km separam os dois estádios.

 

Imagem: Grupo Sportivo de Loures (Facebook)

Duarte Rosa

"Alfacinha" de gema, sportinguista de coração. Desde o clube à seleção nacional, o amor pela bola está presente desde cedo. A licenciar-se em Ciências da Comunicação, na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, esta paixão pela escrita e pelo futebol forma uma dupla interessante, que espera vir a agradar aos seus leitores.